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A histรณria do Sangue Novo comeรงa antes mesmo da criaรงรฃo do Sangue Bom. O prรชmio dedicado aos estudantes foi criado em 1995 e, ao longo das dรฉcadas, tornou-se uma das principais vitrines para a produรงรฃo acadรชmica de Jornalismo no Paranรก. Sua proposta sempre esteve ligada ร aproximaรงรฃo entre a universidade e o mercado profissional: reconhecer trabalhos produzidos durante a formaรงรฃo e, ao mesmo tempo, mostrar que a qualidade jornalรญstica comeรงa a ser construรญda ainda dentro das instituiรงรตes de ensino.
Essa caracterรญstica explica a longevidade do projeto. Em 2019, quando foi realizada a 23ยช ediรงรฃo, mais de 360 trabalhos foram avaliados e 69 vencedores foram reconhecidos em diferentes categorias. Naquele ano, participaram estudantes de diversas instituiรงรตes paranaenses, entre elas UFPR, UEL, Uninter, Unibrasil, Universidade Positivo, PUCPR, UEPG, Unicentro e FAG.
O resultado daquela ediรงรฃo mostrou tambรฉm a dimensรฃo estadual do prรชmio. A Unibrasil teve 13 trabalhos vencedores; UFPR, UEL e Uninter alcanรงaram dez premiaรงรตes cada; Universidade Positivo teve sete; PUCPR, seis; UEPG, cinco; enquanto Unicentro e FAG tambรฉm apareceram entre as instituiรงรตes premiadas. Nรฃo se tratava, portanto, de uma disputa restrita ร capital: o Sangue Novo funcionava como um retrato da diversidade da formaรงรฃo jornalรญstica paranaense.
Um dos elementos que mais chamaram atenรงรฃo na 23ยช ediรงรฃo foi justamente a participaรงรฃo de estudantes que enxergavam o prรชmio nรฃo apenas como uma competiรงรฃo, mas como uma oportunidade de conhecer o que estava sendo produzido por outras universidades. O estudante Bruno Guilherme Nomura, da UEL, que participou mais de uma vez, destacou que a premiaรงรฃo servia como incentivo para melhorar a produรงรฃo e tambรฉm como espaรงo de confraternizaรงรฃo entre estudantes.
A trajetรณria do Sangue Novo ganhou uma dimensรฃo ainda maior em 2018, durante a 22ยช ediรงรฃo. Naquele ano, foram registrados 626 trabalhos inscritos, nรบmero que demonstrava a capacidade de mobilizaรงรฃo alcanรงada pelo prรชmio. Mais de 300 pessoas participaram da cerimรดnia, enquanto os 17 cursos de Jornalismo existentes no Paranรก enviaram pelo menos um trabalho para a competiรงรฃo.
Esse dado รฉ especialmente importante para compreender o papel institucional do prรชmio. Ao conseguir reunir praticamente todo o sistema universitรกrio de Jornalismo do Estado, o Sangue Novo deixou de ser apenas uma premiaรงรฃo e passou a funcionar como uma espรฉcie de encontro anual da formaรงรฃo jornalรญstica paranaense.
O prรชmio tambรฉm atravessou as transformaรงรตes tecnolรณgicas do jornalismo. Ao longo das ediรงรตes, categorias relacionadas a jornal impresso, rรกdio e televisรฃo passaram a conviver com produรงรฃo digital, projetos para internet, fotografia, documentรกrios, pesquisa, produtos multimรญdia e novas formas de narrativa. A prรณpria evoluรงรฃo das categorias revela como o jornalismo universitรกrio acompanhou a transformaรงรฃo dos meios de comunicaรงรฃo.
Em uma das ediรงรตes histรณricas, registrada pelo SindijorPR em 2006, jรก apareciam trabalhos em รกreas como reportagem para televisรฃo, projeto em telejornalismo, projeto em radiojornalismo, projeto jornalรญstico para internet, documentรกrio, fotojornalismo, monografia, livro-reportagem, jornal laboratรณrio on-line, radiojornal laboratรณrio e telejornal laboratรณrio. A diversidade demonstra que o prรชmio acompanhou a ampliaรงรฃo do conceito de produรงรฃo jornalรญstica.
