
Um guarda municipal de Curitiba, de 34 anos, foi denunciado pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) pelos crimes de perseguição (stalking), ameaça, importunação sexual e tentativa de estupro de vulnerável contra adolescentes. O agente, cuja identidade não foi divulgada, está preso preventivamente desde agosto.
A denúncia reúne ao menos seis crimes praticados contra cinco adolescentes entre julho e agosto deste ano.
Segundo as investigações, o guarda percorria regiões de Curitiba em um patinete elétrico e abordava os adolescentes durante seus trajetos entre casa e escola. Ele perguntava a idade e onde moravam e oferecia dinheiro em troca de atos sexuais.
O agente também teria decorado os trajetos cotidianos das vítimas e utilizado essas informações para ameaçá-las, dizendo que sabia onde encontrá-las. Em algumas das abordagens, segundo a denúncia, teria exibido faca e arma de fogo para intimidar os adolescentes e tentar obrigá-los a aceitar suas investidas.
A prisão preventiva ocorreu no curso das investigações, depois que o guarda foi detido após abordar dois adolescentes e atirar contra o padrasto de um deles, que interveio ao presenciar a situação.
Tal supervisor, tal subordinado: violência contra crianças e adolescentes tem tradição nas GMs?
Apesar da gravidade do caso, ele não é fato isolado dentro da Guarda Municipal de Curitiba.
Poucos meses antes, em junho, Marcelo Boza Alves, então supervisor da Guarda Municipal da capital paranaense, foi preso preventivamente e afastado do cargo após ser denunciado por estupro de vulnerável. Segundo a investigação, os abusos teriam ocorrido sistematicamente durante cerca de três anos, quando a vítima tinha entre 7 e 10 anos.
A prática, portanto, não aparece apenas entre agentes da base, mas alcança também aqueles que ocupam posições de direção e servem de referência à própria tropa.
E os casos não se limitam a Curitiba. Em março de 2024, cinco guardas municipais de Maringá foram indiciados por tortura e lesão corporal contra crianças e adolescentes de um abrigo municipal. Conforme noticiado por AND, ao menos 12 crianças e adolescentes foram agredidos, inclusive com uso de spray de pimenta.

Militarização reacionária das GMs amplia aparato contra o povo
Os casos vêm à tona justamente em um momento de avanço da militarização reacionária das Guardas Municipais, impulsionada pela extrema-direita e que conta também com a anuência ou apoio de setores da falsa esquerda oportunista.
Em diferentes municípios, as GMs vêm recebendo armamento, treinamento e atribuições cada vez mais próximas às das polícias, ampliando sua atuação no policiamento ostensivo e na repressão cotidiana às massas.
No Paraná, esse processo já vem sendo denunciado por AND. Em Maringá, por exemplo, avançaram propostas para transformar a Guarda Civil Municipal em “Polícia Municipal”, acompanhadas de iniciativas de armamento e ampliação de suas funções.

A expansão dessas corporações é apresentada pelos governos municipais como resposta aos problemas de “segurança pública”. Na prática, porém, as Guardas Municipais acumulam episódios de violência e repressão contra o povo ao mesmo tempo em que recebem, por parte dos governos estaduais, um crescente incremento em seu aparato bélico e repressivo.
ACERCA DEL CORRESPONSAL
REDACCIóN CENTRAL
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