
Uma das maiores fabricantes de bebidas do mundo está passando por uma profunda transformação em sua estrutura industrial. A Coca–Cola decidiu encerrar as atividades de quatro fábricas históricas, reduzir seu quadro de funcionários e transferir a fabricação de diferentes bebidas para outras unidades e empresas parceiras.
As mudanças fazem parte de uma reorganização que já atingiu mais de 1.400 postos de trabalho, considerando demissões, extinção de cargos e adesões a programas de desligamento. Algumas das instalações afetadas funcionavam havia décadas e tinham capacidade para produzir milhões de litros de bebidas anualmente.
Além de fechar unidades tradicionais, a multinacional adotou uma nova estratégia para concentrar a produção e reduzir custos operacionais. Com isso, bebidas conhecidas dos consumidores passaram a sair de outras instalações industriais, enquanto antigas fábricas encerraram definitivamente suas operações.
O processo começou em 2025 e continuará ao longo de 2026, com o fechamento de mais uma importante unidade previsto para dezembro. Apesar das mudanças, a empresa não anunciou a retirada das principais marcas envolvidas nesses processos do mercado.
Coca-Cola fecha quatro fábricas e demite 1.400 funcionários
A reorganização envolve operações da Coca–Cola e de empresas responsáveis por produzir e engarrafar suas bebidas nos Estados Unidos, na Alemanha e na África do Sul.
Entre as unidades atingidas estão instalações localizadas em American Canyon, Northampton, Colônia e Bloemfontein. Três delas já tiveram suas atividades encerradas, enquanto a quarta tem fechamento definitivo programado para dezembro de 2026.
Os cortes também ultrapassaram os limites dessas quatro fábricas. Na Alemanha, por exemplo, a companhia reorganizou sua rede de distribuição e encerrou outras instalações logísticas.
Ao todo, os principais processos envolveram aproximadamente 1.469 postos de trabalho e desligamentos. Entretanto, esse total reúne situações diferentes, incluindo demissões, redução de cargos e saídas negociadas com funcionários.
A decisão representa uma mudança importante na estratégia industrial da marca, que passou a priorizar instalações consideradas mais eficientes e a redistribuir a produção de diferentes bebidas.
Fábrica da Coca-Cola encerra atividades e produção passa para outra empresa
Uma das unidades atingidas funcionava em American Canyon, na Califórnia. A fábrica encerrou suas atividades produtivas em 30 de junho de 2025, depois de anos de operação.
Inicialmente, a decisão afetou aproximadamente 135 trabalhadores. Posteriormente, o encerramento das atividades restantes envolveu outros 45 postos, elevando para cerca de 180 o número de empregos atingidos.
A instalação fabricava bebidas bastante conhecidas, principalmente produtos que não possuem gás.
Entre as marcas produzidas estavam:
- Powerade: bebida esportiva voltada à hidratação.
- Minute Maid: linha de sucos e bebidas à base de frutas.
- Vitaminwater: bebida com vitaminas e outros ingredientes.
- Gold Peak Tea: marca de chás prontos para consumo.
Em vez de interromper a fabricação desses produtos, a Coca–Cola decidiu transferir parte das operações para uma empresa parceira da região.
Dessa maneira, a multinacional passou a depender de outra estrutura industrial para manter parte do abastecimento anteriormente realizado pela fábrica.
Coca-Cola vai fechar outra fábrica histórica
A próxima unidade a encerrar definitivamente suas atividades fica em Northampton, no estado americano de Massachusetts, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
A Coca–Cola programou o fechamento para 15 de dezembro de 2026, com aproximadamente 175 trabalhadores atingidos.
O cronograma prevê desligamentos iniciados em agosto e distribuídos até o final de novembro, antes da desativação completa.
A instalação possui uma longa trajetória industrial. A companhia adquiriu a fábrica em 1995 e realizou investimentos importantes para ampliar sua capacidade de produção.
Ao longo dos anos, a unidade fabricou bebidas de marcas como Minute Maid e Powerade.
O encerramento, entretanto, não surgiu de maneira inesperada. A companhia havia anunciado planos para desativar a fábrica em 2023, mas dificuldades na transferência das operações fizeram a unidade continuar funcionando por mais tempo.
Agora, a empresa avança com a etapa final da reorganização.
Fábrica com capacidade de 520 milhões de litros por ano também encerrou produção
Na Alemanha, uma das mudanças mais expressivas aconteceu na tradicional fábrica de Colônia.
