
O governo vassalo da Bolívia, chefiado por Rodrigo Paz, anunciou a implementação de duas novas unidades policiais de elite, apresentadas como especializadas no combate ao “narcoterrorismo” e ao crime transnacional, na faixa de fronteira com o Brasil. Uma ficará em Santa Ana del Yacuma, no departamento amazônico de Beni, e outra atuará no eixo San Ignacio de Velasco–San Matías, em Santa Cruz. A formação das tropas será chefiada principalmente pelo país Estados Unidos (EUA) com instrutores da Colômbia, Argentina e Chile, e aprofunda a flagrante intervenção militar ianque na América Latina.
A implementação foi anunciada em agosto pelo ministro Marco Antonio Oviedo, que definiu as novas tropas como unidades “superespecializadas” e de caráter permanente. Para integrá-las, os policiais deverão ter concluído o curso do Centro de Treinamento Internacional Antinarcóticos Garras del Valor, vinculado ao aparato repressivo do imperialismo ianque em seus manuais contrainsurgentes.
O vínculo do Garras del Valor com o aparato repressivo ianque remonta à sua própria criação. A instituição foi fundada em maio de 1987, em coordenação com a Embaixada do EUA. Dois meses antes, uma missão das Forças Especiais do Exército ianque, procedente de Fort Bragg e Fort Benning, havia chegado à Bolívia para organizar o primeiro curso, denominado Garras de Leopardo. Atualmente, além dos cursos “antinarcóticos”, o centro oferece treinamento em operações táticas na selva, operações aeromóveis, reconhecimento de longo alcance, explosivos e demolições, operações rurais e formação de instrutores táticos de comandos.
O governo reacionário boliviano passou a designar oficialmente essas novas unidades como forças contra o “narcoterrorismo”. Em agosto, Oviedo afirmou que a agência “antidrogas” ianque (DEA) voltou a “prestar assistência” à Bolívia e que o governo lacaio trabalha com a agência em troca de informações e insumos de inteligência. Ao descrever a “cooperação”, citou entre os recursos disponíveis à agência equipamentos de escuta, drones e armas. O ministro também confirmou a participação da Polícia Federal brasileira, além de organismos e polícias de outros países.

EUA retoma aparato ‘antidrogas’ na Bolívia
A criação das tropas ocorre em meio à rápida retomada da presença oficial ianque no aparato policial boliviano. Em 16 de junho, os governos de Bolívia e EUA firmaram um acordo que prevê até 20 milhões de dólares em treinamento, equipamentos e cooperação técnica para órgãos de segurança e investigação criminal bolivianos.
Em julho, uma delegação da Oficina de Assuntos Internacionais de Narcóticos e Aplicação da Lei (INL, na sigla em inglês, braço “antidrogas” do Departamento de Estado ianque) visitou La Paz para detalhar a “cooperação”. A agência de notícias Fides registrou que a viagem marcou o retorno formal da INL à Bolívia depois de mais de uma década, após o encerramento da antiga seção “antidrogas” em 2013. No mês seguinte, o Ministério de Governo confirmou também a participação da DEA.
A nova estrutura alcança diretamente a fronteira brasileira. Em 13 de agosto, Rodrigo Paz lançou em Guayaramerín, na fronteira com Rondônia, diante de “autoridades” bolivianas e brasileiras, o plano binacional Fronteras Seguras. O projeto estabelece presença policial permanente, operações coordenadas entre a Polícia Boliviana e a Polícia Federal brasileira, troca contínua de informações de inteligência e até mesmo a instalação recíproca de escritórios nos dois lados da fronteira.
Entre os pontos iniciais da operação estão, além de Guayaramerín, Cobija, San Matías e Puerto Suárez, respectivamente na fronteira com os estados do Acre, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O governo boliviano alega que as operações se voltarão particularmente contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) “e outras organizações vinculadas ao tráfico de drogas”. Oviedo anunciou que o plano será posteriormente estendido às fronteiras com Argentina e Paraguai.

A escalada regional da contrainsurgência: o ‘Escudo das Américas’
O viés “estritamente policial” do acordo Fronteras Seguras é logo desmascarado ao se observar sua vinculação orgânica com a arquitetura repressiva orquestrada em Washington. Em 22 de setembro, Rodrigo Paz compareceu a Nova York para jurar lealdade ao líder ianque Donald Trump, ladeado por mandatários vassalos dos outros países integrantes do “Escudo das Américas”. A cúpula, chancelada publicamente pelo sinistro secretário de Estado ianque Marco Rubio, visou orquestrar a atuação conjunta dos Estados lacaios contra o “narcoterrorismo”, confirmando que a cruzada “antidrogas” funciona como mera fachada ideológica conveniente para a instauração indiscriminada de polícias políticas integradas, com vistas a garantir a máxima dominação imperialista sobre todo o subcontinente latino-americano.
Ainda, entre os dias 7 e 18 de setembro, um contingente de 400 militares do EUA, contando com estrita submissão das Forças Armadas lacaias de Argentina, Chile e Peru, executou exercícios táticos de adestramento militar na Amazônia peruana, na região centro-norte de San Martín. A operação conjunta, ironicamente batizada de Southern Vanguard (“Vanguarda do Sul”) 2026, focou todo o seu esforço no aprimoramento das táticas de sobrevivência extrema e no combate na mata densa. O evento marcou de forma inédita o preparo de tropas estrangeiras para potenciais combates armados de longa duração no bioma amazônico.

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