
247 – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado no segundo turno da eleição presidencial, afirmou nesta sexta-feira (30) que sua decisão de deixar o Brasil e viajar para os Estados Unidos não representa um sinal de fraqueza. Em uma transmissão ao vivo nas redes sociais, o parlamentar também voltou a levantar suspeitas sobre o resultado eleitoral, sem apresentar provas de irregularidades, e mencionou a possibilidade de uma nova disputa pela Presidência antes de 2030.
As declarações foram feitas durante uma transmissão de aproximadamente 20 minutos no Instagram. Na live, Flávio Bolsonaro, que deixou o país após a derrota eleitoral, relatou ter decidido viajar para os Estados Unidos depois de conversar com sua mulher, Fernanda Bolsonaro. O senador também agradeceu aos apoiadores pelos cerca de 60 milhões de votos recebidos no segundo turno.
Ao comentar seu futuro político, Flávio indicou que pretende continuar atuando para voltar a disputar a Presidência da República. O parlamentar afirmou que o resultado das urnas lhe deu disposição para enfrentar novos desafios e sugeriu que uma nova eleição poderia ocorrer antes do calendário presidencial previsto para 2030.
“Isso me dá muita força, muita consciência ter ainda mais coragem para enfrentar o que tiver que enfrentar, se preciso for, para resgatar, para salvar o nosso país, para disputar mais uma eleição para presidente da República. Eu não estou falando de 2030, não, eu estou falando de antes disso”, disse.
Flávio Bolsonaro justifica saída do Brasil
Durante a transmissão, o senador também procurou justificar sua decisão de deixar o território brasileiro depois da derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Flávio Bolsonaro afirmou que havia analisado o cenário político e concluído que precisava tomar uma decisão diante dos acontecimentos que previa.
“Falei que eu não me submeteria a isso. Isso não é nenhum sinal de fraqueza não, gente. Eu posso ser tudo menos burro. Eu soube fazer análise de cenário e entendi onde é que eles chegariam e rápido mais rápido que eu imaginava”, afirmou.
O senador também voltou a insinuar a existência de fraude no resultado eleitoral, mas não apresentou elementos que sustentassem a suspeita. Durante a transmissão, o senador afirmou que determinados acontecimentos registrados nas eleições não poderiam ser explicados matematicamente sem uma suposta interferência no processo eleitoral.
“Muitas coisas estão sem explicação dessas eleições matematicamente impossíveis de terem ocorrido no mundo real sem que houvesse como eu falei algum gol de mão”, declarou.
Apesar da acusação, Flávio não apresentou números, documentos ou outros elementos capazes de demonstrar a existência de irregularidades na votação ou na apuração dos votos.
O parlamentar também voltou suas críticas ao STF, atribuindo à Corte uma atuação política e utilizando esse argumento para justificar sua decisão de permanecer nos Estados Unidos após a derrota presidencial.
“A gente tá falando de uma atuação política partidária na mais alta Corte desse país. Então, é aquela situação que você não tem a quem recorrer caso você se sinta vítima de uma injustiça. Eu acho que até muitos de vocês estão me assistindo aqui agora se coloca no meu lugar e talvez tivessem tomado a mesma iniciativa”, afirmou.
Coordenador da campanha admite que não há provas de fraude
As suspeitas levantadas por Flávio Bolsonaro contrastam com o posicionamento de integrantes de seu próprio partido. Na quarta-feira (28), o senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e coordenador da campanha presidencial do candidato derrotado, reconheceu que a legenda não dispõe de provas para sustentar acusações de fraude eleitoral.
“O PL não pode fazer essa afirmação porque não tem prova nesse sentido”, declarou Marinho.
O senador também classificou as manifestações de Flávio como um desabafo após a derrota nas urnas.
Prorrogação da votação foi usada para contestar resultado
Um dos principais argumentos utilizados por Flávio Bolsonaro para questionar a eleição foi a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que permitiu a continuidade da votação até as 19h nas seções eleitorais que ainda estavam abertas às 17h.
O senador mencionou a medida na carta divulgada após sua chegada aos Estados Unidos, associando a prorrogação a supostas irregularidades no processo eleitoral.
Os dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), entretanto, não sustentam essa interpretação. Segundo a Justiça Eleitoral, apenas 34.393 votos foram registrados depois das 17h.
Esse contingente representa aproximadamente 0,78% da diferença de votos entre Lula e Flávio Bolsonaro, insuficiente para alterar o resultado da disputa, mesmo na hipótese de todos esses votos terem sido destinados ao candidato derrotado.
Lula venceu por mais de 4,4 milhões de votos
O presidente Lula conquistou a reeleição no segundo turno realizado em 25 de outubro, com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos.
Flávio Bolsonaro recebeu 59.826.041 votos, correspondentes a 48,21%. A vantagem do presidente reeleito foi de 4.430.191 votos.
A diferença registrada na apuração é mais de 128 vezes superior ao total de votos contabilizados após as 17h, horário inicialmente previsto para o encerramento da votação.
Carta divulgada nos EUA passou por alterações
A nova manifestação de Flávio ocorreu dois dias depois de sua chegada a Miami. O senador deixou o Brasil na quarta-feira (28), três dias após a derrota presidencial, e anunciou que pretende liderar a oposição ao governo Lula a partir dos Estados Unidos.
Na carta divulgada naquele dia, o parlamentar contestou a legitimidade do resultado eleitoral e inicialmente reivindicou para si a condição de “verdadeiro presidente eleito do Brasil”.
O documento, porém, sofreu alterações ao longo da quarta-feira. A expressão foi retirada de uma versão posterior, na qual Flávio passou a se apresentar como “líder do Brasil”.
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