
247 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou neste sábado (31) uma imagem que apresenta a Groenlândia como uma gigantesca base aérea militar norte-americana. A representação mostra a maior ilha do planeta transformada em uma espécie de porta-aviões, com instalações militares e uma grande bandeira dos Estados Unidos, em mais uma manifestação do interesse do republicano pelo controle do território.
A publicação foi feita na Truth Social, rede social de Trump, sem qualquer legenda explicativa. A imagem contém apenas a inscrição “Bem-vindos à Groenlândia”, em inglês, e reforça a associação entre a ilha e os interesses militares de Washington.
A postagem ocorre em meio às iniciativas do governo norte-americano para ampliar sua presença estratégica no Ártico. Embora Trump tenha defendido reiteradamente a incorporação da Groenlândia aos Estados Unidos, o território permanece sob soberania do Reino da Dinamarca, com autonomia política e administrativa.
A representação divulgada pelo presidente não corresponde à situação territorial da ilha. A Groenlândia não foi anexada pelos Estados Unidos, e seu futuro político continua vinculado às decisões de suas instituições e ao direito de autodeterminação da população local.
Interesse militar e econômico no Ártico
A Groenlândia ocupa uma posição geográfica estratégica entre a América do Norte e a Europa, em uma região que ganhou importância crescente nas disputas internacionais por rotas comerciais, recursos naturais e capacidade de defesa.
Com aproximadamente 2,16 milhões de quilômetros quadrados, a ilha é a maior do mundo. Cerca de 80% de sua superfície é coberta por gelo, enquanto a área livre da camada glacial corresponde a aproximadamente 410 mil quilômetros quadrados.
Além de sua localização, o território possui reservas de terras raras e outros minerais considerados essenciais para setores industriais e tecnológicos. Esses recursos despertam o interesse de grandes potências em um contexto de competição pelo acesso a matérias-primas estratégicas.
Outro fator relevante é a possibilidade de expansão das rotas marítimas no Ártico em decorrência do aquecimento global. A redução da cobertura de gelo pode ampliar a circulação comercial na região, embora também represente graves consequências ambientais.
Para o governo Trump, o fortalecimento da presença norte-americana na Groenlândia está relacionado à tentativa de conter a influência militar e econômica da Rússia e da China no extremo norte do planeta.
Trump já ameaçou controlar a Groenlândia pela força
A intenção de incorporar a ilha aos Estados Unidos não é recente. Durante seu primeiro mandato, Trump manifestou publicamente interesse em comprar o território da Dinamarca e comparou a possibilidade a “um grande negócio imobiliário”.
A proposta foi rejeitada pelo governo dinamarquês. Na ocasião, a primeira-ministra Mette Frederiksen classificou a ideia como “absurda” e reiterou que a Groenlândia não estava à venda.
No segundo mandato, Trump intensificou as pressões sobre Copenhague e passou a apresentar o controle da ilha como uma questão de segurança nacional norte-americana.
Entre o final de 2025 e o início de 2026, o presidente ameaçou impor tarifas comerciais elevadas à Dinamarca e a outros aliados europeus, em uma tentativa de obter concessões sobre o território. O republicano também chegou a mencionar a possibilidade de alcançar seus objetivos “por bem ou por mal”, sem descartar o emprego da força militar.
Washington ainda designou Jeff Landry como enviado especial para tratar dos interesses norte-americanos relacionados à Groenlândia, ampliando a pressão diplomática sobre as autoridades locais e dinamarquesas.
As iniciativas enfrentaram resistência tanto do governo da Dinamarca quanto das instituições groenlandesas. A possibilidade de uma ação unilateral também provocou preocupações entre integrantes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), aliança militar da qual Estados Unidos e Dinamarca fazem parte.
Acordo prevê ampliação da presença militar dos EUA
De acordo com as informações publicadas pelo Metrópoles, as negociações resultaram no chamado Acordo de Segurança do Ártico, assinado em 22 de setembro, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU).
O entendimento descrito pela reportagem preserva formalmente a soberania dinamarquesa sobre a Groenlândia e reconhece o direito de autodeterminação de seus habitantes, sem estabelecer a anexação do território pelos Estados Unidos.
Apesar disso, o acordo prevê uma ampliação significativa da presença militar norte-americana na região.
Entre as disposições mencionadas estão a possibilidade de reativação e construção de duas instalações militares estratégicas, além da modernização e expansão da base espacial de Pituffik, atualmente utilizada pelos Estados Unidos.
O texto também estabelece direitos ampliados para operações de aeronaves e embarcações norte-americanas no espaço aéreo e nas águas da Groenlândia.
Outro ponto apresentado é a proibição de bases militares permanentes de países que não integrem a Otan, medida que busca limitar a presença de potências rivais na região.
Na área econômica, o entendimento prevê restrições à participação de investidores de países externos à Otan ou à União Europeia em setores considerados sensíveis, como portos e aeroportos.
Segundo a reportagem, o acordo ainda contempla compromissos de defesa que seriam mantidos mesmo em um eventual processo de independência da Groenlândia. Trump descreveu o papel assumido pelos Estados Unidos como de “controle permanente” sobre as necessidades estratégicas de defesa da ilha.
As disposições, entretanto, ainda dependeriam de ratificação pelos parlamentos da Dinamarca e da Groenlândia para entrar integralmente em vigor, conforme as informações apresentadas pelo veículo.
Groenlândia mantém autonomia política
Apesar da presença militar norte-americana e das pressões de Washington, a Groenlândia continua sendo um território autônomo integrante do Reino da Dinamarca.
Com aproximadamente 57 mil habitantes, a ilha possui parlamento, primeiro-ministro, governo próprio, bandeira e língua oficial. Suas instituições administram áreas como saúde, educação, cultura e parte das políticas de segurança.
O governo dinamarquês permanece responsável por atribuições relacionadas à defesa e à política externa, além de fornecer transferências financeiras anuais para sustentar parte da economia groenlandesa.

https://www.brasil247.com/mundo/trump-publica-imagem-da-groenlandia-transformada-em-base-militar-dos-eua/
ACERCA DEL CORRESPONSAL
REDACCIóN CENTRAL
Prensa Mercosur es un diario online de iniciativa privada que fue fundado en 2001, donde nuestro principal objetivos es trabajar y apoyar a órganos públicos y privados.
- ★Sporting y La Armonía jugarán un mano a mano para evitar el descenso
- ★Perdió Villa Mitre y quedó eliminado en la reválida del Federal A
- ★Estados Unidos — Lula confirma ida ao G20 nos EUA e à COP31 na Turquia
- ★Mercado revisa inflação após disparada do dólar
- ★Irã classifica forças militares britânicas como terroristas



















