Saiba a diferença entre os fenômenos cíclicos e a crise climática gerada por combustíveis fósseis e desmatamento, e por que eventos extremos não são naturais.
O aquecimento global é real, comprovado pela ciência e provoca eventos extremos em todo o mundo. É verdade que o planeta possui fenômenos naturais como o El Niño, mas o encurtamento da sua periodicidade e a intensificação de seus impactos se deve ao aumento da temperatura global pela ação humana, através principalmente da queima de combustíveis fósseis e do desmatamento.
A ONU alerta que o planeta está ultrapassando a temperatura média de 1,5°C e os impactos incluem: aumento rápido do nível do mar, colapso de recifes de corais, ondas de calor mais extremas e risco de ponto de não retorno para a Floresta Amazônica e as camadas de gelo da Antártida, o que remodelaria o mundo para sempre.
Compreender essa distinção ajuda a evitar tragédias climáticas para que não sejam tratadas como meros “efeitos cíclicos” ou “fatalidades”, responsabilizando os setores quem agravam ou se omitem enquanto ainda há tempo de agir e prevenir desastres, desde a seca na Amazônia até as enchentes no Rio Grande do Sul.
Eventos extremos não são naturais
Os eventos climáticos considerados extremos estão se tornando cada vez mais intensos e frequentes. Chuvas intensas, secas severas prolongadas, ondas de calor frequentes, vendavais e ciclones NÃO são cíclicos, e tem acontecido fora do ciclo e padrão esperado na meteorologia. Apesar de fazerem parte da dinâmica natural do clima, a intensidade, magnitude e regularidade desses eventos climáticos são consequências do aquecimento global de origem humana, que tem os tornado cada vez mais “extremos”.
Em geral, são as populações de baixa renda, comunidades periféricas, povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e outros grupos historicamente vulnerabilizados que enfrentam os maiores riscos e têm menos condições para se recuperar após uma tragédia. Por isso, investir em mitigação e adaptação climática, prevenção de desastres e redução das desigualdades é uma condição para proteger vidas e direitos.
O que faz parte dos ciclos da natureza?
A Terra possui fenômenos meteorológicos naturais, por exemplo, o El Niño e La Niña, que ocorrem no Oceano Pacífico Equatorial e influenciam o clima em diferentes partes do mundo. O El Niño aquece as águas superficiais; a La Niña faz o oposto, resfriando-as. Mas esses fenômenos cíclicos da natureza sofrem influência direta da crise climática, o que orginou o Super El Niño sob um mundo cada vez mais quente. Isso ultrapassa o histórico de padrões climáticos e alavanca a probabilidade de eventos extremos, chegando nas pessoas através de enchentes severas, calor intenso, falta d’água e aumento no custo de vida, como preço dos alimentos, transporte e energia. Devemos nos ajustar à nossa nova realidade com mitigação, combatendo às causas da crise climática, e adaptação, atuando na prevenção dos danos de suas consequências.
O que NÃO é natural e cíclico no clima?
O aquecimento global acelerado nas últimas décadas não pode ser explicado pelos ciclos naturais do clima. É provocado principalmente pelo aumento das emissões de gases de efeito estufa (GEE), geradas pela queima de combustíveis fósseis e pelo avanço do desmatamento, que inclui as queimadas – 99% dos incêndios florestais no Brasil derivam de ação humana. Esse desequilíbrio climático afeta diretamente a biodiversidade que ajuda a regular o clima. Os oceanos absorvem cerca de 90% do excesso de calor provocado pelo aquecimento global, alterando ecossistemas, correntes e padrões climáticos. Já as florestas contribuem para o ciclo da água (hidrológico) e a formação de chuvas por meio de “rios voadores”. Quando são destruídas, perdem a função de equilibrar o clima e ainda liberam carbono na atmosfera, agravando o aquecimento da Terra e os riscos às populações e aos ecossistemas. A Amazônia é fundamental para conter a crise climática, mas está perto de um ponto de não retorno, quando não será capaz de se recuperar diante do avanço do desmatamento e da degradação.
Quem prepara o terreno para as tragédias? Os “Senhores do Colapso”!
Eventos climáticos extremos não afetam as pessoas da mesma forma e se transformam em tragédias quando encontram cidades despreparadas, ecossistemas destruídos e populações vulnerabilizadas. Quatro setores contribuem para o colapso climático por ação ou omissão:
- Bancada Ruralista
Parlamentares que enfraquecem as leis ambientais, a governança climática e os direitos de povos indígenas e comunidades tradicionais, reduzindo a capacidade do país de prevenir e enfrentar eventos climáticos extremos.
- Gestores Públicos Omissos
Governos estaduais e municipais que falham no planejamento e não implementam medidas de adaptação nas cidades, agravando os impactos de secas, enchentes, queimadas e deslizamentos.
- Grande Agronegócio
Setor que lidera as emissões brasileiras, impulsionando a degradação, o desmatamento e as queimadas ilegais sob vegetação nativa, impactando a biodiversidade, os ciclos hídricos, a saúde e a produção e os preços dos alimentos.
- Indústria dos Combustíveis Fósseis
Empresas e setores políticos que pressionam pela expansão de petróleo, gás e carvão, atrasando a transição energética e agravando a crise climática.
Como agir?
A pauta climática e a necessidade de adaptação e mitigação precisam estar no centro do debate e das propostas de forma séria neste ano eleitoral. No 1º turno (04/10) e no 2º turno (25/10), preze por representantes comprometidos com a ciência e em proteger vidas, não em negacionistas climáticos.
Existem sim fenômenos cíclicos da natureza, mas a crise climática e a falta de planejamento intensifica seus efeitos. É urgente responsabilizar os Senhores do Colapso: além de adaptar nossos territórios, precisamos encarar as causas de frente, sem nos esquivar de planejar o fim da dependência dos combustíveis fósseis e do agronegócio predatório. #VotaQueVale
Medio: greenpeace.org
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