A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) encaminhou aos seus membros um novo comunicado de forte conteúdo político no qual manifesta preocupação com o avanço da extrema direita no Congresso Nacional e afirma que a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva se tornou, na avaliação da entidade, ainda mais necessária para preservar o Estado Democrático de Direito. O documento é assinado pelo presidente da ABI, Octávio Costa, e pela vice-presidente, Regina Pimenta, e tem data de 5 de outubro de 2026. ABI
No comunicado, a entidade afirma que os resultados eleitorais e a formação de uma bancada de extrema direita no Senado e na Câmara Federal representam uma ameaça às instituições democráticas. A ABI sustenta que parte desses parlamentares demonstra, segundo sua avaliação, falta de compromisso com a democracia, as liberdades políticas, a liberdade de expressão e de imprensa, os direitos humanos, os direitos das minorias e a soberania nacional.
A manifestação ganha peso adicional porque a ABI não apresenta a defesa de Lula apenas como uma preferência eleitoral. O texto afirma expressamente que a posição não seria uma questão partidária nem uma escolha motivada pela pessoa do presidente, mas uma decisão que a entidade considera relacionada à preservação do regime democrático. Para a associação, a disputa eleitoral passou a representar uma escolha sobre os rumos institucionais do país.
ABI faz comparação histórica com a ascensão do nazismo
Um dos trechos mais contundentes do documento é a comparação feita pela entidade entre o cenário brasileiro e acontecimentos históricos da Alemanha de 1933. A ABI afirma que não pode deixar de associar os resultados eleitorais brasileiros à ascensão do nazismo ao poder pela via eleitoral. O comunicado também menciona a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos como exemplo recente que, segundo a entidade, representaria uma ameaça à democracia.
A referência histórica coloca o comunicado em um patamar diferente de uma manifestação eleitoral convencional. A associação procura apresentar sua posição como parte de uma preocupação mais ampla com o avanço de forças políticas que, em sua avaliação, podem utilizar mecanismos democráticos para posteriormente enfraquecer as próprias instituições democráticas.
A ABI já havia declarado apoio à reeleição de Lula em setembro, sustentando naquela ocasião que a decisão era coerente com os princípios históricos da entidade, entre eles a defesa do Estado Democrático de Direito, das liberdades de expressão e de imprensa, dos direitos humanos e da soberania nacional. O novo documento de outubro representa, portanto, uma renovação e um endurecimento da posição diante do novo cenário político descrito pela associação.
Supremo Tribunal Federal entra no centro da preocupação
Outro ponto central do comunicado é o Supremo Tribunal Federal. A ABI afirma que o controle do Congresso pela extrema direita seria particularmente preocupante porque, segundo a entidade, setores dessa bancada anunciam uma intervenção no STF para submetê-lo a seus “desígnios autoritários”. Para a associação, esse cenário tornaria ainda mais importante a reeleição de Lula.
A preocupação com a independência das instituições judiciais também está diretamente relacionada à história recente da ABI. A entidade se apresenta institucionalmente como defensora da democracia, dos direitos humanos e da liberdade de informação e expressão. Seu estatuto estabelece essas questões como parte central de sua finalidade.
Fundada em 7 de abril de 1908 pelo jornalista Gustavo de Lacerda, a ABI tem mais de um século de atuação na vida pública brasileira. A própria entidade registra que, ao longo de sua história, participou de momentos decisivos da defesa das liberdades democráticas e da imprensa, inclusive durante o Estado Novo e a ditadura militar.
Uma entidade com tradição de intervenção no debate democrático
A posição atual não surge isoladamente. A ABI afirma que sua trajetória passou da defesa dos interesses profissionais dos jornalistas para uma atuação mais ampla em defesa da democracia, do Estado de Direito e da liberdade de imprensa. A entidade também lembra episódios históricos de resistência a regimes autoritários e de defesa de jornalistas perseguidos.
Durante a ditadura militar, a sede da organização chegou a ser alvo de um atentado que destruiu todo o sétimo andar do edifício, onde funcionavam setores administrativos e políticos da entidade. A ABI também registra sua participação na defesa de jornalistas presos, perseguidos ou exilados e sua atuação em momentos relacionados à luta pela redemocratização brasileira.
Essa trajetória ajuda a compreender por que a atual direção apresenta o apoio a Lula como uma posição vinculada à defesa das instituições, e não simplesmente como uma manifestação partidária.
“Um ato de resistência democrática”
Ao concluir o documento, a ABI afirma que a sociedade brasileira precisa impedir aquilo que descreve como uma “tomada total do poder pela extrema-direita” e resistir às tentativas de impor uma ditadura ao país. Por isso, define o apoio à reeleição de Lula como “um ato de resistência democrática”.
A declaração coloca uma das mais tradicionais entidades brasileiras ligadas ao jornalismo novamente no centro do debate eleitoral. Ao mesmo tempo em que reafirma seu compromisso histórico com a liberdade de imprensa, a ABI assume de maneira explícita uma posição sobre a disputa presidencial, justificando-a pela necessidade, segundo sua avaliação, de preservar a democracia brasileira.
O comunicado é assinado no Rio de Janeiro em 5 de outubro de 2026 por Octávio Costa, presidente da ABI, e Regina Pimenta, vice-presidente. A direção da entidade atualmente é liderada por Costa, que ocupa a presidência desde 2022; a atual gestão foi reeleita em abril de 2025 para o mandato 2025-2028.
A manifestação marca, assim, mais um capítulo da longa atuação política e institucional da ABI. Com linguagem excepcionalmente contundente, a entidade transforma sua preocupação com o avanço da extrema direita em uma defesa direta da continuidade do governo Lula, apresentando a próxima eleição presidencial não apenas como uma disputa entre candidatos, mas, em sua própria interpretação, como uma decisão sobre a preservação da democracia, das liberdades e das instituições brasileiras.
Foto: Associação Brasileira de Imprensa (ABI)
ACERCA DEL CORRESPONSAL
GILSON DANTAS CARMINI
Gilson Dantas Carmini es periodista brasileño, originario de Goiás, presidente y editor en jefe de Prensa Mercosur y Director General de Radio Mercosur. Es miembro de la Asociación Brasileña de Prensa (ABI) y desarrolla su trayectoria en el periodismo internacional, el Mercosur, la integración regional, la geopolítica y los derechos humanos. Cuenta con un Máster en Desarrollo y Cooperación Internacional y un Doctorado Honoris Causa.
También fue Director General del Comité Paraguay de la Cámara de Industria y Comercio del Mercosur y las Américas. Entre sus reconocimientos destacan el Micrófono de Oro de la Asociación Nacional de Locutores de México, recibido en 2021, y el reconocimiento como Amigo de la Niñez y la Adolescencia otorgado por Plan International Paraguay.
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