
247 – O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, acusou nesta terça-feira (27) integrantes de um partido árabe de tentar fraudar as eleições legislativas do país, mas não apresentou provas para sustentar a denúncia. A votação, marcada pela polarização política e pelo comparecimento recorde às urnas, é a primeira desde o início do genocídio promovido pelo governo israelense na Faixa de Gaza, em outubro de 2023.
Segundo a AFP, israelenses foram às urnas para escolher os 120 integrantes do Knesset, o Parlamento do Estado sionista. O pleito ocorreu após três anos de conflitos regionais e em meio a questionamentos sobre a condução das agressões militares de Israel, com a segurança nacional no centro da campanha eleitoral.
A votação foi encerrada na tarde desta terça-feira. Durante o dia, a participação chegou a 44,9%, o maior índice registrado desde 1973, segundo dados da comissão eleitoral.
As pesquisas mais recentes apontavam uma disputa acirrada entre Netanyahu e seu principal adversário, o centrista Gadi Eisenkot, ex-comandante militar que ingressou recentemente na política. O partido do primeiro-ministro, o Likud, e o Yashar, ligado a Eisenkot, apareciam praticamente empatados nas projeções eleitorais.
Netanyahu acusa partido árabe de fraude
Com seu futuro político em jogo, Netanyahu acusou três dirigentes da Lista Árabe Unida (Ra’am) de “tentar roubar as eleições”. Os integrantes do partido foram detidos no sul de Israel supostamente com envelopes cheios de dinheiro.
A comissão eleitoral, no entanto, informou que os três foram presos perto de suas casas e “ainda não haviam chegado aos locais de votação”. As autoridades classificaram o episódio como um “caso isolado” e informaram que a ocorrência está sob investigação.
O líder do Ra’am, Mansur Abbas, acusou Netanyahu de “mentir” e “espalhar medo” para mobilizar os eleitores de direita. Já o Yashar afirmou que o primeiro-ministro estaria tentando preparar o terreno para contestar o resultado caso seja derrotado.
O Likud também pediu a prorrogação do horário de votação, previsto para terminar às 22h no horário local, 17h em Brasília. O Yashar se opôs à medida, alegando que “não ocorreu nenhum incidente excepcional” que justificasse a extensão do prazo.
Em Israel, um partido precisa conquistar pelo menos 61 das 120 cadeiras do Knesset para garantir maioria parlamentar e indicar o primeiro-ministro. As projeções eleitorais apontavam que tanto o Likud quanto o Yashar poderiam obter entre 20 e 30 assentos, cenário que torna a formação de alianças relevante para a composição do governo.
Violência e polarização marcam a votação
Em Tel Aviv, a polícia prendeu um homem armado com uma faca que teria se aproximado de forma ameaçadora de Yair Golan, líder da esquerda israelense. “A incitação e a violência não vão nos intimidar”, declarou Golan em um comunicado.
A eleição ocorre em um cenário de crescente isolamento internacional de Israel, associado ao genocídio na Faixa de Gaza, à expansão dos assentamentos e à violência de colonos na Cisjordânia ocupada. O país também enfrenta o avanço de forças de extrema direita e do nacionalismo religioso.
Netanyahu, de 77 anos, ocupou o cargo de primeiro-ministro por 19 anos, distribuídos em diferentes mandatos. Durante a campanha, concentrou seu discurso na segurança e ressaltou a proximidade com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Desde que voltou ao poder, em dezembro de 2022, Netanyahu conduziu Israel em diferentes conflitos. A Faixa de Gaza ficou em ruínas, forças israelenses ocuparam o sul do Líbano e o país bombardeou o Irã com apoio estadunidense.
Eisenkot, de 66 anos, prometeu criar uma comissão independente para investigar as falhas de segurança que permitiram os ataques do Hamas em outubro de 2023. O governo de Netanyahu rejeitou a proposta.
O Yashar lidera uma aliança informal que reúne forças políticas da direita à centro-esquerda. Embora Eisenkot se oponha à criação de um Estado palestino e apoie os assentamentos israelenses, ele prometeu conter a violência de colonos na Cisjordânia.
Netanyahu, por sua vez, conta com uma coalizão que inclui grupos de extrema direita ultranacionalista e partidos ultraortodoxos, cuja influência cresceu nos últimos anos.
Formação de governo depende de alianças
A divulgação dos resultados finais pode levar dias. Como nenhum partido tinha perspectiva de se aproximar sozinho das 61 cadeiras necessárias para garantir maioria, as negociações entre as diferentes forças políticas devem ter papel central na formação do próximo governo.
Os partidos que representam a população árabe, correspondente a 21% dos habitantes de Israel, podem ser decisivos nessa composição. Até o momento, porém, nem Netanyahu nem Eisenkot haviam anunciado a possibilidade de formar alianças com essas legendas.
https://www.brasil247.com/mundo/israel-netanyahu-denuncia-suposta-fraude-nas-eleicoes-sem-apresentar-provas/
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