
Em um cenário político que se desenha delicado e dividido, a primeira pesquisa realizada pela Quaest após as eleições de 2026 revela um dado curioso: 94% dos brasileiros esperam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha sucesso em seu quarto mandato. O levantamento, intitulado “O Brasil depois das urnas”, foi divulgado no último domingo e apresenta uma avaliação mista da gestão petista, com 48% dos entrevistados aprovando seu governo, enquanto 44% manifestam desaprovação.
Os números de aprovação se mantêm estáveis em relação à pesquisa anterior, realizada na véspera do segundo turno. Este índice de aprovação é o mais elevado desde o início de agosto, evidenciando uma resiliência na percepção do governo em relação a eventos políticos recentes. A desaprovação, por sua vez, diminuiu em um ponto percentual, alcançando seu menor patamar desde janeiro.
Entretanto, essa aprovação, embora positiva, é inferior à de presidentes reeleitos em mandatos anteriores. Para efeito de comparação, Lula registrou um saldo de 38 pontos em 2006, e outros presidentes, como Dilma Rousseff em 2014 e Fernando Henrique Cardoso em 1998, também obtiveram índices mais favoráveis.
Uma pesquisa para lá de reveladora, que ressalta, inclusive, a disposição quase unânime dos cidadãos para que o governo consiga avançar: apenas 4% dos entrevistados afirmaram torcer contra a administração. Entre os eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro, o número de pessoas que desejam um bom governo Lula é alarmante — 80% manifestaram esse desejo, indicando que a esperança transcende as divisões políticas.
Para Felipe Nunes, diretor da Quaest, esse otimismo parece estar vinculado à percepção da prevalência da democracia e à expectativa positiva em relação à continuidade de programas sociais. A pesquisa também explora o estado emocional dos brasileiros após o resultado eleitoral, revelando que 18% se sentem alegres, 14% aliviados e 12% esperançosos.
Contudo, as percepções de divisão permanecem perniciosas: 81% dos entrevistados acreditam que o país continua polarizado, enquanto apenas 15% percebem uma unidade emergente. No que diz respeito ao futuro, a preocupação predomina, com 48% afirmando estarem inquietos, mas um ligeiro alívio é notado por 44%, que se dizem otimistas, uma mudança visível em relação a dezembro de 2022.
Entre os pontos que geram otimismo estão a defesa da democracia, a luta contra o bolsonarismo, o fortalecimento das políticas sociais e a regulação do setor de apostas e redes sociais. Por outro lado, a situação econômica, a dívida pública e questões de segurança, como violência e corrupção, estão entre as principais preocupações que os cidadãos expressam. A pesquisa, que ouviu 2.004 pessoas entre 30 de outubro e 2 de novembro, apresenta um nível de confiança de 95% e uma margem de erro de dois pontos percentuais, refletindo um cenário ainda instável, mas repleto de expectativas.
ACERCA DEL CORRESPONSAL
REDACCIóN CENTRAL
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