A Coca–Cola Europacific Partners encerrou a fabricação de bebidas na instalação em março de 2025. A história da marca na cidade remontava a 1937.
Antes da desativação, a unidade contava com duas linhas industriais e capacidade para envasar aproximadamente 520 milhões de litros de bebidas por ano.
O fechamento fez parte de uma reorganização mais ampla da operação alemã, que também envolveu instalações de armazenamento e distribuição.
No total, a companhia anunciou o encerramento de cinco instalações no país. Entre elas, apenas a unidade de Colônia mantinha atividades industriais de fabricação.
A decisão provocou mudanças no quadro de trabalhadores:
- 505 postos de trabalho eliminados durante a reorganização.
- 207 cargos transferidos para outras instalações.
- 78 novas vagas previstas em diferentes operações.
Segundo a estratégia apresentada pela empresa, o objetivo era aproveitar melhor a capacidade produtiva de outras fábricas e tornar a distribuição mais eficiente.
Assim, a Coca–Cola passou a direcionar parte dos volumes produzidos em Colônia para outras unidades industriais que já operavam no país.
Reestruturação da Coca-Cola atinge trabalhadores
Outra etapa da reorganização ocorreu na África do Sul, onde a Coca–Cola Beverages South Africa anunciou mudanças na produção e no quadro de funcionários.
Em setembro de 2025, a companhia iniciou um processo de reestruturação que poderia atingir mais de 680 empregados.
Entre as instalações afetadas estava a fábrica de Bloemfontein, cujo fechamento apareceu posteriormente em documentos da Justiça trabalhista sul-africana.
Uma decisão judicial de março de 2026 confirmou que o encerramento da unidade de fabricação integrava o processo de redução de postos de trabalho.
Inicialmente, a unidade de East London também apareceu entre as instalações consideradas para fechamento. Entretanto, os documentos posteriores oferecem confirmação mais clara sobre o encerramento de Bloemfontein.
As mudanças provocaram negociações com sindicatos e funcionários, incluindo programas de saída e discussões sobre os direitos dos trabalhadores.
Funcionários aceitaram pacotes de desligamento
A reestruturação sul-africana respondeu por uma parcela expressiva do total de empregados atingidos.
Em outubro de 2025, o sindicato Food and Allied Workers Union informou que 609 trabalhadores haviam aderido a pacotes de desligamento oferecidos durante o processo.
Outros 71 empregados ainda não haviam aceitado as condições naquele momento.
Isso significa que nem todas as saídas representaram demissões compulsórias. Parte dos funcionários concordou com acordos de desligamento negociados durante a reorganização.
Posteriormente, o processo também envolveu a emissão de cartas de demissão, conforme documentos apresentados à Justiça.
Somando os principais números anunciados nas operações dos Estados Unidos, Alemanha e África do Sul, o total chega a aproximadamente 1.469 postos de trabalho eliminados ou desligamentos registrados.
Coca-Cola muda fabricação de refrigerantes e outras bebidas
Embora os fechamentos tenham atingido instalações históricas, a Coca–Cola não anunciou o fim da comercialização das principais bebidas produzidas nessas fábricas.
Na prática, a multinacional está alterando a distribuição de sua produção entre diferentes unidades industriais.
Em American Canyon, parte das operações passou para uma empresa parceira. Na Alemanha, outras fábricas assumiram volumes anteriormente produzidos em Colônia.
Já o encerramento de Northampton integra um planejamento de redistribuição industrial que começou anos antes da data prevista para o fechamento.
A reorganização também mostra como a Coca–Cola busca reduzir a quantidade de instalações utilizadas para determinadas operações, concentrando a fabricação em estruturas com maior capacidade ou aproveitando serviços de parceiros.
Mesmo após o fechamento de Colônia, a companhia informou que, em 2025, aproximadamente 97% das bebidas Coca–Cola comercializadas na Alemanha continuavam sendo fabricadas dentro do próprio país.
Portanto, o fechamento das quatro fábricas não representa a saída da empresa desses mercados.
A principal consequência está na estrutura de produção e nos empregos: enquanto unidades industriais tradicionais deixam de funcionar, outras fábricas passam a assumir a fabricação das bebidas, modificando uma rede produtiva construída ao longo de décadas.
https://www.portaltemponovo.com.br/coca-cola-fecha-4-fabricas-historicas-e-demite-1-400-funcionarios/
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