
O governo brasileiro condenou publicamente a ação militar conduzida pelos Estados Unidos na Venezuela. O posicionamento, entretanto, não alterou os planos do Ministério da Defesa, chefiado por José Múcio Monteiro, que mantém o envio de oficiais das Forças Armadas para cursos e funções estratégicas em território norte-americano a partir de 2026.
A decisão está formalizada em portaria publicada no Diário Oficial da União e em boletins internos das Forças, prevendo missões de longa duração, com ônus integral para os comandos, mudança de sede e direito de residência com dependentes nos Estados Unidos. Para analistas civis e militares, o contraste entre a posição diplomática do governo e a prática administrativa da Defesa reforça uma constatação recorrente: a política de cooperação internacional no meio militar opera com elevado grau de autonomia em relação à diplomacia conduzida pelo Executivo federal.
Contexto político e fricção diplomática
O episódio ganha relevo no contexto recente de tensão regional envolvendo a Venezuela. Após uma operação militar liderada pelos Estados Unidos que resultou na captura de Nicolás Maduro, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou publicamente a ação, classificando-a como violação da soberania venezuelana e dos princípios do direito internacional.
Ainda assim, o posicionamento político não se traduziu em revisão das missões militares em curso ou planejadas, especialmente aquelas vinculadas a centros estratégicos de formação e cooperação nos Estados Unidos.
Oficiais designados para missões em Washington
A Portaria nº 854/2025, assinada em 30 de dezembro pelo ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho, designa oficiais da Marinha, do Exército e da Aeronáutica para missões de instrução e docência de longa duração no Colégio Interamericano de Defesa (CID), com sede em Washington, D.C.
As designações abrangem o período de julho de 2026 a junho de 2027 ou 2028, caracterizando-se como missões transitórias de natureza militar, com mudança de sede e possibilidade de permanência com a família no exterior, conforme prevê a legislação em vigor.
Na prática, a portaria assegura a manutenção de uma presença estruturada de altos oficiais das Forças Armadas brasileiras em um dos principais polos de formulação doutrinária e estratégica do continente, mesmo em um cenário de fricção diplomática entre Brasília e Washington.
Críticas apontam dependência estrutural
A aparente dissociação entre a política externa do governo e a atuação internacional das Forças Armadas foi analisada recentemente em reportagem da Revista Sociedade Militar. Em entrevista ao veículo, o professor Carlos Eduardo da Rosa Martins, do Instituto de Relações Internacionais e Defesa da UFRJ, avaliou que os militares brasileiros, apesar de em certos momentos contrariarem a orientação política do Executivo, aceitam uma posição de dependência estrutural em relação aos Estados Unidos.
Segundo o pesquisador, embora documentos oficiais de defesa mencionem protagonismo regional e autonomia estratégica, a formação de quadros superiores e a cooperação institucional permanecem fortemente ancoradas em estruturas norte-americanas. “O máximo que [as Forças Armadas brasileiras] aspiram é uma colaboração com os Estados Unidos, quem sabe um status de membro associado da OTAN…”, afirmou.
Formação estratégica e efeitos de longo prazo
Do ponto de vista institucional, Marinha, Exército e Força Aérea tratam a permanência de oficiais no Colégio Interamericano de Defesa como uma decisão técnica e estratégica já tradicional. O CID é visto como espaço privilegiado de intercâmbio doutrinário, acesso a redes de influência e atualização em temas considerados centrais para a defesa contemporânea.
Críticos, no entanto, apontam que esse tipo de formação produz efeitos de longo prazo sobre a visão estratégica dos oficiais, influenciando prioridades, percepções de ameaça e a interpretação de crises regionais — como a venezuelana — a partir de uma matriz conceitual fortemente alinhada aos interesses de Washington.
Oficiais designados para os cursos e funções nos Estados Unidos
DESIGNAR os militares abaixo relacionados para exercerem funções de natureza militar, conforme o seguinte: I – o Capitão de Mar e Guerra CEZAR B. C. DOS SANTOS, para exercer a função de Aluno, durante o período do Mestrado em Defesa e Segurança Interamericana, e a função de Professor Auxiliar, após o referido Mestrado, no Colégio Interamericano de Defesa (CID), com sede em Washington, D.C., EUA, no período de 1º de julho de 2026 a 30 de junho de 2028, com ônus total para o Comando da Marinha;
II – o Coronel JOSÉ F. DE A. NETO, do Comando do Exército, para exercer a função de Aluno, durante o período do Mestrado em Defesa e Segurança Interamericana, e a função de Professor Auxiliar, após o referido Mestrado, no Colégio Interamericano de Defesa (CID), com sede em Washington, D.C., EUA, no período de 1º de julho de 2026 a 30 de junho de 2028, com ônus total para o Comando do Exército;
III – o Coronel M. F. RODRIGUES, do Comando da Aeronáutica, para exercer a função de Aluno, durante o período do Mestrado em Defesa e Segurança Interamericana, e a função de Professor Auxiliar, após o referido Mestrado, no Colégio Interamericano de Defesa (CID), com sede em Washington, D.C., EUA, no período de 1º de julho de 2026 a 30 de junho de 2028, com ônus total para o Comando da Aeronáutica;
IV – o Coronel CHARLON G. CUNHA, do Comando da Aeronáutica, para exercer a função de Aluno do Mestrado em Defesa e Segurança Interamericano no Colégio Interamericano de Defesa (CID), com sede em Washington, D.C., EUA, no período de 1º de julho de 2026 a 30 de junho de 2027, com ônus total para o Comando da Aeronáutica;
V – o Coronel FRANK C. DE F. AMARAL, do Comando da Aeronáutica, para exercer a função de Aluno do Mestrado em Defesa e Segurança Interamericana no Colégio Interamericano de Defesa (CID), com sede em Washington, D.C., EUA, no período de 1º de julho de 2026 a 30 de junho de 2027, com ônus total para o Comando da Aeronáutica;
VI – o Tenente-Coronel GUILHERME DE A. G., do Comando do Exército, para exercer a função de Aluno do Mestrado em Defesa e Segurança Interamericana no Colégio Interamericano de Defesa (CID), com sede em Washington, D.C., EUA, no período de 1º de julho de 2026 a 30 de junho de 2027, com ônus total para o Comando do Exército; e
VII – o Tenente-Coronel CESAR MONTENEGRO JUSTO, do Comando do Exército, para exercer a função de Professor de Segurança Cibernética do Colégio Interamericano de Defesa (CID), com sede em Washington, D.C., EUA, no período de 1º de julho de 2026 a 30 de junho de 2027, com ônus total para o Comando do Exército.
As missões acima,segundo explica a portaria assinada pelo Ministro da Defesa, são: “do tipo transitória, de natureza militar, com mudança de sede e com dependentes“.
Fonte: sociedademilitar
Fuente de esta noticia: https://brasiliainfoco.com/forcas-armadas-enviam-oficiais-para-os-eua-mesmo-apos-governo-condenar-acao-militar-na-venezuela/
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