
Domínio das BaaS está no relatório da Fitch
A Fitch Ratings destaca em relatório publicado nesta sexta-feira que o Brasil representa o maior e mais avançado mercado de Banking-as-a-Service (BaaS) da América Latina, sustentado pelo pix, pelo open finance, por um arcabouço regulatório maduro e pelo uso extensivo de APIs. O México permanece um mercado grande e estratégico, enquanto Colômbia, Chile, Peru e Argentina encontram-se em diferentes estágios de desenvolvimento, o que reflete diferenças em infraestrutura, regulação e adoção digital.
Para a agência de classificação de risco de crédito, os provedores BaaS tornaram-se uma parte cada vez mais importante da infraestrutura financeira da América Latina e aprimoram a eficiência de mercado, a integração e a inclusão financeira dos clientes.
Em novembro do ano passado, o Banco Central do Brasil (BCB) e o Conselho Monetário Nacional (CMN) regulamentaram a prestação de serviços no modelo BaaS. Com ele, empresas de diversos segmentos econômicos (tomadoras de serviços de BaaS) disponibilizem serviços financeiros e de pagamento a clientes por meio da integração com a infraestrutura de instituições autorizadas a funcionar pelo BCB (prestadoras de serviços de BaaS). A norma entrou em vigor logo que foi regulamentada, mas a adequação de contratos vigentes que tenham compatibilidade com os modelos regulamentados pode ser feita até 31 de dezembro deste ano.
O relatório da Fitch observa a maturidade desigual do mercado e que o aumento de escala elevou os riscos operacionais, cibernéticos, de fraude e regulatórios. “Controles robustos, credibilidade da regulação e economia sustentável devem se tornar diferenciais competitivos mais importantes à medida que o setor amadurece”.
Pagamentos, contas digitais, cartões, infraestrutura de crédito, open finance e gestão de caixa sustentam a proposta de valor do setor. À medida que o diferencial competitivo da diversidade de produtos diminui, a escala ajuda os provedores a absorver os crescentes custos de tecnologia, compliance, cibersegurança e controle de fraudes. “No entanto, a dependência de um número limitado de parceiros, produtos ou setores pode aumentar a volatilidade dos resultados e o risco de interrupção dos negócios”, cita o relatório.
Falhas operacionais ou de controle também podem se traduzir em perdas de crédito, estresse de liquidez e danos reputacionais. Ambientes de pagamento instantâneo podem acelerar a pressão de liquidez após fraudes, interrupções operacionais ou ações regulatórias, sobretudo quando os saldos de clientes apresentam alta concentração.
O relatório finaliza ressaltando que a regulação deve reforçar a diferenciação de mercado, ao mesmo tempo em que aprimora a proteção de dados e a resiliência dos participantes do mercado. “Maiores custos regulatórios e de compliance podem favorecer os grandes provedores, com maior escala e estruturas mais verticalmente integradas, o que pode acelerar a consolidação do setor”.
https://monitormercantil.com.br/brasil-maior-e-mais-avancado-mercado-de-nao-bancarios-da-al/
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