
Já viram aqueles relógios inteligentes ou aplicativos de celular que monitoram o sono? Eles são uma mão na roda: mostram quantas horas a pessoa dormiu, se se mexeu muito na cama, se acordou de madrugada e por aí vai. Só que todos esses dados, que podem ajudar a identificar sinais que merecem ser investigados, também deram origem a um novo comportamento na sociedade: a preocupação excessiva com o sono perfeito. E isso já tem nome: ortossonia.
O termo foi introduzido pela primeira vez na literatura científica em 2017, em um artigo publicado no Journal of Clinical Sleep Medicine, periódico oficial da Academia Americana de Medicina do Sono (AASM, na sigla em inglês). O trabalho apresentou três casos clínicos de pacientes preocupados com os dados de seus rastreadores de soneca.
“A ortossonia não é reconhecida ainda como uma doença, mas é um fenômeno cada vez mais comum em função das tecnologias que medem o sono de uma forma que a gente não conseguia medir anteriormente”, explica Geraldo Lorenzi Filho, pneumologista, médico do sono e diretor do Núcleo Interdisciplinar da Ciência do Sono e do Laboratório do Sono do Instituto do Coração (InCor/USP).
Sinais de alerta para ortossonia
Existem alguns sinais de alerta que mostram que o monitoramento deixou de ser saudável e pode afetar a saúde mental. A psicóloga Bárbara Araújo Conway, mestre em ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e coordenadora do Núcleo de Psicologia do Sono da Academia Brasileira do Sono (ABS), elencou os principais:
- ter pensamentos frequentes do tipo “se eu não dormir oito horas, meu dia está perdido”;
- achar que qualquer cansaço ou irritação durante o dia é culpa da noite anterior;
- começar a se preocupar com a noite ainda à tarde;
- confiar mais nos dados do relógio do que na própria sensação ao acordar;
- checar os dados dos aplicativos várias vezes, especialmente logo ao acordar;
- ficar mais tempo na cama para melhorar os números;
- ter rituais antes de dormir cada vez mais longos e rígidos;
- cancelar compromissos ou evitar viagens e eventos à noite por medo de dormir mal;
- usar suplementos ou medicamentos por conta própria e pesquisar sobre sono constantemente.
Ortossonia pode virar insônia
A ortossonia não é insônia. No entanto, o monitoramento excessivo pode ser um fator a desencadear o distúrbio, de acordo com Lorenzi Filho.
“Ela é um passo na direção da insônia, que é uma queixa de dificuldade de iniciar ou de manter um sono de boa qualidade ou acordar muito mais cedo do que gostaria”, afirma.
No Brasil, cerca de 3 em cada 10 adultos apresentam sintomas de insônia, segundo o Vigitel, levantamento do Ministério da Saúde divulgado no início de 2026. O estudo identificou que 31,7% dos entrevistados relataram dificuldades para dormir, despertares frequentes durante a noite ou acordar antes do horário desejado sem conseguir voltar a dormir.
O que fazer?
Para os especialistas, as pessoas precisam cuidar do sono sem transformá-lo em obrigação, tendo sempre em mente que não é possível fabricar sono com esforço, mas sim criar condições favoráveis para que ele aconteça.
“Digo que o sono é como um gato. Você chama o cachorro, o cachorro vem. Você chama o gato, mas ele não necessariamente vem. Você tem que criar as condições para o gato vir. O mesmo vale para o sono”, exemplifica o pneumologista.
Se o monitoramento excessivo persistir por semanas ou estiver atrapalhando a vida, a recomendação é procurar um profissional da área do sono.
Terapia também ajuda
A terapia cognitivo-comportamental para insônia também pode ajudar. Basicamente, esse tipo de tratamento psicológico foca naquilo que mantém a dificuldade para dormir, como os pensamentos e os comportamentos que a pessoa desenvolve.
“Na prática, o tratamento costuma identificar os fatores de precipitação e perpetuação da insônia, identificar o que desencadeou a dificuldade e, principalmente, o que a mantém hoje, como por exemplo a preocupação excessiva, o esforço para dormir e os hábitos criados para compensar as noites ruins”, diz Conway.
O acompanhamento psicológico, ainda segundo a especialista, também envolve explicar como o sono funciona, o que são os ritmos biológicos, fases do sono, por que o organismo tolera bem noites ruins ocasionais, entre outros. Além disso, trabalha mudanças de comportamento, redução dos rituais de controle e técnicas de relaxamento, como respiração lenta.
Como melhorar o sono sem buscar a “noite perfeita”
De acordo com os especialistas, algumas formas de criar condições favoráveis ao sono, sem cair no monitoramento excessivo, são: manter um horário regular para acordar; tomar um pouco de sol pela manhã; ir para a cama quando sentir sono; e ter uma rotina tranquila à noite, sem regras rígidas.
Se o sono não vier ou a ansiedade aparecer, vale levantar, fazer algo relaxante e voltar quando estiver sonolento. Também é importante evitar café e outros estimulantes à tarde e à noite, reservar um momento para organizar as preocupações e seguir o dia normalmente, mesmo depois de uma noite ruim.
https://drauziovarella.uol.com.br/neurologia/ortossonia-entenda-a-obsessao-por-monitorar-e-melhorar-o-sono/
ACERCA DEL CORRESPONSAL
REDACCIóN CENTRAL
Prensa Mercosur es un diario online de iniciativa privada que fue fundado en 2001, donde nuestro principal objetivos es trabajar y apoyar a órganos públicos y privados.
- ★Bella Vista: la Policía recuperó una motocicleta que había sido robada
- ★Argentina — Bancos cerrados por cinco días seguidos: fechas y cómo operar
- ★River visita a Aldosivi con el objetivo de asegurar la localía en los playoffs del Torneo Clausura
- ★Ortossonia: entenda a obsessão por monitorar e melhorar o sono
- ★8 mitos sobre câncer de mama