O Sangue Bom nasceu dez anos depois do Sangue Novo. Criado em 2005 pelo SindijorPR, durante as comemoraรงรตes dos 60 anos da entidade, o prรชmio foi concebido para reconhecer jornalistas profissionais que atuavam no mercado paranaense. Seu objetivo era estimular, divulgar e valorizar trabalhos jornalรญsticos produzidos em diferentes segmentos da comunicaรงรฃo.
A primeira ediรงรฃo, realizada em 2005, recebeu 78 trabalhos distribuรญdos em oito categorias. A avaliaรงรฃo ficou sob responsabilidade de profissionais de outros Estados, estratรฉgia criada para conferir maior independรชncia ao julgamento.
A primeira ediรงรฃo jรก revelou a forรงa que o prรชmio poderia alcanรงar. Profissionais da Gazeta do Povo conquistaram cinco primeiros lugares em oito categorias. Guilherme Voitch e รrica Busnardo venceram em Reportagem Impressa; Marcelo Elias ganhou em Fotografia; Lucio Barbeiro e Osvalter Filho foram reconhecidos em Pรกgina Diagramada; Benett Macedo venceu em Ilustraรงรฃo e Charge; e Gisele Rossi, da Gazeta do Povo Online, ficou em primeiro lugar em Reportagem para Internet.
A trajetรณria de รrica Busnardo tornou-se particularmente simbรณlica. Vinte e um anos depois, ela continua sendo lembrada como vencedora da primeira ediรงรฃo. O trabalho premiado foi a reportagem โO fim de um povo paranaenseโ, produzida em parceria com Guilherme Voitch e publicada na Gazeta do Povo, abordando a realidade dos oito รบltimos indรญgenas Xetรกs no Paranรก.
A escolha daquela reportagem demonstra algo importante sobre a filosofia do Sangue Bom: o prรชmio nรฃo se limitava ร tรฉcnica jornalรญstica. O reconhecimento tambรฉm estava ligado ร capacidade de uma reportagem produzir conhecimento, dar visibilidade a grupos pouco ouvidos e registrar acontecimentos relevantes para a sociedade.
Ao longo dos anos seguintes, o Sangue Bom ampliou seu alcance e suas categorias. Em 2008, na preparaรงรฃo para a quarta ediรงรฃo, o concurso jรก contemplava reportagem impressa, rรกdio, televisรฃo, internet, fotografia, artes, pรกgina diagramada e assessoria de imprensa.
Em 2013, a oitava ediรงรฃo continuou fortalecendo a presenรงa do prรชmio na memรณria do jornalismo paranaense. No ano seguinte, o nono Sangue Bom reuniu 75 trabalhos em nove categorias e recebeu profissionais de diferentes segmentos da imprensa: jornal impresso, televisรฃo, rรกdio, web, assessoria de imprensa, imprensa sindical, diagramadores e repรณrteres fotogrรกficos.
A ediรงรฃo de 2014 tambรฉm ajuda a entender a dimensรฃo social do reconhecimento. Entre os premiados estava o repรณrter fotogrรกfico Daniel Castellano, da Gazeta do Povo, reconhecido pela fotografia โSem Famรญlia atรฉ a Maioridadeโ. Outro trabalho premiado, na รกrea de jornalismo investigativo, teve como consequรชncia a expediรงรฃo de mandados de prisรฃo depois de uma reportagem revelar informaรงรตes de interesse pรบblico.
Esse รฉ um dos aspectos que diferenciam o Sangue Bom de uma simples premiaรงรฃo corporativa. Ao reconhecer reportagens investigativas, trabalhos fotogrรกficos, produรงรฃo audiovisual, comunicaรงรฃo sindical e outras formas de jornalismo, o prรชmio ajuda a reafirmar que o jornalismo tem uma funรงรฃo pรบblica que ultrapassa a disputa por audiรชncia.
