
A juventude combatente da França levou 480 mil manifestantes às ruas em 13 de outubro, no “Ato 5” da rebelião, segundo a intersindical da juventude. A jornada reuniu manifestações, bloqueios e greve dos trabalhadores da Educação; a União Estudantil (Union étudiante) informou que 90% das faculdades estavam bloqueadas ou fechadas. A Juventude Comunista da França (JC) mantém atuação nas marchas e nos bloqueios secundaristas dos bairros operários, organiza solidariedade aos reprimidos e convoca a continuidade e a escalada da rebelião.
Paris, Lyon, Rennes, Marselha, Nantes, Estrasburgo, Toulouse, Clermont–Ferrand, Poitiers, Lens e Tours tiveram mobilizações. O chamado nacional da União Estudantil indicava locais de manifestação em 30 cidades. Em Tours, a Solidaires contabilizou 3,2 mil participantes.
O balanço dos organizadores supera em 30 mil participantes os 450 mil da jornada de 6 de outubro. No dia seguinte ao Ato 5, em 14 de outubro, estudantes mantiveram ocupações e realizaram novos bloqueios em universidades e liceus, as escolas francesas de ensino médio.
Ocupações e bloqueios continuam em 14 de outubro
Na Universidade Paris 8, em Saint–Denis, a ocupação iniciada em 12 de outubro prosseguiu no dia 14. A Federação Sindical Estudantil (Fédération Syndicale Étudiante, FSE) e o Comitê de Ação de Paris 8 defendem uma universidade aberta, gratuita e acessível a todos. O Comitê, que combate o aumento das taxas de matrícula para estudantes estrangeiros, afirmou: “Um dos principais objetivos da ocupação é o compartilhamento livre do conhecimento”.
Em Nanterre, a FSE divulgou a ocupação do prédio Ricœur da universidade e uma assembleia no local em 14 de outubro. No liceu Joliot–Curie, a organização denunciou a repressão ao bloqueio por policiais, em sua maioria mascarados e sem a identificação obrigatória. Um aluno foi detido no dia 14, mas a ação estudantil levou ao cancelamento das aulas: “A luta deu resultado: as aulas foram canceladas no liceu!”, anunciou a federação.
Em Lyon, estudantes bloquearam o campus Manufacture da Universidade Lyon 3 em continuidade à mobilização secundarista. A Young Struggle qualificou a ação de “histórica” e descreveu o campus como um “bastião da extrema direita”, onde agora passou a tremular a bandeira palestina.
Em Toulouse, A Causa do Povo divulgou imagens de uma nova jornada de luta no liceu Déodat-de-Séverac, em 14 de outubro. “Trabalhadores, secundaristas e universitários se uniram diante da repressão”, informou o periódico.
Os bloqueios sucedem conquistas obtidas nos dias anteriores. Em 12 de outubro, a FSE de Nanterre anunciou que uma concentração estudantil levou ao cancelamento da reunião do conselho universitário que, segundo a organização, votaria a passagem das aulas para o ensino à distância. Em Ville-d’Avray, as aulas do Instituto Universitário de Tecnologia também foram canceladas, apesar da tentativa policial de impedir o bloqueio mediante o confisco dos contêineres utilizados pelos estudantes.
JC e LAI marcham no Ato 5; trabalhadores aderem à jornada
Nas fotografias da marcha de Paris de 13 de outubro, divulgadas pela JC da região parisiense no dia 14, suas bandeiras aparecem junto às da FSE e à faixa da Liga Anti-imperialista Internacional (LAI), com a palavra de ordem “Abaixo o imperialismo e o colonialismo franceses!”. Os registros mostram os manifestantes diante dos Invalides. “Rebelar-se é justo!”, declarou a JC ao noticiar a jornada.
Em Paris, um dos cortejos saiu da Prefeitura em direção a Matignon, sede do primeiro-ministro, em apoio aos secundaristas e contra a repressão. A marcha havia sido aprovada por assembleias estudantis da região parisiense e convocada pela FSE, que relacionou a jornada de 13 de outubro ao exame do orçamento de 2027 na Assembleia Nacional do Estado imperialista francês.
A preparação da marcha reuniu mais de mil pessoas na assembleia interuniversitária de 7 de outubro, na Praça da República. A moção também recebeu o apoio de assembleias da Escola Normal Superior, da Universidade Paris 1 Panthéon–Sorbonne, da Sorbonne, de Paris–Nanterre, Paris–Dauphine e Paris 8, além da FSE e de Solidaires Étudiant·es.
