

A França se prepara para uma nova semana de mobilizações, após os atos de sábado (31) contra o alto custo de vida e por melhores condições de estudo no ensino médio. Uma jornada nacional de greves e manifestações está marcada para quinta-feira (5). Neste domingo (1º), o movimento estudantil “Les Lycéens!” convocou o bloqueio de escolas a partir de segunda-feira (2).
Pierre Sourzat, presidente do grupo Les Lycéens!, disse à rádio RMC que os estudantes não estão satisfeitos com as medidas anunciadas pelo governo. Segundo ele, os alunos não voltarão às aulas apenas porque o presidente afirmou tê-los ouvido. Sourzat declarou que os bloqueios servirão para causar transtornos e prolongar a mobilização, e criticou o que chamou de “política de fachada”.
Entre as propostas do governo estão substituir a plataforma de acesso ao ensino superior Parcoursup até 2028, criar 15 mil vagas universitárias, reajustar bolsas estudantis pela inflação e contratar professores e profissionais de apoio. Também foi anunciada a redução do número de alunos por turma no ensino médio. A União Sindical dos Estudantes Secundaristas e a União Estudantil mantiveram mobilizações para terça-feira (3) e quinta-feira (5), quando haverá greve nacional nos setores público e privado. A CGT pede aumento do salário mínimo e dos vencimentos dos servidores e dos trabalhadores em geral.
O Ministério do Interior informou que 320 mil pessoas participaram dos protestos de sábado em todo o país, sendo 70 mil em Paris. Os organizadores estimaram 500 mil manifestantes, incluindo 200 mil na capital. Ao todo, 779 pessoas foram detidas. Até as 20h GMT (17h em Brasília), 565 tinham sido presas e 116 agentes de segurança ficaram feridos; depois desse horário, durante a noite de Halloween, houve mais 214 detenções e 43 policiais feridos.
Em cidades como Bordeaux, Toulouse, Rennes, Lille, Nantes, Marselha e Lyon, grupos radicais tentaram avançar para áreas centrais para cometer vandalismo e saques, mas foram contidos, segundo o ministério. Em Marselha, houve 18 detenções, 19 policiais levemente feridos, uma tentativa frustrada de arrombamento e danos às fachadas de três lojas. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, afirmou que o esquema de segurança permitiu realizar as manifestações e impedir distúrbios.
A CCI France informou que 20 lojas foram afetadas no sábado, ante 50 em 24 de outubro e 2.488 em 17 de outubro. O faturamento de estabelecimentos próximos aos atos caiu entre 60% e 80% em relação a um sábado normal, e as reservas hoteleiras da semana recuaram 20%. Para apoiar o comércio, empresas com faturamento anual inferior a € 10 milhões e menos de 50 funcionários poderão receber até € 10 mil em auxílio direto.
Também foram liberados fundos emergenciais de € 13 milhões para Paris e sua região metropolitana, € 12 milhões para Marselha e sua metrópole e € 25 milhões para Lyon e Auvergne-Rhône-Alpes. A Bpifrance oferece empréstimos a juros zero de até € 50 mil a comerciantes afetados. Os prejuízos se somam aos impactos dos protestos dos coletes amarelos, da pandemia de Covid–19, da guerra na Ucrânia e da perda de poder de compra.
Em Paris, foi aberta uma investigação por tentativa de homicídio contra agentes da autoridade pública após um coquetel molotov ser lançado contra gendarmes. O artefato explodiu perto de um agente, que sofreu queimaduras leves; cerca de 15 gendarmes e policiais teriam sido alvo de explosivos. Marine Le Pen e Bruno Retailleau condenaram o episódio. Iniciado em setembro por reivindicações de mais recursos para a educação, o movimento também chegou à Alemanha, onde dezenas de milhares protestaram no sábado, e à Itália, onde centenas de milhares de estudantes e trabalhadores foram às ruas na sexta-feira.
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