
Neste sábado, um dos empresários mais procurados do Brasil, Rodrigo Leonardo de Lima Alcântara, conhecido como Rei da Sucata, foi preso em uma joalheria de luxo localizada em um shopping na cidade de São Paulo. Ele estava foragido desde maio e é alvo de investigações que o vinculam a uma rede empresarial supostamente utilizada para lavagem de dinheiro oriundo do tráfico de drogas, especificamente ligado ao Comando Vermelho, uma das facções mais poderosas do país.
A captura de Rodrigo foi coordenada pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Polícia Civil do Rio de Janeiro, em parceria com o Grupo de Segurança Institucional (GSI) do Ministério Público de Minas Gerais e o Serviço de Segurança Diplomática do Departamento de Estado dos Estados Unidos. No momento da abordagem, ele estava realizando compras, mas rapidamente foi preso e levado ao Palácio da Polícia, em São Paulo.
Enquanto era procurado, Rodrigo mantinha uma vida de ostentação nas redes sociais, onde sua companheira divulgava imagens do estilo de vida do casal. De acordo com os investigadores, o empresário havia permanecido nos Estados Unidos e retornou ao Brasil no início de outubro, após um período de fuga.
As investigações indicam que uma empresa sob seu comando realizou transferências que totalizam impressionantes R$ 4,6 milhões para Alex Sandro Ferreira de Araújo, conhecido como Tek. Esta quantia é considerada crucial, pois Tek é identificado como o principal operador financeiro do tráfico no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, e atua como testamenteiro de Antônio Ilário Ferreira, conhecido como Rabicó, um dos cabeças do tráfico local.
Rodrigo já era procurado há meses, após desdobramentos da Operação Contenção, iniciada em 29 de maio, que visava desmantelar o braço financeiro da facção. Na ocasião, diversas prisões foram efetuadas em múltiplos estados, e as movimentações financeiras investigadas superaram R$ 453 milhões.
Segundo as apurações, Rodrigo ostensivamente gerenciava a Indústria e Comércio de Metais Pequi, configurada como uma fundição de metais não ferrosos. Embora seu pai tenha sido formalmente o administrador, as investigações revelaram que Rodrigo era, na verdade, o responsável efetivo pelas operações, utilizando o nome do pai para ocultar sua liderança nos negócios.
Diversas transações suspeitas foram rastreadas até essa empresa, que, entre abril de 2023 e maio de 2024, transferiu R$ 3,7 milhões para contas associadas a Tek. De maio a setembro de 2024, foram registrados outros repasses de R$ 898,8 mil. A DRE também mapeou movimentações significativas com outras empresas que eram parte do mesmo circuito financeiro. Embora os repasses realizados pela Metais Pequi somassem mais de R$ 1,6 milhão entre algumas dessas empresas, as transações não apresentavam justificativas econômicas que fossem logicamente compatíveis.
Adicionalmente, Rodrigo já havia sido preso em 2021, em Minas Gerais, durante a Operação Sinergia, que investigou fraudes no comércio de metais e sucatas, evidenciando sua longa trajetória de problemas legais. As autoridades continuam a apurar o caso, buscando identificar outros envolvidos e aprofundar os rastros financeiros que compõem esse esquema complexo de criminalidade.
ACERCA DEL CORRESPONSAL
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