
O presidente do PL em Minas Gerais, deputado federal Zé Vitor, pediu pacificação e defendeu autocrítica dos dois lados após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para um quarto mandato. O pedido vem em meio a uma onda de boicotes políticos.
Minas Gerais registrou 345 denúncias de assédio eleitoral no ambiente de trabalho entre quarta-feira (28 de outubro) e sexta-feira (30 de outubro), segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

O estado é o 3º colocado do país, atrás de São Paulo, com 1.325 registros, e do Rio de Janeiro, com 354. Em todo o Brasil, foram 4.305 denúncias no período, e a Região Sudeste concentrou 48,5% delas.
Segundo o MTE, o registro de uma denúncia não significa que o assédio esteja comprovado. Os casos estão em análise pela Auditoria–Fiscal do Trabalho, que já faz inspeções.
«Não podemos admitir que trabalhadores sejam ameaçados, constrangidos ou discriminados por sua escolha política», disse o ministro do Trabalho, Luiz Marinho.
Por que Zé Vitor pede autocrítica dos dois lados?
Zé Vitor critica a intolerância praticada tanto pela direita quanto pela esquerda, e diz que o comportamento não é exclusividade de nenhum dos dois campos. Para ele, superar a polarização exige que lideranças dos dois lados reconheçam os próprios excessos.
Do mesmo partido, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) publicou vídeo defendendo o boicote a estabelecimentos ligados à esquerda. Zé Vitor reconheceu a importância do colega para a direita, mas ponderou que nenhuma liderança está imune aos efeitos da polarização.
«Nós não podemos alimentar uma guerra civil», disse Zé Vitor. «Mesmo que ela seja inicialmente ideológica e se fortaleça no mundo virtual, a gente tem um país para tocar para frente.»
O deputado também citou André Janones (Avante-MG), aliado de Lula, como exemplo de que o acirramento do debate não se restringe a um lado.
O que dizem os outros lados da polêmica?
Em vídeo publicado em 29 de outubro, Nikolas Ferreira defendeu o boicote como direito do consumidor. «Agora a gente não quer mais consumir ou fortalecer quem não está alinhado com os nossos princípios», disse.
Já a ex-ministra Simone Tebet classificou os episódios de assédio eleitoral e boicote como graves. «É ridículo, não é só indignação, é vergonha», afirmou.
Tebet questionou o retrocesso: «Em que momento voltamos a achar que estávamos no século retrasado, em que havia compra de voto, em que o patrão determinava o voto?»
O que os números ainda não respondem
A onda de boicotes e denúncias chega um mês depois do 2º turno, e Minas Gerais concentra parte expressiva do fenômeno. Os números são do MTE, não da Justiça Eleitoral.
O pedido de autocrítica partiu de dentro do mesmo partido do deputado que defende publicamente os boicotes, o que dá à fala de Zé Vitor um peso diferente de um apelo externo.
O MTE ainda não informou quantas das 345 denúncias de Minas Gerais avançaram para investigação formal.
Os primeiros dados sobre o fenômeno já mostravam o tamanho do problema: as denúncias de assédio eleitoral no trabalho subiram 75% depois do 2º turno em todo o país.
Zé Vitor já havia pedido o fim da intolerância na semana passada, quando deputados do PT acionaram a PF e a PGR contra as listas de boicote.
Na Justiça, a Meta já foi obrigada a retirar do ar posts de assédio eleitoral em até 24 horas, numa decisão que mostra como o tema já virou disputa judicial.
https://tvsimbrasil.com.br/mg/minas-gerais/eleicoes-2026/noticia/2026/11/02/mg-345-denuncias-assedio-eleitoral-reeleicao-lula
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