
247 – A articulação política do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) projeta um cenário de dificuldades no Congresso Nacional a partir de 2027, mas considera possível construir uma maioria parlamentar para garantir a aprovação de propostas do Executivo. A avaliação é de que aproximadamente 200 deputados federais integrarão uma base governista fiel, enquanto outros 100 poderão negociar apoio conforme os assuntos em discussão. As projeções foram divulgadas pela coluna Painel, da Folha de São Paulo, neste sábado (31).
O Palácio do Planalto também estima que encontrará uma oposição consolidada de aproximadamente 200 deputados, o que deverá tornar as negociações com partidos de centro decisivas para a governabilidade.
O grupo de pouco mais de 100 parlamentares considerados “em disputa” será especialmente importante para a formação de maiorias na Câmara. Esses deputados, vinculados principalmente a legendas do centrão, não deverão manter alinhamento automático com o governo nem com a oposição, podendo variar suas posições de acordo com o conteúdo das propostas.
Na avaliação da articulação política, o comportamento desses congressistas estará sujeito a diferentes fatores, como a repercussão das medidas entre os eleitores, as demandas políticas de seus estados e municípios e a destinação de emendas parlamentares.
Com 513 cadeiras na Câmara dos Deputados, o governo precisará de pelo menos 257 votos para aprovar projetos de lei ordinária quando todos os parlamentares participarem da votação. Para propostas de emenda à Constituição (PECs), o desafio será maior: são necessários 308 votos favoráveis em dois turnos de votação.
Nesse cenário, a base estimada de 200 deputados não será suficiente, isoladamente, para assegurar a aprovação das principais iniciativas do Executivo. O governo dependerá, portanto, da capacidade de ampliar alianças e negociar com parlamentares que não integram seu núcleo de apoio permanente.
Senado preocupa mais o governo após avanço da direita
Se a situação na Câmara exigirá negociações constantes, o cenário projetado para o Senado é considerado ainda mais delicado pelo governo Lula. O crescimento dos partidos de direita aumenta as dificuldades para a construção de uma base parlamentar favorável ao Executivo.
Apesar disso, integrantes da articulação política avaliam que existe espaço para estabelecer relações institucionais com senadores de oposição, inclusive com representantes do Partido Liberal (PL), legenda associada ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
A aposta se baseia na trajetória política de determinados parlamentares que, embora estejam vinculados a partidos de direita, possuem histórico de atuação no centro do espectro político. Na avaliação do governo, parte desses políticos aderiu ao PL por razões eleitorais, sem necessariamente assumir posições de oposição sistemática ao Executivo.
Entre os nomes considerados potencialmente mais receptivos ao diálogo estão Efraim Moraes, da Paraíba, Reinaldo Azambuja, de Mato Grosso do Sul, e Domingos Sávio, de Minas Gerais, conforme o levantamento publicado pela Folha.
A avaliação também se estende a integrantes do União Brasil e do Progressistas (PP), partidos que poderão desempenhar papel relevante na definição das maiorias no Senado.
Negociações serão decisivas para a governabilidade
A estratégia projetada pelo governo para a próxima legislatura parte do entendimento de que a divisão entre situação e oposição não será suficiente para determinar o resultado de todas as votações.
Na Câmara, a existência de aproximadamente 100 deputados sem alinhamento permanente abre espaço para que o Executivo forme maiorias em determinadas matérias, mesmo diante de uma oposição numericamente expressiva.
Essa composição também significa que o governo poderá enfrentar derrotas em votações nas quais não conseguir mobilizar apoio além de sua base mais fiel. A influência de interesses regionais, pressões da opinião pública e negociações orçamentárias tende a ganhar importância na definição dos posicionamentos parlamentares.
No Senado, a possibilidade de aproximação com integrantes de partidos adversários representa uma tentativa de reduzir os efeitos do fortalecimento da direita. O objetivo será estabelecer canais de negociação capazes de viabilizar a tramitação de projetos e outras matérias que dependam da aprovação dos senadores.
https://www.brasil247.com/poder/governo-lula-calcula-ter-200-deputados-fieis-e-busca-apoio-de-outros-100-a-partir-de-2027/
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