Em 2016, o Sangue Bom chegou ร sua 10ยช ediรงรฃo. A cerimรดnia integrou as comemoraรงรตes dos 70 anos do SindijorPR e reconheceu trabalhos de profissionais da imprensa paranaense em 11 categorias. Depois daquela ediรงรฃo, porรฉm, o prรชmio entrou em um longo perรญodo de interrupรงรฃo.
O Sangue Novo continuou por mais alguns anos. Em 2019, chegou ร 23ยช ediรงรฃo e marcou uma etapa importante antes da pausa que se prolongaria atรฉ 2026.
Foi justamente essa interrupรงรฃo que tornou a cerimรดnia de 2026 tรฃo significativa. O SindijorPR nรฃo estava simplesmente criando um novo evento: estava recuperando uma tradiรงรฃo interrompida.
O retorno ocorreu em um momento especialmente complexo para o jornalismo. As redaรงรตes passaram por mudanรงas profundas, o modelo econรดmico dos veรญculos de comunicaรงรฃo sofreu transformaรงรตes, a produรงรฃo digital ganhou protagonismo, a inteligรชncia artificial passou a interferir nos processos de produรงรฃo e distribuiรงรฃo de informaรงรฃo e a profissรฃo passou a enfrentar novos desafios relacionados ร desinformaรงรฃo, precarizaรงรฃo e velocidade de publicaรงรฃo.
Nesse cenรกrio, reconhecer trabalhos jornalรญsticos ganha um significado diferente. O prรชmio passa a funcionar tambรฉm como uma declaraรงรฃo institucional de que apuraรงรฃo, tรฉcnica, responsabilidade, criatividade e relevรขncia social continuam sendo valores essenciais, independentemente da plataforma utilizada para publicar a informaรงรฃo.
A ediรงรฃo de 2026 confirma essa visรฃo. O Sangue Bom recebeu 42 trabalhos distribuรญdos em seis categorias, enquanto o Sangue Novo recebeu 147 trabalhos em 12 categorias. Os trabalhos foram avaliados por profissionais convidados, com critรฉrios que consideraram qualidade tรฉcnica, relevรขncia social, criatividade e originalidade.
A metodologia tambรฉm busca preservar a independรชncia do julgamento. No Sangue Bom, os avaliadores sรฃo profissionais de outros Estados. No Sangue Novo, o jรบri รฉ formado por jornalistas de mercado que nรฃo possuem vรญnculo docente com os cursos de Jornalismo do Paranรก.
Esse mecanismo รฉ relevante porque transforma a premiaรงรฃo em uma avaliaรงรฃo feita por profissionais que conhecem as exigรชncias reais da atividade jornalรญstica. No caso dos estudantes, a proposta รฉ aproximar a formaรงรฃo acadรชmica dos padrรตes encontrados no mercado profissional.
O professor de Jornalismo da UFPR Mรกrio Messagi resumiu essa importรขncia ao destacar que o Sangue Novo estรก entre as iniciativas de maior longevidade e sucesso do Brasil voltadas ร formaรงรฃo acadรชmica. Para ele, o prรชmio ajuda a fortalecer a qualidade dos cursos e reafirma a ideia de que o jornalismo tambรฉm se aprende produzindo jornalismo, dentro da universidade, com orientaรงรฃo e acompanhamento.
Jรก no caso do Sangue Bom, a lรณgica รฉ complementar. Quando jornalistas avaliam trabalhos de jornalistas, a prรณpria categoria participa da definiรงรฃo dos parรขmetros de qualidade da profissรฃo. O reconhecimento passa, portanto, a ter uma dimensรฃo coletiva: nรฃo se trata apenas de premiar uma pessoa, mas de estabelecer referรชncias sobre o que significa fazer bom jornalismo.
