
As investigações em torno da fuga do ex-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, revelaram uma trama complexa que envolve, surpreendentemente, a participação de um ex-agente do Mossad, o prestigiado serviço de inteligência de Israel. Informações obtidas durante a apuração indicam que Menachem Booky Halevy, que esteve presente em uma van que cruzou a fronteira entre o Brasil e a Argentina momentos antes da passagem do veículo que supostamente transportava Flávio e sua família, teria um papel relevante nesse esquema. Ambas as vans pertencem à empresa brasileira Dallas Turismo, conhecida pela prestação de serviços de transporte.
Menachem, que é conhecido por ter sido fotografado ao lado de figuras de destaque na política israelense, incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, já havia despendido tempo no Brasil várias vezes no corrente ano, sendo a última entrada registrada em 19 de outubro. Além dele, o advogado Roberto Jorge Alexandre, que já atuou na defesa de Jair Bolsonaro, também era passageiro na van. O motorista do veículo, Neri Luiz Dala Corte, foi contratado para levar os dois homens ao aeroporto de Puerto Iguazú e negou ter visto quaisquer membros da família Bolsonaro durante a viagem.
Após deixar os passageiros no aeroporto, Neri foi abordado pela imprensa argentina. Um repórter de um canal de notícias local relatou uma movimentação atípica no local, com a presença de veículos oficiais e uma escolta policial significativa. Ele observou que uma caminhonete da Polícia de Segurança Aeroportuária, encarregada da segurança nos aeroportos argentinos, liderava a comitiva, seguida por caminhonetes com placas brasileiras e argentinas, incluindo uma com placa diplomática.
Registros de imigração na Argentina revelaram que Flávio Bolsonaro cruzou a fronteira utilizando uma van e apresentou diferentes documentos em três entradas, sendo a única válida a que utilizou seu passaporte italiano. Isso levanta questionamentos sobre as motivações e arranjos que envolveram sua saída do país.
Além disso, o advogado Willer Tomaz, associado a Flávio Bolsonaro, é alvo de investigações no Supremo Tribunal Federal relacionadas a lavagem de dinheiro e transações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Apesar das acusações, Willer negou qualquer ligação criminosa e se afastou de comentários acerca da viagem, que foi supostamente realizada em um jato particular.
Por outro lado, a família de Flávio estaria em um trajeto distinto; sua esposa, Fernanda, e as duas filhas teriam embarcado em um avião de Brasília para Cascavel, um planejamento separado que culminou na combinação de rotas que envolveu a Dallas Travel, complicando ainda mais as circunstâncias que cercam essa fuga chamativa.
ACERCA DEL CORRESPONSAL
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