
A Embrapa Pantanal (MS) desenvolveu um modelo de galinheiro para comunidades indígenas terenas, com capacidade para 100 aves e custo de R$ 18 mil. A iniciativa busca melhorar a produção de ovos e reduzir o risco de doenças, como a gripe aviária.
As instalações e os procedimentos sanitários estão detalhados no Comunicado Técnico 125, publicado pela Embrapa em 2026. O documento traz estruturas para reduzir o contato com animais silvestres e facilitar o manejo sanitário.
O trabalho também inclui rações alternativas à base de moringa e mandioca, que podem substituir até metade do milho e do farelo de soja usados na alimentação das aves.
Com recursos da Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul), foram comprados materiais para quatro módulos. Um deles, de uso coletivo, já foi concluído na Terra Indígena Taunay–Ipegue, com mão de obra da própria comunidade.
A iniciativa reúne a Agraer, a Embrapa Pantanal e comunidades terenas de Aquidauana (MS).
A integração entre a saúde humana, animal e ambiental constitui a base do conceito de Saúde Única e contribui para proteger as comunidades tradicionais, além de fortalecer a vigilância em saúde.
Para a pesquisadora Adriana Araújo, também responsável pelo projeto, a capacitação cobre prevenção de doenças, cuidados sanitários, qualidade dos ovos e construção de instalações que afastam animais silvestres.
O risco que o galinheiro tenta evitar
O galinheiro mira a categoria de ave mais exposta à gripe aviária no Brasil, a de quintal. Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária mostram 188 casos confirmados de influenza aviária no país desde maio de 2023, 14 deles em aves domésticas.
Outros 173 casos foram confirmados em aves silvestres, incluindo um registrado em agosto num irerê do Parque Ibirapuera, em São Paulo. Só 1 caso atingiu uma granja comercial, no Rio Grande do Sul, em maio de 2025.
A diferença é que o galinheiro da Embrapa tenta agir antes do problema aparecer nas aldeias. Ele afasta as aves domésticas do contato com as silvestres, a principal via de contágio.
O que acontece agora
Dos quatro módulos financiados pela Fundect, só o coletivo, na Taunay–Ipegue, está pronto. Os outros três módulos individuais ainda aguardam conclusão, sem data divulgada pela Embrapa.
O projeto também valoriza um costume antigo do povo Terena. O artesanato tradicional usa penas de galinha, e a criação de aves já fazia parte da vida nas aldeias antes do novo modelo chegar. A iniciativa busca formalizar essa prática, não substituí-la.
A Embrapa também tem investido em parcerias para a agricultura familiar fora do Pantanal. Em outubro, a estatal fechou acordo com a China para usar inteligência artificial no setor.
Outras políticas tentam fechar lacunas parecidas em território indígena. Em junho, o Ministério Público Federal acionou a Justiça para garantir psicólogos em comunidades indígenas no Amazonas.
https://tvsimbrasil.com.br/ms/aquidauana/saude/noticia/2026/10/31/embrapa-galinheiro-aldeias-indigenas-pantanal
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