
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirmou no domingo (1º de novembro) que teve uma «boa conversa» com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o futuro do comércio entre os dois países. As equipes vão negociar um acordo.
«Isso dá continuidade às nossas recentes discussões construtivas sobre as linhas gerais de um acordo comercial mutuamente benéfico que criaria empregos para nossos trabalhadores», escreveu Carney, em rede social.
A conversa acontece depois de meses de guerra tarifária. Em agosto, as negociações fracassaram e Trump impôs novas tarifas sobre US$ 20 bilhões em produtos canadenses, com o Canadá retaliando em valor semelhante.
O americano chegou a ameaçar taxas de até 50% sobre alguns itens. Em 23 de outubro, Trump reduziu parte das tarifas ao Canadá, mas o tarifaço ao Brasil continuou.
O mecanismo usado contra o Canadá é o mesmo que atinge o Brasil. A maior parte dessas tarifas foi imposta por ordem executiva, poder que pertence ao presidente americano e dispensa aprovação do Congresso.
O Washington Brazil Office, organização que acompanha a relação bilateral, já havia descrito esse mesmo padrão para explicar por que as tarifas contra o Brasil resistem a pressões políticas em Washington.
O tarifaço já derrubou em 9,7% as exportações do Brasil aos Estados Unidos desde que entrou em vigor.
«O atual Congresso tem sido muito omisso e deixado muito Trump fazer aquilo que ele quer», diz o professor de relações internacionais Carlos Gustavo Poggio, especialista em política americana.
As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, na terça-feira (3 de novembro), também pesam no caso canadense. A disputa tarifária virou tema de campanha em estados de fronteira como Michigan e Maine.
A comparação entre os dois países já tinha sido traçada em agosto, quando o Brasil vivia o que o Canadá só começava a sentir com as tarifas americanas.
O ponto em aberto
O Canadá chegou à mesa de negociação depois de retaliar com tarifas equivalentes e resistir a meses de pressão. O Brasil, até aqui, não teve o mesmo recuo de Trump.
Resta saber se o modelo canadense, de negociação direta sem concessão imediata, também abre caminho para um recuo nas tarifas que afetam o produto brasileiro.
https://tvsimbrasil.com.br/brasil/politica/noticia/2026/11/01/acordo-trump-canada-sinaliza-tarifaco-brasil
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