A moção divulgada por A Causa do Povo exige recursos para a educação, o fim da repressão e condições dignas de estudo. Relaciona as reivindicações dos liceus às salas superlotadas, à falta de aquecimento, às restrições nas bibliotecas e restaurantes universitários e à precarização dos estudantes estrangeiros. “Convocamos uma marcha conjunta sobre Matignon”, afirma a resolução.
A mobilização também recebeu uma convocação de greve de seis organizações sindicais da Educação, entre elas a Confederação Geral do Trabalho (CGT). Os sindicatos denunciaram a ausência de respostas concretas às reivindicações dos jovens e exigiram a anulação dos cortes de postos previstos no orçamento de 2027.
A Solidaires registrou que ferroviários, trabalhadores da Educação, servidores e empregados do setor privado também fizeram greve ou participaram das manifestações de 13 de outubro. O sindicato defende aumentos salariais, congelamento dos preços da energia e recursos para os serviços públicos. “A indignação dos secundaristas e dos estudantes também é compartilhada no mundo do trabalho”, afirmou em seu balanço.
Em Rennes, camponeses da Confederação Camponesa (Confédération paysanne) levaram café da manhã aos secundaristas mobilizados no liceu Chateaubriand, em 13 de outubro.
Em Clermont–Ferrand, o bloqueio da Rotonde somou-se aos de Carnot e Gergovia, atingindo três campi universitários. Segundo a FSE local, cerca de cem pessoas participaram dessas ações no dia 13. Na marcha, bandeiras da JC e da FSE acompanharam uma faixa com foice e martelo e a palavra de ordem “Uma só guerra: guerra de classes!”.
O liceu Paul–Éluard voltou a ser um dos pontos da mobilização em 13 de outubro, quando recebeu a visita de Greta Thunberg. A ativista afirmou estar “extremamente orgulhosa dos estudantes franceses” e descreveu a atuação policial como “extremamente violenta”.
Jérôme Rodrigues, uma das figuras dos coletes amarelos, participou da marcha de Paris em 13 de outubro. Os coletes amarelos protagonizaram, em 2018 e 2019, uma revolta contra a alta dos combustíveis e o agravamento das condições de vida. Em declaração à Sud Radio, Rodrigues comparou a violência atual à sofrida por aquele movimento, afirmando que os secundaristas estão passando por algo pior do que sofreram os coletes amarelos.
Secundarista de Lyon: ‘Uma só luta, várias frentes’
O vínculo entre as reivindicações escolares e a luta dos trabalhadores também aparece no comunicado de uma secundarista do liceu Auguste-et-Louis-Lumière, em Lyon, publicado pela JC local em 13 de outubro. A estudante relata cinco anos de obras na parte externa e dois na parte interna do prédio, aulas em salas pré-fabricadas, aquecimento insuficiente e falta de funcionários para acompanhar os alunos.
Sob o título “Uma só luta, várias frentes”, a secundarista afirma que as reivindicações vão além da escola. Declara apoio aos trabalhadores, à luta pela Palestina e à oposição às deportações conduzidas pela polícia de imigração ianque (ICE), às medidas xenófobas e islamofóbicas e à violência policial. “Todas as nossas lutas têm o mesmo objetivo: são reflexo da luta de classes”, afirma.
“A juventude revolucionária está aqui, ela se mobiliza e não tem medo de fazê-lo”, conclui o texto. O liceu Lumière é o mesmo onde um militante da JC foi preso durante um bloqueio em 12 de outubro.
Repressão não interrompe a mobilização
Em 14 de outubro, o advogado de Evan, secundarista de 15 anos que perdeu a mão durante a repressão em Lens em 5 de outubro, apresentou uma queixa por violência intencional com incapacidade permanente. O caso integra as denúncias de ferimentos graves causados pela polícia desde o início da rebelião.
Na marcha de Paris de 13 de outubro, a polícia lançou gás lacrimogêneo nas proximidades de Port–Royal, onde uma manifestante foi atingida na coxa por um fragmento de granada, segundo a cobertura de StreetPress. No fim da tarde, canhões d’água e gás foram empregados contra os manifestantes na Praça Vauban, junto aos Invalides.
Em Lyon, a Young Struggle divulgou fotografias da jornada e afirmou: “A repressão foi mais uma vez brutal, mas a mobilização não diminui”. A organização convocou a continuidade da luta contra a carestia e novos protestos em 17 de outubro.
Em Lyon, a polícia prendeu mais um militante da JC em 12 de outubro, durante o bloqueio do liceu Lumière. Segundo a seção local, cinco pessoas foram abordadas e submetidas a revistas truculentas e intimidações. “Um militante da JC foi levado e posto sob custódia sem explicação”, denunciou a organização, que informou ter participado de ações em vários liceus da região metropolitana naquela manhã.
