Priscila Ramos recebeu um boleto, via WhatsApp, no valor R$ 299,00, referente a uma prestação supostamente não quitada em uma loja da cidade. Ela pagou para somente, dias depois, descobrir que havia pago duas vezes pela mesma conta.
“Eu cai no golpe porque paguei sem nem pensar, mas depois me pus a raciocinar que de grão em grão, a galinha enche o papo. Imagina quanto dinheiro os caras levam desse jeito”, argumenta.

Foto: REPRODUÇÃO
O caso envolvendo a profissional da educação está inserido em uma modalidade crime que explodiu desde a pandemia: o estelionato.
Canoas registrou, de janeiro a setembro de 2026, um total de 2.687 ocorrências de estelionato, segundo a Secretaria Estadual de Segurança Pública.
O montante de registros representa uma média de, pelo menos, dez pessoas vítimas de golpes diariamente na cidade.
Mesmo com o índice alto apontado pelo Estado, o número responde por uma redução de 14% no comparativo com 2025, quando, em período homólogo, houve 3.125 casos.
Os golpes variam, é claro. E há quem perca muito dinheiro com os crimes.
Na semana passada, a delegada Luciane Bertoletti coordenou uma nova operação mirando falsários que, em um único golpe, geraram o prejuízo de R$ 300 mil a uma vítima.
Os criminosos presos em São Paulo haviam montado até uma base de operações de modo a simular ambientes de negociação reais para garantir a fidelidade das transações.
Uma autoridade da Polícia Civil quando o assunto é estelionato, Luciane explica que os crimes são cíclicos. Isso porque os criminosos seguem ondas.
“Já fizemos uma série de operações levando para a cadeia os responsáveis por aplicar golpes dos nudes, o que causou a diminuição dos crimes”, explica. “Agora, notamos que aumentou aqueles pedidos de Pix com urgência por parte de amigo ou parente. As ocorrências chegam diariamente.”

Foto: Paulo Pires/GES
Proximidade
Além de criminosos que montam macroestruturas, com escritórios alugados, inclusive, para lesar vítimas com chamadas virtuais a quilômetros de distância, há os pequenos golpistas que agem “perto de casa”.
Na última quinta-feira (26), uma investigação conduzida pela 1ª Delegacia de Polícia de Canoas levou à cadeia uma suposta corretora de imóveis que se valia de documentos de idosos para abrir contas e pedir empréstimos.
“Ela pegava documentos durante as visitas”, explicou o delegado Marco Guns. “Então, abria contas em agências, pedia cartões e contraía empréstimos, sem as vítimas nem saberem das dívidas.”

Foto: PAULO PIRES/GES
Saiba mais
Em 2025, o Brasil contabilizou 2.261.055 ocorrências de estelionato, abrangendo tanto modalidades tradicionais quanto digitais.
Este número representa um crescimento impressionante de 429,8% em comparação a 2018, início da série histórica destacado no 20° Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
A explosão de casos reflete-se na percepção de segurança da população: cerca de 83,2% dos brasileiros afirmam temer ser vítimas de fraudes por internet ou celular.
Confira orientações para se proteger contra crimes de estelionato:
1) Evitar expor localização
Em um mundo em que as redes sociais e os likes ditam comportamentos, é preciso evitar se expor excessivamente, restringindo as informações a parentes e amigos.
“Não dá para a pessoa postar a localização em um perfil aberto a todos”, explica a delegada Luciane Bertoletti. “Isso é um gesto perigoso, porque bandido também monitoram redes sociais.”
2) Ostentação atrai atenção
Também a ostentação de artigos de luxo ou mesmo bens e imóveis de alto poder aquisitivo nas redes sociais pode ser um chamariz para criminosos em busca de vítimas.
“A pessoa conseguiu adquirir um bem ou imóvel, que tente limitar a compra a um grupo seguro de amigos e parentes, porque a exposição em excesso atrai atenção de criminosos.”
3) Desconfiar de promoções
“Se a esmola é demais, o santo desconfia”, diz o ditado popular. A máxima deve ser usada por pessoas tentadas a investir em algo atrativo demais para ser verdadeiro.
“Ao observar qualquer facilidade em uma compra, desconfie”, alerta. “Ninguém está na internet para jogar dinheiro pela janela e, se a compra for muito abaixo do mercado, é preciso suspeitar.”
4) Paixões à primeira vista
Diante dos relacionamentos criados no meio virtual, é preciso ter atenção, principalmente, com as paixões fulminantes, após uma noite trocando mensagens.
“Se a pessoa se apaixona rápido demais no meio virtual, é preciso ligar o alerta”, afirma Luciane. “Tem que desconfiar, porque não é comum ao ser humano. Pode ser só um golpista do outro lado do teclado.”
5) Transferências seguras
Ao transferir qualquer soma, é preciso conhecer seguramente o destinatário. Isso porque os criminosos se valem da distração para encaminhar dados falsos.
“Vai fazer alguma transferência? Então, assegure-se de que aquele código de barras é daquele banco ou empresa. Não dá para sair pagando qualquer boleto em 2025.”
6) Idosos precisam de ajuda
É recomendado aos idosos procurar auxílio para movimentar valores por meio de contas digitais. E caso a relação da pessoa seja com bancos digitais, o cuidado deve ser em dobro.
“Os idosos devem solicitar o auxílio de um parente próximo ou amigo antes de movimentar qualquer valor. Embora não os únicos, são os principais alvos dos golpistas”, reforça.
https://www.abcmais.com/policia/eu-cai-no-golpe-porque-paguei-sem-pensar-crimes-de-estelionato-reduzem-14-em-canoas/
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