
Cerca de 350 tratores tomaram as avenidas de Paris nesta terça-feira (13), em um protesto contundente contra o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul.
O movimento, liderado por agricultores franceses, critica os baixos salários da categoria e afirma que a abertura do mercado europeu para produtos sul-americanos ameaça a sobrevivência do setor agrícola local.
Caos no trânsito e pressão política
Escoltados pela polícia, os comboios de tratores atravessaram pontos icônicos como a Champs-Élysées e cruzaram o Rio Sena em direção à Assembleia Nacional. O ato causou grandes transtornos no trânsito durante a hora do rush, servindo como um alerta visual para os parlamentares.
Os sindicatos exigem “ações concretas e imediatas” para garantir a segurança alimentar da França. Em resposta, a porta-voz do governo, Maud Bregeon, afirmou que novos pacotes de ajuda financeira devem ser anunciados em breve para acalmar os ânimos da categoria.
O embate diplomático sobre o acordo Mercosul–União Europeia
Embora o presidente Emmanuel Macron se oponha publicamente ao tratado, a resistência francesa parece isolada no cenário europeu:
- Aprovação na UE: na última sexta-feira (9), a maioria dos 27 países do bloco aprovou provisoriamente o texto. Apenas França, Polônia, Irlanda, Áustria e Hungria votaram contra.
- Assinatura iminente: a expectativa é que o documento seja assinado oficialmente no Paraguai, neste sábado.
- A visão do Brasil: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva celebrou a decisão, classificando-a como um “dia histórico para o multilateralismo” após 25 anos de negociações.
O que prevê o acordo Mercosul–União Europeia?
O principal medo dos produtores europeus é que o mercado seja inundado por carnes e grãos mais baratos vindos de países como Brasil e Argentina. No entanto, especialistas ponderam que o “impacto real” do acordo Mercosul–União Europeia não será imediato.
Confira os pilares centrais:
- Fim das tarifas alfandegárias: haverá uma redução gradual de impostos. O Mercosul zerará tarifas para 91% dos bens europeus em 15 anos, enquanto a UE fará o mesmo para 95% dos produtos sul-americanos em 12 anos.
- Impulso industrial: setores como o automotivo, químico e de máquinas terão tarifa zero imediata em diversos itens, facilitando a modernização da indústria local.
- Cotas e proteção agrícola: para não prejudicar demais os produtores europeus, produtos sensíveis (carne, açúcar e etanol) terão limites de importação (cotas). Se passarem do limite, voltam a ser taxados.
- Sustentabilidade e meio ambiente: o acordo Mercosul–União Europeia exige o cumprimento do Acordo de Paris. Produtos ligados ao desmatamento ilegal podem ser barrados, e o tratado pode ser suspenso em caso de violações ambientais.
- Segurança alimentar: a Europa manterá suas regras sanitárias rigorosas; o acordo não flexibiliza as normas de segurança dos alimentos.
- Novas oportunidades: empresas brasileiras poderão participar de licitações públicas na Europa e haverá maior proteção para marcas e patentes (indicações geográficas).
- Próximos passos: a assinatura oficial está prevista para 17 de janeiro, no Paraguai. Depois, o texto ainda precisa ser ratificado pelo Parlamento Europeu e pelos congressos de cada país do Mercosul.
Fonte: ndmais
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