
O investidor Warren Buffett mantém uma recomendação que contraria a busca por ganhos rápidos no mercado financeiro: aplicar em fundos de índice de baixo custo que acompanham o S&P 500 e manter o investimento por longos períodos. Para ele, essa estratégia é uma alternativa para quem não tem tempo ou conhecimento para escolher ações individualmente.
A orientação não é recente. Buffett repete esse conselho há anos, inclusive quando fala sobre a administração do patrimônio que deixará para sua família. Mesmo com uma trajetória marcada pela seleção de empresas, o empresário considera que a maioria dos investidores terá melhores resultados acompanhando o mercado do que tentando superá-lo.
Warren Buffett defende fundos de índice de baixo custo
Em sua carta de 2013 aos acionistas da Berkshire Hathaway, Buffett explicou como gostaria que parte do patrimônio destinado à sua esposa fosse administrado. A recomendação era aplicar 90% dos recursos em um fundo de índice S&P 500 de custo muito baixo e os outros 10% em títulos públicos de curto prazo.
Na ocasião, ele citou a Vanguard como referência. A escolha chama a atenção porque Buffett poderia contratar gestores especializados, mas preferiu uma estratégia baseada no desempenho das grandes empresas americanas. Em 2016, voltou a defender os fundos de índice em sua carta aos acionistas. Quatro anos depois, durante a assembleia anual da Berkshire Hathaway, reforçou que essa seria a melhor alternativa para a maioria das pessoas.
O investidor também recomenda manter a regularidade das aplicações, sem tentar prever os movimentos do mercado. Na avaliação dele, ninguém consegue saber com precisão o que acontecerá com as ações nos próximos dias ou meses. Por isso, Buffett considera que períodos de queda não devem provocar decisões precipitadas. Ao contrário, podem representar oportunidades para continuar comprando ações.
A aposta de Warren Buffett contra os fundos de hedge
A confiança do empresário nessa estratégia também foi colocada à prova. Em 2007, Buffett apostou US$ 1 milhão (R$ 5,43 milhões) que um fundo de índice S&P 500 superaria uma carteira de fundos de hedge ao longo de dez anos.
O resultado favoreceu o investidor. O fundo da Vanguard registrou retorno anualizado de 7,1%, enquanto os fundos de hedge apresentaram média de 2,2%, segundo dados divulgados pela CNBC.
As taxas cobradas pelos gestores ajudam a explicar a diferença. Para Buffett, os custos reduzem os ganhos acumulados ao longo do tempo. Mesmo pequenas diferenças nas tarifas podem comprometer uma parcela significativa do patrimônio depois de décadas de juros compostos.
Os dados da S&P Dow Jones Indices reforçam essa avaliação. Em 2025, 79% dos fundos americanos de ações de grande capitalização com gestão ativa tiveram desempenho inferior ao S&P 500. No período de 15 anos encerrado em junho de 2026, esse percentual chegou a 90,49%.
ETF da Vanguard ultrapassa US$ 1 trilhão
A preferência por aplicações de baixo custo também aparece no crescimento dos fundos que acompanham o S&P 500. Em 3 de junho de 2026, o ETF Vanguard S&P 500 ultrapassou US$ 1 trilhão em ativos (cerca de R$ 5,43 trilhões), tornando-se o primeiro fundo negociado em Bolsa a alcançar essa marca, segundo a Reuters.
Além disso, o fundo também superou o SPDR S&P 500 ETF Trust, da State Street, que ocupava a posição de maior ETF do mundo. Na última década, o ETF da Vanguard quadruplicou o valor investido, considerando os dividendos reinvestidos. O resultado reforça a importância da paciência e da manutenção dos investimentos ao longo do tempo.
Por que Warren Buffett recomenda uma estratégia simples?
A orientação pode parecer contraditória diante do histórico da própria Berkshire Hathaway. Entre 1965 e 2025, as ações da companhia registraram valorização anualizada de 19,7%, enquanto o S&P 500 apresentou retorno anualizado de 10,5%, considerando os dividendos.
Ainda assim, Buffett reconhece que poucos investidores conseguem reproduzir esse desempenho. Escolher empresas vencedoras exige conhecimento, tempo e disciplina.
Dessa forma, Warren Buffett recomenda evitar operações frequentes, priorizar fundos com taxas reduzidas e manter uma visão de longo prazo. Embora a estratégia não elimine os riscos nem garanta ganhos, ela permite acompanhar o desempenho de centenas de grandes empresas americanas sem depender da escolha individual de ações.
https://timesbrasil.com.br/investimentos/warren-buffett-tem-um-conselho-simples-para-quem-quer-investir-na-bolsa/
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