A retomada de 2026 tambรฉm tem uma dimensรฃo geracional. De um lado estรฃo profissionais que participaram das primeiras ediรงรตes e carregam o reconhecimento como parte de suas trajetรณrias. Do outro estรฃo estudantes que ainda estรฃo entrando na profissรฃo e que podem encontrar no Sangue Novo uma primeira validaรงรฃo pรบblica de seu trabalho.
Essa ponte entre geraรงรตes talvez seja um dos maiores patrimรดnios dos dois prรชmios.
Um estudante que recebe o Sangue Novo hoje pode se tornar, no futuro, um profissional concorrendo ao Sangue Bom. E um jornalista premiado no passado pode retornar como referรชncia, avaliador, professor ou mentor para uma nova geraรงรฃo.
ร nesse ponto que a histรณria dos prรชmios se encontra com a prรณpria histรณria do jornalismo paranaense.
O Sangue Novo nasceu em 1995, quando a internet ainda nรฃo tinha a importรขncia que possui atualmente. Ao longo das dรฉcadas, viu estudantes produzirem jornais laboratoriais impressos, programas de rรกdio, telejornais, documentรกrios e livros-reportagem. Depois acompanhou a chegada dos portais, projetos multimรญdia, novas plataformas digitais e outras formas de narrativa.
O Sangue Bom, criado em 2005, acompanhou uma transformaรงรฃo semelhante no mercado profissional. O jornalismo passou a ser produzido simultaneamente para diferentes plataformas e o profissional passou a lidar com texto, fotografia, vรญdeo, รกudio, redes sociais, dados e ferramentas digitais.
Mesmo com todas essas mudanรงas, existe algo que permaneceu: a necessidade de apurar, verificar, contextualizar e produzir informaรงรฃo de interesse pรบblico.
Por isso, a importรขncia dos prรชmios nรฃo estรก apenas nos trofรฉus entregues aos vencedores. Ela estรก na criaรงรฃo de uma memรณria profissional.
Cada ediรงรฃo registra quais temas mobilizaram os jornalistas, quais formatos estavam em transformaรงรฃo, quais universidades se destacaram, quais reportagens ganharam relevรขncia e quais profissionais comeรงaram a construir suas carreiras.
O arquivo histรณrico do SindijorPR demonstra isso com clareza. Fotografias, listas de vencedores, categorias e registros das cerimรดnias formam um patrimรดnio documental que permite reconstruir parte da evoluรงรฃo do jornalismo paranaense ao longo de mais de trรชs dรฉcadas.
Hรก tambรฉm uma dimensรฃo simbรณlica importante na escolha dos nomes. โSangue Novoโ representa a renovaรงรฃo, os estudantes que chegam para substituir e transformar as geraรงรตes anteriores. โSangue Bomโ, por sua vez, estรก associado ao reconhecimento da qualidade do profissional que jรก atua no mercado.
Juntos, os dois nomes formam um ciclo: formaรงรฃo, entrada na profissรฃo, reconhecimento, experiรชncia e renovaรงรฃo.
ร justamente esse ciclo que a retomada de 2026 procura reconstruir.
O apoio da Itaipu Binacional tambรฉm foi decisivo para tornar possรญvel o retorno. Em uma รฉpoca na qual iniciativas de valorizaรงรฃo do jornalismo enfrentam dificuldades para encontrar financiamento e estrutura, o patrocรญnio permitiu recuperar uma tradiรงรฃo que corria o risco de desaparecer da agenda da categoria.
Mas o verdadeiro desafio comeรงa agora.
Depois de recuperar os prรชmios, o SindijorPR terรก de garantir que eles nรฃo voltem a desaparecer. A continuidade dependerรก da capacidade de manter inscriรงรตes, ampliar a participaรงรฃo do interior, preservar critรฉrios independentes de julgamento, atualizar categorias e acompanhar as transformaรงรตes tecnolรณgicas sem abandonar os fundamentos da profissรฃo.
