
Os 0,1% mais ricos do mundo, cerca de 8 milhões de pessoas, produzem mais poluição por carbono do que os 3,5 bilhões mais pobres somados e ainda lucram com os desastres climáticos que ajudam a provocar. A conclusão é do novo relatório O Fosso das Catástrofes, publicado pela Oxfam Internacional em 27 de outubro, antes da cúpula climática da ONU (COP31), prevista para novembro na Turquia. O estudo combina dados de desigualdade de carbono com modelos de atribuição climática para demonstrar que a crise não é um fardo compartilhado: é uma injustiça fabricada por uma minoria e paga pela maioria.
O impacto desproporcional dos super-ricos
Os números levantados pela Oxfam Internacional desfazem qualquer narrativa de responsabilidade coletiva difusa. Os 1% mais ricos são responsáveis por 20% do aquecimento global registrado desde 1990, emitindo, por pessoa, 100 vezes mais carbono do que alguém da metade mais pobre da humanidade. No topo extremo da pirâmide, a desproporção é ainda mais brutal: uma pessoa entre os 0,1% mais ricos contribuiu quase 400 vezes mais para as ondas de calor extremas do que alguém do grupo dos 50% mais pobres.
A aviação privada sintetiza bem essa equação. Segundo a Oxfam, os jatos particulares utilizados por essa elite emitem mais carbono em dois segundos do que uma pessoa da metade mais pobre da humanidade emite em um ano inteiro. Coletivamente, os 0,1% mais ricos produzem mais de três vezes a poluição por carbono de toda a população da África Subsaariana, cerca de 1,3 bilhão de pessoas. São dados que tornam insustentável qualquer apelo à “responsabilidade compartilhada” sem antes nomear quem, de fato, está no centro do problema.
Lucro com a destruição: o Índice Destruir e Reconstruir
A Oxfam foi além do diagnóstico de emissões e mapeou um ciclo que a organização chama de “capitalismo de desastre”. Para isso, criou o Índice Destruir e Reconstruir (Destroy & Rebuild Index), que identificou 217 empresas que lucram simultaneamente com setores que impulsionam o colapso climático e com atividades de preparação, resposta e reconstrução pós-desastres. O mesmo capital que financia a destruição cobra para limpar os escombros.
O peso financeiro por trás dessas empresas é revelador. As gestoras de ativos BlackRock e Vanguard têm investimentos em 92% das 217 companhias do índice, somando mais de US$ 1 trilhão em aplicações, segundo a Oxfam. Em 2025, essas empresas registraram faturamento médio de US$ 1,8 bilhão e distribuíram mais de US$ 1 bilhão em dividendos aos acionistas. O mercado global de recuperação e reconstrução pós-desastres, que já movimenta US$ 70 bilhões por ano, deve alcançar US$ 92 bilhões anuais até 2029. Quanto mais o clima se desestabiliza, mais rentável se torna o setor.
Quem paga a conta da crise climática
A assimetria entre quem polui e quem sofre as consequências é o dado mais grave do relatório. Segundo a Oxfam, apenas um ano de emissões dos 1% mais ricos causará 1,9 milhão de mortes adicionais relacionadas ao calor. Dessas mortes, 78% ocorrerão em países de renda baixa e média-baixa, que são responsáveis por apenas 8% das emissões globais. Os danos econômicos projetados chegam a quase US$ 53 trilhões até 2050.
O relatório também aponta que, em países com elevados níveis de desigualdade social, a taxa de mortalidade por enchentes e inundações é sete vezes maior do que em nações menos desiguais. A precariedade das moradias, a falta de saneamento básico e a ausência de reservas financeiras reduzem drasticamente a capacidade de proteção e recuperação das comunidades mais vulneráveis. Até 2050, estima-se que até 1 bilhão de pessoas possam ser deslocadas pela crise climática, principalmente no Sul Global. Enquanto isso, os super-ricos compram segurança: bunkers, equipes privadas de combate a incêndios e seguros exclusivos, conforme descreve o próprio relatório.
“A crise climática é frequentemente descrita como um desafio humano compartilhado. Mas não é. Aqueles que menos contribuíram para causá-la estão perdendo suas casas, suas colheitas e, cada vez mais, suas vidas. Enquanto isso, os super-ricos podem comprar sua segurança. Isso não é uma tragédia de destino compartilhado; é um crime de desigualdade extrema”, afirmou Amitabh Behar, diretor executivo internacional da Oxfam.
Um apelo por justiça climática antes da COP31
A Oxfam publicou o relatório a menos de duas semanas antes da abertura da COP31, na Turquia, marcada para entre 9 e 20 de novembro. O objetivo é pressionar governos a responsabilizar os grandes poluidores antes que as negociações climáticas se percam em compromissos vagos. A organização pede que os Estados façam os maiores emissores pagarem pelos danos causados e ponham fim ao lucro obtido com a crise.
As propostas concretas incluem a cobrança de impostos sobre grandes fortunas, sobre empresas de combustíveis fósseis e sobre bens de luxo com alta pegada de carbono, como jatos particulares. A Oxfam também defende mais financiamento climático para países vulneráveis, com prioridade para doações e recursos públicos, além da ampliação dos investimentos em adaptação. A lógica é direta: se os super-ricos geraram o problema de forma desproporcional, a conta não pode ser dividida igualmente com quem mal contribuiu para ela.
https://revistaforum.com.br/meio-ambiente-e-sustentabilidade/mais-ricos-poluem-mais-metade-humanidade/
ACERCA DEL CORRESPONSAL
REDACCIóN CENTRAL
Prensa Mercosur es un diario online de iniciativa privada que fue fundado en 2001, donde nuestro principal objetivos es trabajar y apoyar a órganos públicos y privados.
- ★Encuentro Nacional de Comunicación Social: comienza hoy con paneles e investigaciones
- ★Cuba — Alarma por un incendio de camiones cisterna en una estación de servicio sobre Ruta 12
- ★Dolor, y reclamo de justicia: Esquina despide a Nanci Godoy con un funeral en la plaza
- ★Se confirmó el pago del plus unificado de noviembre para la administración pública
- ★SINE Itabira oferece 76 vagas de emprego nesta quarta-feira