Em Toulouse, A Causa do Povo denunciou em 12 de outubro que a presidência da Universidade Paul–Sabatier permitiu a entrada da polícia no campus para reprimir alunos do liceu Bellevue e os universitários e funcionários que os apoiavam. Em Grenoble, a Assembleia dos Bairros denunciou a prisão violenta de um jovem de 18 anos do bairro Villeneuve, durante a mobilização do liceu Mounier, e informou que ele foi encaminhado a julgamento imediato em 13 de outubro.
As ameaças de intensificação da repressão também foram denunciadas pela FSE. Em declaração divulgada em 12 de outubro, sua secretária-geral, Claire, relatou que o ministro do Interior, Laurent Nuñez, havia dito à dirigente da CGT, Sophie Binet, que Rennes seria transformada em exemplo de repressão para o restante do movimento. A denúncia integra a entrevista da dirigente estudantil ao programa Democracy Now!.
O balanço da Justiça referente a 8 de outubro registrou 6.877 pessoas submetidas à custódia desde o início da mobilização, 86% delas menores de idade, além de 2.376 processados e 21 presos preventivamente.
Dos bairros operários à ‘tomada da Bastilha’
Em 9 de outubro, a JC da região parisiense participou dos bloqueios dos liceus Le Corbusier e Henri–Wallon, em Aubervilliers, e Paul–Éluard, em Saint–Denis. Os jovens realizaram uma marcha não declarada em Aubervilliers e um ato diante da diretoria departamental de Educação em Bobigny. Uma faixa dizia “O 93 mira o diploma; a BAC mira o 93”, num jogo entre o número de Seine–Saint–Denis, o exame de conclusão do ensino médio (bac) e a Brigada Anticrime (BAC).
Em Clermont–Ferrand, a JC denunciou que os protestos foram atacados com drones, gás lacrimogêneo, disparos de balas de borracha, espancamentos e prisões violentas. Em comunicado publicado em 9 de outubro, afirmou: “As migalhas deixadas pela reitora não calaram a revolta da juventude! Os bloqueios e as manifestações continuarão!”. A organização conclamou os jovens a se organizarem e declarou: “A única solução contra a repressão é a revolução e a organização coletiva!”.
Entre os antecedentes da nova jornada está a ocupação da Praça da Bastilha por uma multidão em 8 de outubro. O local guarda a memória da insurreição popular de 14 de julho de 1789 contra o absolutismo monárquico. Manifestantes ocuparam também a base da Coluna de Julho.
A JC participou da mobilização com suas bandeiras e megafones. Os registros divulgados pela organização mostram cartazes em defesa da educação e bandeiras da FSE e da Palestina. Ao apresentar as fotografias da “tomada da Bastilha”, a JC declarou: “Ato 4, nesta quinta-feira 8, não é o último. Rebelar-se é justo!”.
A polícia atacou a concentração com gás lacrimogêneo e canhão d’água. Os manifestantes foram dispersados no início da noite, e os enfrentamentos prosseguiram. Nos dias seguintes, os bloqueios continuaram nos bairros operários.
Estudantes confrontam o financiamento da guerra
Em Rennes, a FSE informou que o bloqueio alcançou todo o campus de Beaulieu. A ação avançou dos prédios B2A e B28 para as unidades de informática, engenharia e química ao longo da semana. “É a primeira vez que o movimento é tão forte em Beaulieu!”, afirmou a seção em 8 de outubro. A federação denunciou ainda a tentativa da administração de transferir as aulas para o formato remoto para quebrar a mobilização.
No campus de Beaulieu, a Young Struggle de Rennes realizou uma ação contra as parcerias dos laboratórios universitários com a Thales. A organização denunciou o financiamento da pesquisa pela empresa de armamentos e vinculou a defesa da educação à oposição à preparação para a guerra imperialista: “Dinheiro para os liceus e as universidades, não para a Thales nem para o Exército!”. A publicação também anunciou uma greve internacional da juventude contra a guerra para 20 de novembro.
Os bloqueios de Carnot e Gergovia, em Clermont–Ferrand, também antecederam a adesão da Rotonde no dia 13. Ao divulgar fotografias de 7 e 8 de outubro, a FSE destacou que Carnot havia sido bloqueada por vários dias consecutivos, “pela segunda vez na história” da faculdade.
