
Encravado nos Alpes suíços, em Crans–Montana, o Ultima é um refúgio de ultraluxo reservado a hóspedes dispostos a pagar cifras milionárias por uma temporada de exclusividade. O complexo de chalés privativos (veja o vídeo) com vista para as montanhas oferece aos ultra-ricos a possibilidade de desfrutar spa, piscina, serviços personalizados e gastronomia preparada por chef particular com experiência em cozinhas de padrão Michelin. Entre o conforto de uma residência sofisticada e a estrutura de um hotel cinco estrelas, o lugar transforma a temporada na neve em uma experiência na qual privacidade, requinte e atendimento individualizado harmonizam com a paisagem alpina.
Sem tirar um real do bolso, foi nesse lugar, onde as diárias passam dos 22.000 francos suíços, que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, se hospedou com toda a família nos primeiros meses de 2025. Como não existe almoço grátis, quem pagou a conta da aventura luxuosa do filho de Lula foi Roberta Luchsinger, a empresária que Lula, outro dia, jurou não conhecer e a quem chamou de “pilantra”, no desespero de se desvencilhar das revelações de corrupção investigadas pela Polícia Federal no seu governo.

A viagem de Lulinha à Suíça está registrada num conjunto de provas encontrado pela PF no celular de Roberta. Fotos e vídeos mostram que a jornada envolveu jatos privados, motoristas, equipamentos para neve, instrutores exclusivos de esqui e bebedeiras luxuosas.

O filho de Lula surge nas imagens deslumbrado com o que o dinheiro — melhor se for dos outros — consegue comprar. Por um desses mistérios que envolvem o atual governo petista, só Roberta Luchsinger sofreu buscas e ainda enfrenta uma devassa da PF por supostamente traficar interesses na gestão de Lula.
Lulinha, que andava com Roberta, articulava negócios com Roberta e era procurado por diferentes empresários para abrir caminhos na gestão do pai, segue em paz na Espanha.

Os registros em poder da PF mostram que a viagem de Lulinha foi inesquecível. Com direito a garrafas de champagne francês resfriado na neve, os dias de descanso do filho de Lula nos alpes suíços foi uma experiência de luxo absoluto, na qual cada detalhe foi pensado. Nas redes, Roberta Luchsinger revela, num vídeo, que foi Marina Mantega, filha do ex-ministro da Fazenda de Lula, que indicou o lugar ao grupo.
Instalado em dois chalés privativos, com capacidade para receber grupos de até 38 pessoas, o refúgio reúne suítes sofisticadas, piscina externa aquecida, spa de 1.000 metros quadrados com sauna, hammam, salas de tratamento e academia, além de cinema particular, salão de bilhar, sala de jogos, lounge para charutos e áreas de convivência com vista para as montanhas.
A estadia inclui café da manhã servido no horário e no ambiente escolhidos pelos hóspedes, refeições personalizadas preparadas por chef particular (veja o vídeo acima) com experiência em cozinhas de padrão Michelin, serviço de mordomo, concierge, equipe dedicada, arrumação diária, auxílio para desfazer e organizar as malas, motorista à disposição por até oito horas diárias e traslados de ida e volta do aeroporto.
Os tratamentos de bem-estar podem incluir massagens, terapias faciais, programas personalizados de relaxamento e sessões de ginástica.

No inverno, a localização privilegiada permite acesso direto às pistas de esqui, enquanto experiências exclusivas podem incluir passeios com raquetes de neve, trenós puxados por cães, descidas noturnas na montanha seguidas de fondue à luz de velas e voos de balão sobre a paisagem alpina.
As imagens dessa viagem, escondidas no inquérito que tramita a passos lentos no STF, evidenciam que Lulinha era mais do que amigo de Roberta. Era alguém que fazia tudo com ela, nas horas de turismo e no mundo dos negócios.

Para investigadores, o principal “produto” da empresária, em sua atividade de lobby no governo Lula, era oferecer o acesso a Lulinha e todos os benefícios que o filho do presidente da República poderia garantir a empresários dispostos a pagar por seus laços no poder. Isso tinha um custo. Só as viagens pagas por Roberta a Lulinha nessa reportagem somam mais de 2 milhões de reais, segundo fontes da investigação.
Desde que caiu na besteira de negar Roberta, chamá-la de pilantra e defender apenas Lulinha, o presidente Lula vem sendo assombrado pelas histórias que a PF ainda guarda sobre a relação do filho com a tal “pilantra” ou “Vorcaro de saias”, como disse o petista.

“Eu não conheço essa moça, nunca vi essa moça na minha vida, nunca conversei com essa moça, ela nunca esteve próxima de mim. É uma pilantra”, disse Lula.
“Se eu pudesse escolher uma palavra para definir o que o presidente fez, direia que ele foi covarde. Além de mentir, foi machista, misógino e canalha”, disse Roberta.

Responsável por bancar despesas milionárias do filho do presidente da República, Roberta já disse que está disposta a negociar uma delação premiada para contar tudo que viu e ouviu durante os últimos anos de governo Lula, onde Lulinha supostamente serviu de ponte para interesses variados de empresários no governo do pai. Pelas imagens em poder da PF, ela tem mesmo muito o que contar.
As viagens de luxo, documentadas fartamente, desmoralizam o discurso de “pai dos pobres” do petista nessa campanha e lançam o filho ao mesmo patamar do pai, que outro dia recebeu de um banqueiro acuado por investigações de fraudes um uísque de 500.000 reais, como revela a edição de VEJA que está nas bancas.

Além da temporada nos Alpes suíços, estimada em cerca de 1,5 milhão de reais, Roberta também bancou uma aventura — um ano antes, em 2024 — completa para Lulinha no recanto predileto de endinheirados nos Alpes franceses (veja o vídeo do lugar).
Em Courchevel, Lulinha viveu o que pouquíssimos brasileiros podem viver nos dias atuais. As fotos em poder da PF mostram festas com muita bebida em bares famosos, programas animados na neve, shows sofisticados e uma aura de empresário que só combinaria com o Lulinha “sócio” de Roberta e não com o filho descrito por Lula numa entrevista, uma alma pura e supostamente influenciada por falsos amigos. “Acho que meu filho é inocente”, disse o petista numa entrevista na campanha.
Quando Lula atacou Roberta, foram poucos que defenderam a amiga de Lulinha. Ele se calou e sumiu na Espanha, temendo ser envolvido no caso e perder a blindagem que aparentemente possui na PF. A única que defendeu Roberta, num grupo de WhatsApp de petistas, foi a mulher de Lulinha, como mostrou o Radar recentemente.
A empresária gastou milhões para bancar o luxo, conforto e entretenimento do filho de Lula, que até hoje ganha dinheiro de formas não totalmente explicadas. A PF, como se vê, tem muito trabalho a fazer.
https://veja.abril.com.br/brasil/as-aventuras-ineditas-de-lulinha-nos-alpes-com-dinheiro-de-roberta-luchsinger/
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