
O último confronto televisivo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) antes do segundo turno, transmitido pela TV Globo, registrou momentos de forte tensão, com trocas de acusações e discussões sobre propostas de governo para áreas sociais, econômicas e de saúde.
O ponto de maior atrito ocorreu após o candidato do PL declarar que o governo “dá com uma mão e tira com nove dedos”. A fala fez referência ao acidente de trabalho sofrido por Lula em 1964, quando perdeu o dedo mínimo da mão esquerda como torneiro mecânico. O presidente reagiu com indignação, cobrou respeitabilidade à classe trabalhadora, recusou o apelido e classificou a declaração como uma falta de respeito, chamando o adversário de “miliciano”. Na sequência, Flávio Bolsonaro apresentou desculpas pelo termo utilizado, mas passou a cobrar do Executivo retratações relacionadas ao aumento da população em situação de rua.
Divergências sobre indicadores sociais e políticas econômicas
A discussão sobre vulnerabilidade social citou levantamentos do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua. Enquanto a oposição apontou um salto no número de pessoas desabrigadas, análises técnicas destacam que variações estatísticas também sofrem influência de mudanças metodológicas de busca ativa e da inclusão de pessoas em cadastros de assistência social.
O bloco dedicado a direitos sociais e economia registrou embates adicionais:
- Licença-maternidade e programas sociais: Questionado sobre seu voto contrário à ampliação da licença-maternidade quando atuava como deputado estadual no Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro admitiu a mudança de posicionamento e defendeu o benefício. Lula resgatou declarações antigas do adversário sobre o Bolsa Família, enquanto o senador prometeu manter e expandir as transferências de renda.
- Endividamento das famílias e juros: Flávio Bolsonaro responsabilizou a gestão federal pela situação financeira das famílias e citou o patamar da Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), propondo a compra e refinanciamento de débitos bancários via Caixa Econômica Federal. Em resposta, o presidente atribuiu as dificuldades à taxa de juros praticada pelo Banco Central e lembrou que projetos de renegociação e perdão de dívidas já foram enviados ao Congresso Nacional.
- Sistema Único de Saúde (SUS): O debate abordou a destinação de recursos para a saúde pública e a gestão da pandemia de covid-19. Lula criticou propostas de corte de custos do adversário e defendeu a atuação do SUS, enquanto Flávio Bolsonaro prometeu reajustar a tabela de procedimentos do sistema e direcionar cortes de gastos ao combate à corrupção e à burocracia estatal.
https://regiaonoroeste.com/debate-na-tv-globo-e-marcado-por-embate-pessoal-entre-lula-e-flavio-bolsonaro/
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