
Uma viagem marcada pela celebração de uma importante conquista artística terminou em tragédia na madrugada desta quarta-feira (15), quando um ônibus que transportava integrantes da Academia de Danças Bethania, do Paraguai, capotou na rodovia SC-492, entre os municípios de Maravilha e São Miguel da Boa Vista, no oeste de Santa Catarina. O acidente provocou a morte de três pessoas — uma professora, uma mãe e sua filha de apenas oito anos — além de deixar cerca de 40 feridos, mobilizando uma grande operação de resgate e gerando comoção tanto no Brasil quanto no Paraguai.
As vítimas fatais foram identificadas como Nélida del Rosario Peralta de Rojas, conhecida como Professora Nelly, Blanca Edilia Chamorro Resquín e sua filha Guadalupe Garcete Chamorro, de oito anos. As três pertenciam à delegação que retornava de um festival internacional de dança realizado em Gramado, no Rio Grande do Sul, onde a Academia Bethania havia conquistado o primeiro lugar da competição. Segundo autoridades paraguaias, as vítimas eram familiares do prefeito de Independencia, José Resquín, que confirmou tratar-se de sua tia, sua prima e sua sobrinha.
Em sinal de luto, a Prefeitura de Independencia decretou três dias de luto oficial e suspendeu atividades públicas. Em nota, o município manifestou solidariedade às famílias atingidas e destacou que toda a comunidade vive um momento de profunda dor diante da perda de moradores que representavam o distrito em um evento cultural internacional. A tragédia repercutiu amplamente na região de Guairá, onde a Academia Bethania é considerada uma das mais tradicionais escolas de dança do país.
De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, o acidente ocorreu por volta de 0h30. O motorista perdeu o controle do veículo ao entrar em uma curva, fazendo com que o ônibus saísse da pista e despencasse por uma ribanceira. O coletivo transportava 67 pessoas, entre bailarinas, professores, familiares e dois motoristas. As equipes de resgate encontraram um cenário de grande complexidade, com vítimas presas às ferragens, sob o veículo e espalhadas ao redor da área do tombamento. Participaram da operação bombeiros de diversos quartéis, equipes do SAMU, Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Científica.
Os feridos foram distribuídos entre hospitais da região. O Hospital São José, em Maravilha, recebeu 35 pacientes, enquanto outros foram encaminhados ao Hospital Regional Terezinha Gaio Basso, em São Miguel do Oeste, e ao Hospital de Romelândia. Passageiros sem necessidade de internação permaneceram em uma casa de apoio organizada pelas autoridades locais até que fosse possível providenciar o retorno ao Paraguai.
Enquanto as autoridades brasileiras investigam oficialmente as causas do acidente, sobreviventes relataram à imprensa paraguaia que o ônibus apresentava instabilidade pouco antes do tombamento. Uma mãe que viajava com a delegação afirmou que o veículo trafegava em velocidade elevada e que havia ocorrido uma troca de motorista cerca de meia hora antes do acidente. Segundo seu relato, o condutor informou posteriormente que os freios não responderam ao tentar reduzir a velocidade em uma das curvas da rodovia. Essas informações fazem parte dos depoimentos de passageiros e ainda serão verificadas pela investigação oficial.
O Consulado do Paraguai no Brasil iniciou imediatamente o acompanhamento das vítimas e mantém contato permanente com os hospitais catarinenses para prestar assistência às famílias. Paralelamente, a Secretaria de Desenvolvimento para Repatriados e Refugiados do Paraguai informou que já coordena o processo de repatriação dos corpos, procedimento que depende da conclusão dos trâmites legais realizados pelas autoridades brasileiras e poderá levar entre 48 e 72 horas. O governo paraguaio também mobilizou apoio psicológico e assistência às famílias afetadas pela tragédia.
A tragédia provocou manifestações de solidariedade de autoridades, instituições culturais e comunidades dos dois países. O acidente interrompeu o retorno de uma delegação que havia levado o nome de Independencia ao cenário internacional da dança e transformou uma celebração artística em um dos episódios mais dolorosos registrados neste ano envolvendo cidadãos paraguaios em território brasileiro. As circunstâncias do acidente continuam sendo apuradas pelas autoridades competentes.
ACERCA DEL CORRESPONSAL
GILSON DANTAS CARMINI
Gilson Dantas Carmini es periodista brasileño, presidente y editor en jefe de Prensa Mercosur. Especializado en integración regional, geopolítica y derechos humanos, desarrolla una destacada labor en el ámbito de la comunicación internacional.
Posee un Máster en Desarrollo y Cooperación Internacional y mantiene una amplia red de relaciones profesionales, académicas y diplomáticas en América Latina y Asia.
Entre sus reconocimientos destacan el Micrófono de Oro de la Asociación Nacional de Locutores de México (2021), el Doctorado Honoris Causa de la Universidad Internacional México Blanco (2020) y el título de Amigo de la Niñez y la Adolescencia.
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