
A paixão pela dança começou cedo, aos quatro anos de idade, quando deu os primeiros passos no balé. Ao longo de nove anos de formação, a bailarina Ana Barreto descobriu que o palco era mais do que um espaço de apresentação.
“Lembro de uma vez em que estava no palco e senti que aquele era um dos meus lugares preferidos no mundo. Desde então, fui me comprometendo cada vez mais com a dança para continuar vivendo aquele sentimento”, contou.
A experiência marcou o início de uma trajetória que, anos depois, se transformaria em profissão, propósito artístico e compromisso com a cultura de Guarujá. Hoje, à frente da Cia Barrê de Dança, a artista desenvolve um trabalho que une criação, formação e inclusão, com o objetivo de ampliar o acesso à dança e levar espetáculos a diferentes espaços da Cidade.
Para Ana, a dança representa uma forma de expressão e transformação social: “A dança é tudo na minha vida hoje. Além de ser minha profissão, é o momento em que consigo me conectar comigo mesma e me expressar. Muitas pessoas me inspiraram ao longo da minha trajetória, mas a principal foi minha grande mestra, Dinah Perry, uma bailarina e diretora incrível, com quem tive o privilégio de trabalhar e aprender muito sobre a arte de ensinar e sobre a dança profissional”, lembrou.
Uma companhia que nasceu de uma oportunidade
A ideia de criar uma companhia de dança já fazia parte dos planos da artista, embora ainda não estivesse definido onde o projeto seria desenvolvido:
“Sempre tive vontade de ter uma companhia, só não sabia se seria em Guarujá. Durante a pandemia, eu estava morando em São Paulo e acabei voltando para cá. Nesse retorno, vi uma oportunidade de começar a companhia no período pós-pandemia, momento em que as pessoas estavam sedentas por trocas reais, arte e espetáculos presenciais”, explicou.
A decisão de investir na Cidade também foi motivada pela percepção do potencial cultural do Município, para além de sua conhecida vocação turística.
Ao encontrar um movimento cultural engajado, a bailarina enxergou a possibilidade de contribuir para a cena artística local por meio de espetáculos apresentados não apenas nos teatros, mas também nas praças e em outros espaços públicos.
“É uma maneira de fortalecer a cultura e criar oportunidades para que mais pessoas conheçam e vivenciem a produção artística realizada na própria Cidade. Essa é a minha forma de contribuir para uma cultura mais viva, forte e potente no nosso município”, ressaltou Ana.
Dança para todos os corpos
A Cia Barrê de Dança trabalha principalmente com dança contemporânea e dança-teatro. Uma das características do projeto é reunir bailarinas profissionais e pessoas iniciantes, trabalhando com uma grande diversidade de corpos:
“Sempre acreditei que a dança é para todos, independentemente da experiência ou das características físicas. Mostrar isso por meio do nosso trabalho é uma das minhas grandes missões e motivações”, pontuou.
Formação de público é um dos principais desafios
Manter uma companhia de dança independente envolve desafios que vão além da criação coreográfica. No início da trajetória, uma das principais dificuldades foi despertar o interesse do público:
“Depois de quatro anos de muito trabalho, conseguimos construir uma formação de público fiel, que cresce a cada espetáculo. É uma luta contínua para aproximar a população dos espetáculos produzidos pelos artistas da nossa Cidade”, ponderou.
Ao longo da sua carreira, Ana vem transpondo todos os obstáculos e se mantém motivada. “Somos uma companhia muito jovem e ainda temos muita estrada pela frente. Estamos construindo nossa trajetória, aprendendo e descobrindo novas possibilidades a cada trabalho”, comemorou.
Os projetos futuros incluem ampliar a visibilidade da Cia Barrê de Dança, não apenas no Guarujá, mas em toda a Baixada Santista e no estado de São Paulo:
“Quero que nossos trabalhos alcancem novos públicos, circulem por outros espaços e fortaleçam cada vez mais a presença da companhia no cenário cultural”, contou.
Lei Paulo Gustavo e Política Nacional Aldir Blanc
Entre as conquistas que mais marcaram a trajetória da Cia Barrê de Dança estão a aprovação de projetos em editais vinculados à Lei Paulo Gustavo e à Política Nacional Aldir Blanc:
“Por meio desses recursos, conseguimos transformar projetos em espetáculos e experiências reais para o público. Isso mostra a importância das políticas de incentivo à cultura, que possibilitam a realização de trabalhos que, muitas vezes, não seriam viáveis sem esse apoio”, ressaltou.
Dedicação
Diariamente, a bailarina, artista e professora, procura despertar nos alunos o amor pela dança: “É uma construção diária de comprometimento, entrega e paixão. A cada aula, os alunos descobrem algo novo sobre o próprio corpo e sobre a dança. Aos poucos, percebem que esse aprendizado é um trabalho contínuo, uma pesquisa que pode durar a vida inteira”.
Com a Cia Barrê de Dança, Ana Barreto busca consolidar essa visão e fortalecer a presença da dança na vida cultural de Guarujá: “Ver um aluno evoluir e conquistar seu espaço é a maior prova de que estou no caminho certo. Mostra que estou alinhada aos meus valores e à minha missão. Isso também me motiva a continuar ensinando, pesquisando e criando oportunidades por meio da dança”.
E deixa uma mensagem: “Gostaria de deixar o legado de que é possível realizar sonhos, de que a dança é uma profissão e de que ela é para todos os corpos. Quero contribuir para que as próximas gerações encontrem mais oportunidades. Acreditem no próprio potencial e entendam que é possível construir uma trajetória artística sem precisar abrir mão de suas origens e de sua identidade”, finalizou.
Fonte e crédito da imagem: Prefeitura Municipal de Guarujá
https://portaltvportuguesa.com.br/da-infancia-aos-palcos-bailarina-transforma-paixao-pela-danca-em-projeto-cultural-no-guaruja/
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