O futuro do Sangue Novo deverรก acompanhar a transformaรงรฃo da universidade e das novas formas de produรงรฃo jornalรญstica. O futuro do Sangue Bom precisarรก refletir um mercado em permanente mudanรงa, no qual profissionais trabalham em redaรงรตes tradicionais, portais, emissoras, assessorias, produtoras, plataformas digitais e novos ambientes de comunicaรงรฃo.
A grande importรขncia da ediรงรฃo de 2026, portanto, nรฃo estรก apenas no nรบmero de 189 trabalhos inscritos. Estรก no fato de que, depois de anos de interrupรงรฃo, estudantes e profissionais voltaram a ter um espaรงo institucional para mostrar o que estรฃo produzindo.
E essa retomada permite olhar para trรกs e perceber que o Sangue Novo e o Sangue Bom nunca foram apenas concursos.
Eles sรฃo parte da memรณria do jornalismo do Paranรก.
Sรฃo espaรงos de reconhecimento, formaรงรฃo, encontro, crรญtica e renovaรงรฃo.
Sรฃo tambรฉm uma forma de dizer ร s novas geraรงรตes que o trabalho jornalรญstico precisa ser valorizado nรฃo apenas quando alcanรงa grandes audiรชncias, mas tambรฉm quando รฉ capaz de investigar, revelar, explicar, fiscalizar, preservar a memรณria e dar voz a quem muitas vezes nรฃo consegue ser ouvido.
Depois de 31 anos da criaรงรฃo do Sangue Novo e 21 anos do nascimento do Sangue Bom, a retomada de 2026 representa, portanto, mais do que o retorno de duas cerimรดnias. Representa a recuperaรงรฃo de uma tradiรงรฃo que conecta estudantes, profissionais, professores, universidades, veรญculos de comunicaรงรฃo e entidades representativas em torno de uma mesma ideia: o jornalismo de qualidade precisa ser reconhecido para continuar sendo produzido.
E, para o jornalismo paranaense, talvez seja justamente essa a maior vitรณria desta nova ediรงรฃo: nรฃo apenas descobrir quem sรฃo os melhores trabalhos de 2026, mas garantir que novas geraรงรตes continuem tendo motivos para acreditar na profissรฃo, produzir jornalismo e disputar, no futuro, os prรณximos capรญtulos dessa histรณria.
ACERCA DEL CORRESPONSAL
GILSON DANTAS CARMINI
Gilson Dantas Carmini es periodista brasileรฑo, presidente y editor en jefe de Prensa Mercosur. Especializado en integraciรณn regional, geopolรญtica y derechos humanos, desarrolla una destacada labor en el รกmbito de la comunicaciรณn internacional.
Posee un Mรกster en Desarrollo y Cooperaciรณn Internacional y mantiene una amplia red de relaciones profesionales, acadรฉmicas y diplomรกticas en Amรฉrica Latina y Asia.
Entre sus reconocimientos destacan el Micrรณfono de Oro de la Asociaciรณn Nacional de Locutores de Mรฉxico (2021), el Doctorado Honoris Causa de la Universidad Internacional Mรฉxico Blanco (2020) y el tรญtulo de Amigo de la Niรฑez y la Adolescencia.
- โ BRASIL: Sangue Novo e Sangue Bom retomam trajetรณria histรณrica e reafirmam o papel do jornalismo paranaense na formaรงรฃo, reconhecimento e defesa da profissรฃo
- โ BRASIL: Corea del Sur busca en Brasil alimentos, minerales crรญticos y tecnologรญa para construir una nueva alianza estratรฉgica con el Mercosur
- โ ESPAรA: Pontevedra convierte la miel en protagonista de su verano y reivindica el futuro de la apicultura gallega
- โ URUGUAY: El novillo se acerca a los US$ 6 por kilo y Uruguay vuelve a liderar el mercado ganadero del Mercosur
- โ COLOMBIA: Peรฑa y De la Espriella abren la puerta a un mayor acercamiento de Colombia al MERCOSUR y buscan fortalecer la integraciรณn regional

