
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no sábado (31 de outubro) que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pode ficar nos EUA pelo tempo que quiser. Ele disse não ter planos de encontrá-lo e chamou a eleição vencida por Lula de «uma vergonha».
«Não tenho planos de encontrá-lo, mas acho que ele foi tratado muito mal, muito mal mesmo. Então, ele pode ficar aqui pelo tempo que quiser. Ele é bem-vindo», disse Trump a jornalistas em seu clube em Palm Beach, na Flórida.
O republicano voltou a classificar a eleição presidencial brasileira, vencida por Lula (PT) no 2º turno em 25 de outubro, como uma «vergonha». Ele não apresentou provas de irregularidades no processo eleitoral.
Flávio, a mulher e as duas filhas deixaram o Brasil na terça-feira (27 de outubro), alegando temer decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O senador chegou a Miami na quarta-feira (28 de outubro), sem entregar o passaporte.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, tratou do caso em coletiva durante o G20, em Atlanta. «Não participamos de nenhum dos preparativos que ele fez para sair. Pelo menos o governo dos Estados Unidos não esteve diretamente envolvido em nenhuma das movimentações realizadas», declarou.
Rubio confirmou que Trump autorizou a entrada de Flávio sob «parole», liberdade condicional migratória concedida a quem chega à alfândega americana. Segundo o secretário, o senador já tinha visto válido antes da viagem.
Como o Brasil reage às declarações
O Brasil reage com cautela. O Itamaraty trata a saída de Flávio Bolsonaro como questão estritamente judicial, não diplomática, e evita qualquer resposta formal direta às falas de Trump, segundo fontes ouvidas pela CNN Brasil.
Uma das fontes afirmou que a situação «ganhou uma proporção que se estende muito além da diplomacia» e defendeu evitar precipitações. Qualquer manifestação oficial será decidida em alto nível, pelo Planalto, com o Itamaraty seguindo a orientação da Presidência.
O mesmo governo nota uma contradição. Trump elogiou o sistema eleitoral brasileiro no 1º turno, quando Flávio liderava as pesquisas, e só endureceu o tom contra o processo depois da derrota do senador para Lula no 2º turno.
O episódio já rendeu desdobramentos. O Itamaraty promoveu a convocação de uma diplomata argentina por suspeita de apoio à fuga.
Nos EUA, democratas também já cobraram explicações de Rubio no Congresso.
O que acontece agora
O próximo capítulo corre no Conselho de Ética do Senado, que recebeu uma denúncia por quebra de decoro contra Flávio Bolsonaro pela fuga, com pedido de cassação do mandato, ainda sem data de julgamento.
Da Flórida, o próprio senador já negou que tenha fugido do país e defendeu a realização de uma nova eleição antes de 2030. Ele não deu prazo para retornar ao Brasil.
https://tvsimbrasil.com.br/brasil/politica/noticia/2026/11/01/trump-diz-flavio-pode-ficar-eua-tempo-que-quiser
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