
De BERLIM | A insatisfação da juventude com o governo do chanceler conservador Friedrich Merz ganhou as ruas da Alemanha neste sábado (31). Com protestos convocados em mais de 30 cidades, o movimento “GenZ regelt!”, representando a chamada Geração Z, reúne críticas aos cortes em serviços públicos, ao custo de vida e à ampliação dos gastos militares. Em Berlim, manifestantes se concentraram no Portão de Brandemburgo para cobrar uma política que contemple o futuro da nova geração.
A frase “Fora, Merz” apareceu em cartazes nos atos em Leipzig e Dresden. Em Hamburgo, a palavra de ordem também foi entoada por manifestantes.
Antes do início das manifestações, os organizadores projetavam mais de 170 mil participantes em todo o país, segundo a AFP. O número era uma expectativa de mobilização, e não um balanço de pessoas nas ruas. Berlim, Frankfurt e Colônia estavam entre as cidades incluídas na convocação.
“A situação dos jovens é precária e, mesmo assim, eles continuam sem ser ouvidos”, afirmou Veronika Dinter, porta-voz do movimento, em declaração reproduzida pela AFP.
Em Berlim, críticas aos gastos militares
Na capital alemã, a polícia contabilizou cerca de 4.500 participantes, enquanto a organização estimou o público em 10 mil, conforme atualização da emissora pública BR24 publicada às 15h50, no horário local.
No Portão de Brandemburgo, uma estudante ouvida pelo jornal taz criticou o contraste entre a deterioração de escolas e universidades e o dinheiro destinado às as Forças Armadas alemãs. “Friedrich Merz não é chanceler apenas do seu eleitorado”, afirmou.

Manifestação da Geração Z na capital alemã Berlim (Foto: RALF HIRSCHBERGER / AFP)
Educação, custo de vida e rejeição ao serviço militar obrigatório
O nome “GenZ regelt!” pode ser traduzido como “A geração Z dá conta do recado”. A mobilização reúne demandas por melhores condições de ensino, proteção social e medidas que tornem a vida financeiramente acessível.
Na plataforma nacional divulgada pela iniciativa, as reivindicações estão organizadas em seis eixos:
- Mais recursos para escolas e saúde: investimento em educação, atendimento a pessoas com dependência química e psicoterapia, em lugar de cortes.
- Vida acessível: respostas ao aumento do custo de vida e maior atenção às dificuldades da população.
- Distribuição justa dos encargos: rejeição a políticas de austeridade que penalizem a juventude.
- Não ao serviço militar obrigatório: participação dos jovens nas decisões sobre seu futuro.
- Proteção dos direitos fundamentais: oposição à expansão da vigilância estatal.
- Ação climática efetiva: medidas consistentes para enfrentar a crise do clima.
O aumento dos gastos militares também é alvo das manifestações. Os jovens criticam um novo programa de serviço voluntário destinado a reforçar as Forças Armadas por considerarem que a medida pode abrir caminho para o restabelecimento do serviço militar obrigatório.
A convocação dos protestos provocou uma ampla mobilização policial e levou comerciantes a reforçarem a proteção de fachadas e vitrines. Milhares de agentes foram mobilizados no país, enquanto joalherias e lojas de roupas adotaram medidas preventivas diante do temor de saques.
A própria polícia berlinense, porém, afirmou não ter indícios de mobilização para violência grave ou de saques organizados.
Os organizadores do “GenZ regelt!” rejeitam qualquer forma de violência. Segundo a ZDF, a iniciativa também afirma que grupos extremistas, símbolos contrários à Constituição, racismo e incitação ao ódio não têm lugar nos atos. Em Berlim, a organização anunciou equipes para ajudar na segurança e na redução de tensões.
Mobilização acompanha protestos juvenis em outros países europeus
Os atos alemães se inspiram em movimentos semelhantes em países como França e Itália, onde jovens acusam as elites políticas de ignorar suas preocupações. O custo de vida, as condições de ensino e os cortes orçamentários estão entre os motivos da insatisfação.
Na França, também estavam previstas grandes manifestações neste sábado.
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