
Eu fiquei estarrecida com o editorial de alguns jornais após a revogação do decreto que privatizava os rios Tapajós, Madeira e Tocantins. Os indígenas que protestaram por 33 dias pelo fim do projeto em Santarém, ocupando a sede da Cargill, foram chamados de baderneiros. Nos textos, nenhuma análise do que os indígenas teriam a perder com a obra, nem sobre os impactos ambientais. A única reclamação é o impedimento do desenvolvimento da região por causa dos “baderneiros”.
Cá entre nós: nada de novo no front. Desde sempre os indígenas são retratados como uma minoria insignificante, um impedimento para o crescimento. Hoje, a internet permite que lideranças como Alessandra Munduruku façam suas declarações saírem da bolha, mas antigamente a comunicação era expressamente e historicamente direcionada a diminuir a força indígena.
Uma experiência interessante neste sentido é a visita ao Museu do Ipiranga, em São Paulo. Logo no salão de entrada (belíssimo, por sinal), há uma seleção de quadros que mostram bandeirantes e indígenas retratados de forma bastante diferente. Os colonizadores aparecem fortes, altivos. Os indígenas mais submissos e em segundo plano.
O próprio quadro famoso da “Independência ou Morte!” pode ser utilizado de forma didática para explicar isso.

Observando a imagem, no centro e no ponto mais alto está um homem a cavalo erguendo uma espada: o príncipe regente Dom Pedro.
O pintor do quadro escolheu uma posição que destaca o protagonismo do príncipe português. A tela representa o episódio de 7 de setembro de 1822: o momento em que Dom Pedro teria erguido a espada e proclamado a independência do Brasil às margens do rio Ipiranga, em São Paulo.
Não sei quem escreveu os textos do museu, mas achei brilhante a forma como apresentam os dois lados da história: “Esta pintura foi terminada por Pedro Américo 66 anos depois da passagem de Dom Pedro pelo Ipiranga. Seria possível representar o evento exatamente como aconteceu? Quais foram as escolhas de Pedro Américo para compor sua pintura?”, questiona o documento do Museu do Ipiranga que apresenta as obras disponíveis no acervo sobre a História do Brasil.
Quem Pedro Américo ouviu para fazer esse quadro? Ele buscou informações por meio de relatos da comitiva de… adivinha?! Dom Pedro. O pintor deu uma passada ali no Ipiranga, esboçou o local, mas, segundo o museu, “essas pesquisas eram complementadas por sua compreensão daquilo que seria ‘digno de ser oferecido à contemplação pública’”.
Voltando ao caso do Tapajós. Como leitora dos jornais que escreveram os editoriais, eu fico pensando no que eles de fato querem comunicar. Quem eles ouviram? Qual é a visão de mundo que os diretores e editores querem passar? Eles entrevistaram os indígenas? Eles costumam visitar essa região da Amazônia?
As perguntas continuam: para eles, a expansão do agronegócio e a distribuição de grãos são mais importantes do que a preservação dos rios? Será que os indígenas depredaram o prédio da Cargill, uma empresa internacional que negocia soja no Pará?
No final, esse recorte de Pedro Américo é feito todos os dias, mas agora com uma capacidade de reprodução imensa, por jornalistas, políticos, economistas e internautas. É por isso que comunicar com precisão é uma tarefa cada vez mais difícil: a análise justa precisa pensar em todos os impactos, não apenas econômicos, mas tentando desviar de toda e qualquer visão recortada do problema. Isso tudo em um mundo que vive uma emergência climática e tenta uma transição energética.
A única certeza que eu tenho é: nós, da InfoAmazonia, prometemos ser cada dia mais claros em relação à nossa posição. Ela será sempre a de defender o meio ambiente e, consequentemente, os povos indígenas que mantêm a floresta em pé.
Carolina Dantas
Fuente de esta noticia: https://infoamazonia.org/2026/03/03/independencia-indigena-ou-morte/
También estamos en Telegram como @prensamercosur, únete aquí: Telegram Prensa Mercosur
Recibe información al instante en tu celular. Únete al Canal del Diario Prensa Mercosur en WhatsApp a través del siguiente link: https://whatsapp.com/channel/0029VaNRx00ATRSnVrqEHu1
También estamos en Telegram como @prensamercosur, únete aquí: https://t.me/prensamercosur
Recibe información al instante en tu celular. Únete al Canal del Diario Prensa Mercosur en WhatsApp a través del siguiente link: https://www.whatsapp.com/channel/0029VaNRx00ATRSnVrqEHu1W
ACERCA DEL CORRESPONSAL
REDACCIóN CENTRAL
Prensa Mercosur es un diario online de iniciativa privada que fue fundado en 2001, donde nuestro principal objetivos es trabajar y apoyar a órganos públicos y privados.
- ★Más vuelos a Buenaventura: SATENA fortalece el corredor aéreo con el principal puerto del país
- ★El perfil del turista colombiano en Florida: preferencias y hábitos de viaje
- ★En Rosario cada vez se usan más vehículos eléctricos para trasladarse y significa un aporte para el ambiente
- ★Ministra Lily Vásquez, denunciada por maltrato laboral: cinco empleados la acusaron y el caso sigue bajo investigación
- ★Maratónica jornada en la AUF: se firmaron tres contratos de TV, Tenfield negocia a contrarreloj
