
Parlamentares aliados do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevaram o tom nesta segunda-feira, 2, e iniciaram uma pressão conjunta contra o mercado financeiro e o Banco Central (BC) por uma redução da taxa básica de juros — hoje em 13,75% ao ano. A ofensiva ocorre às vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para esta semana, e reflete a insatisfação da base governista com a manutenção da Selic em patamar elevado.
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) criticou a mudança nas projeções dos analistas para a taxa básica de juros após o segundo turno das eleições. Antes da vitória de Lula na eleição presidencial deste ano, a aposta era de uma redução de 0,25 ponto porcentual, mas a vitória petista na disputa presidencial tem levado parte do mercado a rever a possibilidade de queda, diante da incerteza fiscal em relação ao novo mandato do petista.
Pressão conjunta contra juros altos
As manifestações mais recentes estão alinhadas com o discurso adotado na última sexta-feira pelo ex-ministro da Casa Civil Rui Costa em entrevista ao Metrópoles, em que afirmou que há muita “especulação” e busca de “ganhos extraordinários” no setor financeiro. A fala de Costa ecoou entre parlamentares governistas, que passaram a cobrar publicamente uma postura mais ativa do Banco Central no sentido de reduzir os juros.
Para o setor produtivo, especialmente pequenas e médias empresas do interior paulista, a Selic elevada encarece o crédito e inibe investimentos. Comerciantes de Araçatuba e região noroeste paulista relatam dificuldade para acessar linhas de financiamento com taxas competitivas, o que impacta diretamente a expansão dos negócios e a geração de empregos formais.
Proposta de redução gradual da Selic
Entre as vozes que defendem uma trajetória de queda está o economista André Lara Resende, um dos pais do Plano Real e ex-presidente do BNDES no governo de Fernando Henrique Cardoso. Ele se aproximou do petista na campanha presidencial de 2022 e propôs reduzir a taxa básica de juros gradualmente ao longo de aproximadamente 12 meses, até atingir cerca de 7,5% ao ano.
Lara Resende também defendeu a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional (CFMN), que definiria metas fiscais e monetárias para um período de quatro a cinco anos à frente. A proposta, no entanto, ainda não foi formalizada pelo governo. “Vários economistas estão se colocando à disposição para dialogar com o presidente, mas não há nada agendado. Não há agenda com o presidente Lula e o economista André Lara Resende”, disse Durigan, porta-voz do Palácio do Planalto.
Impacto no câmbio e nos negócios
Enquanto o debate sobre juros se intensifica, o dólar fechou a semana em alta de 9,04%, a maior desde a crise financeira global, em outubro de 2008. A moeda americana avançou 1,05%, para R$ 5,4443, seu maior valor de fechamento desde dezembro de 2025. Em outubro, a alta foi de 5,20%.
A valorização do dólar pressiona os custos de insumos importados e afeta diretamente o comércio varejista e a indústria da região. Empresários de Birigui, Penápolis e Andradina, por exemplo, já sentem o impacto no preço de produtos eletrônicos, vestuário e componentes para calçados, principal atividade econômica local.
Expectativa para a reunião do Copom
A reunião do Copom desta semana é aguardada com atenção pelo setor produtivo. A manutenção da Selic em 13,75% ao ano, caso confirmada, deve manter o crédito restritivo e dificultar a retomada do consumo. Por outro lado, uma sinalização de corte futuro poderia aliviar as expectativas e estimular investimentos.
Para a Associação Comercial e Empresarial de Araçatuba (ACIA), a redução dos juros é fundamental para destravar o crescimento das micro e pequenas empresas. A entidade tem defendido, junto a outras federações, uma política monetária mais flexível, que permita a retomada do crédito produtivo e a geração de empregos na região noroeste paulista.
Perguntas Frequentes
Por que parlamentares governistas estão criticando a taxa de juros antes da reunião do Copom?
Parlamentares governistas aumentaram as críticas à taxa Selic de 13,75% ao ano, pressionando o Banco Central por uma redução, especialmente após a vitória de Lula, que gerou incerteza fiscal e levou o mercado a rever projeções de queda.
Qual foi a mudança nas projeções dos analistas para a taxa de juros após o segundo turno das eleições?
Antes da vitória de Lula, a aposta era de redução de 0,25 ponto percentual, mas após a vitória petista, parte do mercado passou a rever a possibilidade de queda devido à incerteza fiscal.
O que André Lara Resende propôs em relação à taxa de juros e à política econômica?
Lara Resende propôs reduzir a taxa básica de juros gradualmente ao longo de aproximadamente 12 meses, até atingir cerca de 7,5% ao ano, e defendeu a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional (CFMN) para definir metas fiscais e monetárias de quatro a cinco anos.
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