JC organiza solidariedade aos reprimidos
Em 8 de outubro, a JC lançou uma campanha de solidariedade aos presos, feridos e ameaçados de punições disciplinares por causa dos bloqueios. “Você foi preso, ferido ou ameaçado de conselho disciplinar por causa dos bloqueios? Fale conosco!”, conclamou a organização.
Entre os casos que mobilizam a solidariedade está o de uma militante da JC presa em Toulouse em 5 de outubro, nas imediações do liceu Raymond–Naves. O comunicado publicado no dia 7 relata que ela apoiava os secundaristas quando foi derrubada: “Ela foi jogada ao chão e o policial sentou-se sobre ela”. A organização denunciou 54 horas de custódia e afirmou que o Estado francês procura intimidar quem enfrenta a destruição dos serviços públicos e a violência policial contra adolescentes.
O comunicado de apoio à militante de Toulouse recebeu o apoio de organizações estudantis, sindicais e populares, entre elas a FSE de Toulouse, o Socorro Vermelho, a Defesa Coletiva, o Comitê Popular de Ajuda Mútua e Solidariedade do Mirail e a CGT local. A Causa do Povo divulgou o depoimento da militante em vídeo. “Lutar não é crime!”, conclui a declaração de solidariedade.
Em Lyon, a Young Struggle realizou uma atividade para arrecadar recursos em apoio aos secundaristas reprimidos, com refeições, produção de gravuras, materiais políticos e debates.
A seção francesa da LAI divulgou um chamado para multiplicar ações de solidariedade à rebelião, denunciar a repressão e exigir a renúncia do governo Macron.
A solidariedade também ultrapassa as fronteiras francesas. Em publicação de 12 de outubro, A Causa do Povo relatou ações de apoio à rebelião na Itália, Grécia, Alemanha e Irã, incluindo uma concentração diante do consulado francês neste último país.
Na Bélgica, a mobilização secundarista também prossegue. O Ateneu Charles Janssens, em Bruxelas, permaneceu bloqueado durante a semana, e estudantes universitários de Liège e Seraing aderiram ao movimento em 7 de outubro. Os protestos se opõem aos cortes na Educação e receberam apoio dos sindicatos de professores.
JC e FSE convocam novos bloqueios e a jornada de 17 de outubro
Os anúncios do governo não encerraram a luta. Depois da jornada de 8 de outubro, o ministro da Educação, Édouard Geffray, prometeu enviar 3 mil professores substitutos aos estabelecimentos com maior falta de pessoal. O Sindicato Nacional do Ensino Secundário, da Federação Sindical Unitária (SNES-FSU), contestou a execução da medida, denunciando professores enviados para substituir colegas fora de sua própria disciplina.
A JC reitera o chamado para 17 de outubro. “A mobilização continua no 93 depois do Ato 4! Intensifiquemos a mobilização, encontro no dia 17!”, afirmou a seção da região parisiense. Nas fotografias do Ato 5, a organização voltou a convocar a jornada. A Young Struggle de Lyon também chama os jovens a protestar no dia 17 e a prosseguir com a mobilização.
A FSE nacional conclamou a juventude a manter os bloqueios nos dias 15 e 16 de outubro e participar da jornada do dia 17. “Na quinta e na sexta bloqueamos tudo”, declarou em vídeo publicado na noite de 13 de outubro.
Em Clermont–Ferrand, a FSE convocou uma assembleia em Gergovia para 14 de outubro, por iniciativa dos secundaristas e com participação de universitários, professores e funcionários. Outra assembleia aberta foi anunciada para o dia 15, para decidir as ações de 17 de outubro.
Maxime Nicolle, Priscilla Ludosky, Jérôme Rodrigues e Éric Drouet, figuras dos coletes amarelos, também chamaram à união com a juventude na jornada de 17 de outubro contra a carestia. A Solidaires convocou os trabalhadores a participar das manifestações e ampliar a convergência das lutas.
A Global Sumud França declarou apoio às mobilizações secundaristas e convocou a jornada do dia 17. Em Estrasburgo, a Associação dos Trabalhadores Magrebinos na França (ATMF) e o coletivo D’ailleurs Nous Sommes d’Ici – “Aliás, somos daqui” – também anunciaram um ato nessa data, com homenagem às vítimas do massacre de argelinos cometido em Paris em 17 de outubro de 1961.
Ao apresentar a nova geração que se forma na luta, a JC afirmou em vídeo de 10 de outubro: “Deste movimento está nascendo uma geração de revolucionários que vai incendiar o velho mundo e construir o novo sobre suas cinzas!”. E declarou: “Seremos a juventude da Revolução!”.

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