
247 – O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está isolado em sua resistência a reconhecer o resultado das eleições brasileiras. Diante do reconhecimento da vitória de Lula por instituições nacionais, partidos políticos e lideranças internacionais, o Palácio do Planalto considera que não há espaço para contestar a legitimidade do processo eleitoral e descarta, neste momento, qualquer reação diplomática às manifestações do governo norte-americano.
Auxiliares de Lula entendem que a vitória do presidente brasileiro, com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, enfraqueceu as tentativas de questionamento do resultado. Lula recebeu mais de 64 milhões de votos, superando o adversário por aproximadamente 4,4 milhões.
O resultado foi reconhecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por representantes dos Poderes, observadores internacionais e partidos políticos brasileiros, incluindo o PL, legenda de Flávio Bolsonaro.
No cenário internacional, além dos Estados Unidos, Argentina e Israel ainda não haviam reconhecido oficialmente a vitória de Lula. O presidente argentino, Javier Milei, foi o único chefe de Estado sul-americano a não cumprimentar o brasileiro. Outros governantes de direita, como Santiago Peña, do Paraguai, e Daniel Noboa, do Equador, reconheceram o resultado.
Trump evita reconhecer vitória de Lula
Na quinta-feira (29), Trump voltou a criticar as eleições brasileiras, classificando o pleito como uma “desgraça”. O presidente norte-americano afirmou que pretende conversar com Lula e disse que o brasileiro havia solicitado neutralidade dos Estados Unidos durante a disputa eleitoral.
Questionado sobre quem considera o legítimo presidente do Brasil, Trump não respondeu.
De acordo com o Metrópoles, até aquele momento não havia solicitação de telefonema entre os dois presidentes. Uma oportunidade de encontro poderá ocorrer durante a Cúpula de Líderes do G20, prevista para dezembro, nos Estados Unidos.
Apesar das divergências, integrantes do governo brasileiro defendem a manutenção de uma relação pragmática com Washington, especialmente em áreas como comércio e segurança pública.
Flávio Bolsonaro perde força internacional, avalia Planalto
Auxiliares de Lula também consideram que o resultado eleitoral enfraqueceu a articulação internacional de Flávio Bolsonaro, que deixou o Brasil na terça-feira (27) e seguiu para os Estados Unidos.
Já em território norte-americano, o senador divulgou uma carta em que se declarou “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Poucos minutos depois, publicou uma nova versão do documento, retirando a afirmação e passando a se apresentar como “líder do Brasil”.
Na carta, Flávio fez acusações de supostas fraudes eleitorais, sem apresentar provas, e alegou perseguição política contra sua família. O senador nega ter fugido do país e afirma que pretende comandar a oposição a partir dos Estados Unidos.
Segundo a reportagem, Flávio atravessou a fronteira brasileira com a Argentina pela Ponte da Fraternidade, entre Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú. Em seguida, embarcou com a esposa e as duas filhas em uma aeronave privada da empresa Baires Fly, com destino ao Equador, antes de seguir para Miami.
A logística da viagem contou com a participação de Jason Miller, assessor de comunicação da Casa Branca, que confirmou ao Metrópoles seu envolvimento na operação. Trump autorizou a entrada temporária do senador nos Estados Unidos.
De acordo com o The New York Times, Flávio poderá solicitar futuramente residência permanente no país, com possibilidade de tramitação acelerada do pedido.
Integrantes do governo brasileiro avaliam que as administrações de Trump e Milei tiveram participação na operação que levou Flávio aos Estados Unidos, embora essa suspeita não tenha sido comprovada. A polícia federal argentina afirmou não ter registro da entrada da família Bolsonaro no país.
Planalto prefere evitar confronto diplomático
A orientação no governo Lula é evitar manifestações que possam transformar a viagem de Flávio Bolsonaro em um conflito diplomático com os Estados Unidos.
Auxiliares do presidente defendem que eventuais questões jurídicas relacionadas à saída do senador do Brasil sejam tratadas pela Justiça e pela Polícia Federal, sem protagonismo do Executivo.
O Planalto também procura evitar que a oposição utilize o episódio para reforçar acusações de perseguição política à família Bolsonaro.
Segundo o Metrópoles, integrantes do governo consideram conveniente aguardar as eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos antes de reavaliar a relação com Washington.
A avaliação predominante é que o Brasil deve preservar seus interesses diplomáticos e comerciais, mantendo canais de diálogo tanto com a administração Trump quanto com o governo argentino, apesar das divergências políticas.
https://www.brasil247.com/poder/governo-lula-avalia-que-trump-esta-isolado-e-descarta-reacao-diplomatica/
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