
O Ibovespa fechou em queda de 1,42% nesta terça-feira (3), aos 165.528,92 pontos, acumulando o sexto pregão consecutivo de perdas diante das incertezas sobre a política econômica do próximo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O dólar, por sua vez, avançou 0,79%, a R$ 5,4872, em uma sessão marcada pela desconfiança dos investidores e por rumores sobre possíveis mudanças na condução da taxa básica de juros, a Selic.
O principal índice da bolsa brasileira oscilou entre a mínima de 164.446,53 pontos e a máxima de 168.005,46 pontos ao longo do pregão. O volume financeiro somou R$ 32,4 bilhões, no primeiro dia de negociações de novembro, após o feriado de Finados.
No câmbio, a moeda americana também apresentou forte volatilidade, negociada entre R$ 5,4691 e R$ 5,5157 durante a sessão. Apesar de testar o patamar de R$ 5,51, o dólar perdeu força ao longo do dia e encerrou as negociações abaixo da máxima.
A pressão sobre os ativos brasileiros continuou refletindo a falta de definições sobre quem comandará o Ministério da Fazenda e quais medidas serão adotadas pelo governo Lula em seu próximo mandato. Rumores de que o presidente poderia se reunir com o economista André Lara Resende para discutir uma suposta proposta de tabelamento da Selic também geraram apreensão no mercado.
Ibovespa acumula seis quedas com desconfiança sobre política econômica
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Artur Horta, head de análise da GTF Capital, afirmou que o mercado financeiro continua reagindo com desconfiança às perspectivas para a política econômica após a reeleição de Lula.
Segundo o analista, a sequência de quedas da bolsa brasileira não está relacionada apenas às incertezas políticas e fiscais, mas também a fatores técnicos, como a desmontagem de posições assumidas pelos investidores antes das eleições.
Horta explicou que investidores que aplicaram recursos em fundos de ações antes do primeiro turno podem ter solicitado resgates após o resultado eleitoral, obrigando os gestores a vender papéis para atender a esses pedidos.
Esse processo, segundo ele, pode continuar pressionando o Ibovespa nas próximas semanas, mesmo sem a divulgação de novas notícias negativas sobre a economia.
Na avaliação do especialista, os resgates de fundos podem manter a pressão vendedora por mais 15 a 20 dias, período necessário para que parte dessas operações seja concluída.
O analista também destacou que o mercado não tem demonstrado disposição para conceder um benefício da dúvida ao presidente reeleito, diante da ausência de sinalizações consideradas suficientes sobre a trajetória das contas públicas.
Além da escolha do próximo ministro da Fazenda, investidores aguardam definições sobre as medidas fiscais que serão adotadas e sobre futuras indicações de diretores para o Banco Central.
Juros futuros pressionam mercado antes de decisão do Copom
A trajetória dos juros brasileiros também permanece entre os principais fatores de preocupação dos investidores, especialmente diante da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), cuja decisão está prevista para quarta-feira (4).
Horta explicou que o mercado acompanha não apenas a Selic, definida pelo Banco Central, mas também as taxas de juros de longo prazo, que refletem as expectativas dos investidores sobre inflação, risco fiscal e capacidade de pagamento da dívida pública.
Segundo o analista, a elevação dessas taxas indica que os investidores estão exigindo uma remuneração maior para financiar o país, diante das dúvidas sobre a condução da economia.
Esse movimento pode encarecer o crédito, dificultar novos investimentos e pressionar principalmente empresas mais dependentes de financiamento.
Horta ressaltou que a incerteza sobre a política fiscal e as futuras decisões do Banco Central contribui para manter as taxas de juros de longo prazo em níveis elevados.
A expectativa pela decisão do Copom ganhou ainda mais importância após as turbulências registradas no mercado financeiro desde o segundo turno presidencial, quando investidores passaram a revisar suas projeções para a Selic.
Dólar sobe com rumores sobre Selic e incertezas fiscais
Enquanto a bolsa brasileira ampliou a sequência de perdas, o dólar voltou a ganhar força frente ao real, em um movimento de cautela diante das perspectivas para a economia brasileira.
Durante a sessão, a moeda americana chegou a atingir R$ 5,5157, em meio aos rumores de que Lula poderia se reunir com André Lara Resende para discutir uma suposta proposta de tabelamento da Selic. A informação gerou desconforto entre investidores, diante das dúvidas sobre possíveis mudanças na condução da política monetária.
Apesar da pressão durante o pregão, o dólar reduziu parte dos ganhos e encerrou o dia cotado a R$ 5,4872.
No mercado futuro brasileiro, o contrato de dólar para dezembro subia 0,84% às 17h06, negociado a R$ 5,5170.
No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar diante de uma cesta de seis moedas fortes, avançava 0,12%, aos 101,865 pontos.
O euro operava praticamente estável, com alta de 0,01%, a US$ 1,1190, enquanto a libra subia 0,07%, cotada a US$ 1,3415.
A valorização do dólar no Brasil ocorreu em um contexto de maior preocupação com o risco doméstico, após uma semana marcada por perdas expressivas na bolsa e forte alta da moeda americana.
Mercado internacional acompanha tecnologia e eleições nos EUA
No exterior, investidores acompanharam uma tentativa de recuperação de empresas de tecnologia após as quedas registradas na semana anterior, em meio às preocupações com os investimentos elevados em inteligência artificial.
Horta destacou que o mercado americano continua sensível aos resultados corporativos e às dúvidas sobre a capacidade das empresas de tecnologia de justificar seus investimentos.
Segundo o analista, novas divulgações de balanços devem ajudar a definir a direção das bolsas americanas nos próximos pregões.
Outro fator de atenção são as eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, que poderão alterar o equilíbrio de forças no Congresso americano e influenciar as expectativas sobre a condução da política econômica do país.
Horta avaliou que mudanças na composição do Legislativo americano podem ter reflexos sobre os mercados globais e, em menor intensidade, sobre os ativos brasileiros.
ACERCA DEL CORRESPONSAL
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