
A XP (XPBR31) pode receber um novo «empurrãozinho» na bolsa caso o cenário macroeconômico decida ajudar. Para o UBS BB, a ação é uma das mais beneficiadas caso a queda dos juros no Brasil se consolide como uma tendência.
Essa possibilidade levou os analistas a elevarem o preço-alvo da ação de US$ 25 para US$ 37, mantendo a recomendação de compra. O novo alvo representa um potencial de valorização de 25% em relação ao último fechamento.
Para o banco, a queda dos juros pode acionar uma espécie de efeito dominó sobre o negócio.
Nesse cenário, os analistas preveem mais recursos entrando na plataforma, uma migração para investimentos de maior risco e maior geração de receita, além de ganhos de eficiência à medida que as receitas crescem mais rápido que as despesas.
Os pilares da tese da XP
O primeiro pilar cadeia está no dinheiro novo. Segundo o UBS BB, o net new money — os recursos líquidos que entram na plataforma — chegou a R$ 103 bilhões nos últimos 12 meses, uma média de R$ 26 bilhões por trimestre.
Para os analistas, a queda dos juros pode reduzir a “inércia” dos investidores que hoje encontram retornos elevados em aplicações de baixo risco e estimular uma migração para outros produtos.
Uma eventual mudança de mix dos investimentos também pode ajudar a XP nos próximos meses.
Hoje, ações representam cerca de 25% dos ativos sob custódia da XP. Como esse tipo de ativo tem um take rate — a receita obtida pela plataforma sobre os recursos dos clientes — de aproximadamente 1,4%, acima dos 0,8% do varejo como um todo, uma migração para produtos de maior risco poderia elevar a receita mesmo sem uma expansão proporcional dos recursos administrados.
Pelas contas do UBS BB, cada 10 pontos-base de aumento no take rate acrescentaria cerca de R$ 1,3 bilhão às receitas.
A aposta do UBS BB é que, se esse ambiente se consolidar, a XP pode capturar uma parcela maior do dinheiro que hoje fica estacionado em aplicações de baixo risco.
Com a plataforma crescendo mais rápido, o UBS BB também vê espaço para alavancagem operacional: as receitas poderiam avançar em ritmo superior ao das despesas, melhorando a relação entre custos e receitas.
É uma mudança relevante porque, na visão dos analistas, a XP tem uma exposição maior a investimentos de maior risco do que os bancos tradicionais. Em um cenário de juros mais baixos, portanto, a mudança no comportamento dos investidores pode beneficiar não apenas o volume de recursos na plataforma, mas também a rentabilidade desses recursos para a companhia.
A XP também pode encontrar um ambiente mais favorável na operação institucional. Juros menores tendem a estimular a atividade no mercado de capitais, incluindo emissões de dívida e ações, além de negócios de hedge e derivativos.
O que esperar do 3T26 da XP?
No curto prazo, a administração sinalizou ao UBS BB uma perspectiva de receita sólida no terceiro trimestre, com net new money próximo de R$ 20 bilhões.
A XP também espera que o impacto da marcação a mercado seja menor daqui para frente. No primeiro semestre, esse efeito reduziu os resultados em aproximadamente R$ 420 milhões, mas a companhia vem diminuindo o volume de títulos mantidos no balanço.
O trimestre ainda teve mais dias úteis, o que tende a favorecer a entrada de recursos e a geração de receita. Por outro lado, as despesas devem crescer, principalmente por gastos de marketing relacionados ao evento anual da companhia, a XP Expert.
ACERCA DEL CORRESPONSAL
JOSé CARLOS FERREIRA
José Carlos Ferreira es corresponsal de Prensa Mercosur en Río de Janeiro, Brasil, con posibilidad de desarrollar su labor periodística en todo el territorio brasileño. Cuenta con experiencia profesional en comunicación y medios, vinculada a WBP Brasil y Rede Globo de Televisão, y posee especial interés en política, noticias regionales, reportajes y entrevistas. Su incorporación fortalece la presencia de Prensa Mercosur en Brasil, aportando experiencia, contenidos y una mirada cercana a la realidad brasileña para informar y conectar al país con la agenda del Mercosur.
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