
Há exatos dez anos o então todo poderoso ministro do Planejamento Romero Jucá foi flagrado em um áudio com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado discutindo como conter o avanço da Operação Lava–Jato, que fustigava a classe política e em 2018 levaria o presidente Lula a passar 580 dias na cadeia.
Pelos planos de Jucá, era preciso “estancar a sangria” provocada pelas investigações e colocar o maior número de agentes para frear as descobertas sobre o escândalo de corrupção na Petrobras. À certa altura, ele resume a extensão do pretendido acordão: “com o Supremo, com tudo”.
Os tempos são outros, mas um escândalo de proporções monumentais também tem despertado em parte do mundo político articulações para que tudo acabe em pizza. No fim de outubro, durante a ressaca da corrida presidencial e um dia depois de Daniel Vorcaro ser indiciado pelo maior crime financeiro da história do país, a defesa do banqueiro apresentou ao STF uma perícia particular que afirma que os dados armazenados no celular dele foram modificados desde que o aparelho foi apreendido pela Polícia Federal, no final do ano passado.
A senha não podia ser mais clara. Ao levantar a suspeita de que conversas comprometedoras com autoridades podem ser sido editadas ou adulteradas, os advogados do ex-dono do Master pavimentam caminho para pedir que toda a investigação seja anulada por supostos vícios na coleta de provas. Mas não é só.
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No início de outubro, o presidente do STF Edson Fachin pediu ao diretor-geral da Polícia Federal Andrei Rodrigues que produzisse um relatório com todas as menções a ministros do tribunal encontradas as apurações envolvendo o Master. Pelo que se sabe, em diferentes graus de gravidade há referências a Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques, André Mendonça e Luiz Fux. Isso não quer dizer que os ministros cometeram crimes ou que são suspeitos de ilícitos, mas entre interlocutores da Corte o pedido de um relatório amplo foi interpretado como saída para que todas as citações aos togados sejam arquivadas sem qualquer investigação.
As fraudes bilionárias do Banco Master e o sem-número de autoridades de alto calibre na lista de contatos de Daniel Vorcaro levaram o ex-banqueiro a tentar três vezes fechar um acordo de delação premiada. Um dos pontos mais sensíveis de qualquer eventual colaboração seria explicar seu relacionamento com o ministro Moraes, as conversas e pedidos de conselhos com o magistrado e a decisão de fechar um contrato de 131 milhões de reais com a esposa do juiz, Viviane Barci de Moraes.
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O Plenário do STF tentou julgar se abria ou não uma investigação para apurar eventuais irregularidades cometidas por Moraes, mas em uma sessão tumultuada o tribunal decidiu não decidir. Um pedido de vista do ministro Flávio Dino jogou a conclusão do caso para o próximo ano, mas, com a ordem para que a PF liste todos os integrantes da Corte citados, é provável que o assunto se arraste ainda mais e que todas as referências aos magistrados sejam analisadas em conjunto em meados de 2027.
A Procuradoria–Geral da República (PGR) já apresentou parecer pelo arquivamento do caso envolvendo Alexandre Moraes.
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https://veja.abril.com.br/politica/mencoes-a-ministros-no-caso-master-caminham-para-o-arquivo/
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