
A aparência avermelhada das Cataratas de Sangue, na geleira Taylor, no leste da Antártica, intriga pesquisadores desde sua identificação em 1911. A explicação aceita atualmente aponta que o fenômeno é resultado da oxidação do ferro presente em uma corrente subterrânea de água extremamente salgada.
A interpretação mais recente foi reforçada por estudos científicos publicados ao longo dos últimos anos, incluindo uma pesquisa divulgada na última segunda-feira (03) na Nature Geoscience. Os trabalhos aprofundaram o entendimento sobre a origem da água que alimenta a formação e sobre os processos químicos responsáveis pela coloração.
Muito diferente das primeiras hipóteses levantadas durante as expedições ao continente gelado, a ciência concluiu que o tom vermelho não é provocado por organismos visíveis (como algas), mas por uma reação natural entre minerais dissolvidos e o oxigênio da atmosfera.
Como o ferro transforma a água em vermelho

Quando o geólogo Thomas Griffith Taylor encontrou a formação durante a Expedição Terra Nova, no início do século XX, acreditou que a coloração pudesse ser consequência da presença de algas. A explicação parecia plausível para a época, mas acabou sendo descartada conforme novas análises passaram a revelar a composição da água.
As pesquisas mostraram que a corrente que emerge da geleira transporta grandes quantidades de ferro dissolvido. Enquanto permanece confinada no subsolo, essa água praticamente não entra em contato com o oxigênio. A mudança ocorre quando ela alcança a superfície.
Nesse momento, o ferro sofre oxidação, processo químico que produz compostos avermelhados responsáveis pelo aspecto característico das Cataratas de Sangue. O contraste entre o líquido escuro e o gelo branco transformou a formação em um dos cenários mais incomuns da Antártica.

Estudos também identificaram que a água responsável pelo fenômeno integra um reservatório subterrâneo isolado sob a geleira Taylor há pelo menos 1,5 milhão de anos. Por permanecer protegida sob a camada de gelo, ela preservou características químicas bastante diferentes das encontradas na superfície.
Outro fator decisivo é a elevada concentração de sais dissolvidos. Essa composição reduz o ponto de congelamento da água, permitindo que bolsões líquidos continuem existindo mesmo em um dos ambientes mais frios do planeta.
Uma pesquisa publicada em 2017 no Journal of Glaciology ainda mostrou que a formação faz parte de uma rede subterrânea de salmoura aprisionada sob a geleira. Conforme esse fluxo encontra o ambiente externo, a reação entre o ferro e o oxigênio produz o tom vermelho que deu fama às Cataratas de Sangue.
Além de solucionar um mistério que permaneceu por décadas, essas descobertas ajudaram os cientistas a compreender melhor a dinâmica da água sob o gelo antártico e as condições que permitem sua permanência em estado líquido por períodos extremamente longos.
Wagner Edwards
Fuente de esta noticia: https://olhardigital.com.br/2026/08/05/ciencia-e-espaco/por-que-as-cataratas-de-sangue-transformam-o-gelo-da-antartica-em-vermelho/
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