
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no sábado (31) que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) poderá permanecer em território americano pelo tempo que desejar. A declaração ocorreu durante uma conversa com jornalistas em Mar-a-Lago, na Flórida, poucos dias depois da chegada do parlamentar brasileiro ao país.
Flávio viajou aos Estados Unidos após ser derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
Apesar de demonstrar apoio ao senador, Trump declarou que não possui planos de se encontrar com ele.
A manifestação acrescenta um novo capítulo às tensões políticas e diplomáticas envolvendo Brasília e Washington.
Trump critica resultado da eleição brasileira
Durante uma festa de Halloween em sua propriedade na Flórida, Trump foi questionado sobre a presença de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos.
O presidente americano respondeu que considera injusta a maneira como o senador foi tratado e afirmou que ele poderá continuar no país.
Trump também voltou a questionar a eleição presidencial brasileira, classificando o resultado como uma vergonha.
A declaração representa uma avaliação política do republicano.
Observadores internacionais consideraram a eleição brasileira livre e justa, e não foram apresentadas evidências que sustentem alegações de fraude capazes de invalidar o resultado.
Presidente americano descarta encontro com Flávio
Apesar da demonstração pública de apoio, Trump afirmou que não há uma reunião programada com o senador brasileiro.
A resposta chama a atenção porque Flávio mantém proximidade política com integrantes do movimento conservador americano.
O senador também possui relações com interlocutores ligados à administração republicana.
A ausência de um encontro previsto indica que o apoio verbal não foi acompanhado, até o momento, do anúncio de uma agenda política conjunta.
Não há confirmação de que o governo americano pretenda apoiar uma nova candidatura de Flávio Bolsonaro.
Senador chegou a Miami após derrota eleitoral
Flávio Bolsonaro desembarcou em Miami na quarta-feira (28), depois de deixar o Brasil em meio a restrições judiciais relacionadas à entrega de seu passaporte.
A saída ocorreu após o senador perder a disputa presidencial para Lula, no domingo (25).
O parlamentar é alvo de investigações no Brasil e enfrenta questionamentos sobre as circunstâncias de sua viagem.
Autoridades brasileiras haviam determinado medidas relacionadas aos documentos de viagem do senador diante de preocupações com o risco de saída do país.
Flávio, por sua vez, afirma ser vítima de perseguição política.
As investigações e medidas judiciais devem ser tratadas separadamente das alegações feitas pelo parlamentar sobre sua situação.
Permanência depende das regras migratórias americanas
A declaração de Trump não significa, por si só, que Flávio Bolsonaro tenha recebido residência permanente nos Estados Unidos.
O senador e seus familiares obtiveram autorização condicional de entrada e permanência no país.
Esse tipo de autorização está sujeito às regras migratórias americanas e pode envolver prazos, condições específicas e avaliações administrativas.
Por isso, a possibilidade de permanecer por tempo indeterminado dependerá da situação jurídica reconhecida pelas autoridades competentes.
A manifestação do presidente americano demonstra disposição política para acolher o senador, mas não substitui os procedimentos legais aplicáveis.
Marco Rubio nega ajuda direta na viagem
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, também comentou o episódio no sábado.
Rubio afirmou que o governo americano não participou diretamente da organização da saída de Flávio Bolsonaro do Brasil.
Segundo ele, o senador já possuía visto e a decisão de permitir sua entrada foi tomada pelo presidente americano.
A declaração ocorreu após informações sobre a possível participação de interlocutores ligados à Casa Branca nos preparativos da viagem.
A negativa do secretário de Estado se refere ao envolvimento direto do governo americano na operação.
Ela não esclarece, por si só, todas as conversas eventualmente mantidas por pessoas próximas aos envolvidos.
Relação entre Brasil e Estados Unidos enfrenta tensão
A situação de Flávio Bolsonaro ocorre em um momento delicado das relações diplomáticas entre os dois países.
A reeleição de Lula contrariou as preferências políticas manifestadas por Trump durante a campanha brasileira.
Ao mesmo tempo, Washington e Brasília mantêm interesses comuns em comércio, investimentos e segurança internacional.
No sábado, Marco Rubio conversou com o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
O contato indica que os canais diplomáticos continuam funcionando apesar das divergências políticas.
A expectativa é de que novas conversas ocorram nas próximas semanas.
Declaração pode ampliar repercussão política
A disposição de Trump de permitir que Flávio permaneça nos Estados Unidos deverá continuar repercutindo entre aliados e adversários políticos do senador.
No Brasil, a discussão envolve as condições da saída do parlamentar e as consequências das medidas judiciais em andamento.
Nos Estados Unidos, o episódio se soma ao debate sobre a atuação internacional do governo republicano.
Por enquanto, Trump ofereceu apoio verbal ao senador, mas não anunciou uma reunião nem apresentou detalhes sobre eventuais iniciativas futuras.
Da IstoÉ
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