Eles somam R$ 30,7 milhões em multas, e apenas 2,1% foi pago. Dez dos eleitos receberam, juntos, R$ 102,2 milhões em crédito rural.
| Resumo – 38 candidatos com multas ambientais entre 2008 e 2026 foram eleitos e assumirão em 2027 nas esferas estadual e federal. – Eles somam R$ 30,7 milhões em multas ambientais, e só R$ 644 mil (2,1%) foram pagos. – A maioria vai atuar nas assembleias estaduais: 20 deputados estaduais (50 autuações) e 10 deputados federais (16 autuações). – O PL lidera, com 9 eleitos. MDB e PSD têm 6 cada. O Norte concentra 39,4% da lista (RR, TO, PA, AC e RO). – 10 dos eleitos acessaram R$ 102,2 milhões em crédito rural entre 2013 e 2026, que conta com recursos e subsídios públicos. – Eles são de direita ou de centro, com o PL liderando a lista de infratores em crédito rural (4). Predomina o número de infratores nas regiões nordeste e norte, com 5 eleitos nestas regiões. – As multas dos eleitos somam quase 77 vezes os R$ 400 mil em emendas parlamentares de 2026 para fiscalização ambiental e combate a incêndios (ação 214P do MMA). – O Congresso tende a ser menos favorável à agenda ambiental: 68,9% dos eleitos têm baixa convergência ambiental, segundo o Observatório do Clima, e o PL passou de 15 para 28 senadores. – Esses parlamentares poderão votar sobre licenciamento, orçamento do Ibama e ICMBio e regras do crédito rural. |
As urnas elegeram 38 candidatos com autuações ambientais, nas esferas estadual e federal, segundo levantamento do Greenpeace Brasil. Eles assumem em 2027 e vão votar leis sobre licenciamento, orçamento da fiscalização e regras do crédito rural.
Juntos, os 38 acumulam R$ 30,7 milhões em multas ambientais entre 2008 e 2026. Apenas R$ 644 mil (2,1%) foram quitados, e quase R$ 26 milhões seguem em aberto, em homologação, análise, notificação, dívida ativa ou suspensão judicial.
Além disso, 10 dos infratores eleitos acessaram entre 2013 e 2026 um total de R$ 102,2 milhões em crédito rural, que conta com recursos e subsídios públicos.
Crédito rural para quem foi multado
Um primeiro levantamento, feito em setembro, indicou que havia 137 candidatos com histórico de multas ambientais, totalizando R$ 161,5 milhões. Dentre eles, 25 candidatos com multa registrada acessaram R$ 253,6 milhões em crédito rural.
Dos que receberam crédito rural, todos os 10 eleitos são de direita ou centro, com o PL liderando a lista de infratores com crédito rural (4). Predomina o número de infratores nas regiões centro-oeste e norte, com 5 eleitos nestas regiões.
Onde estão os infratores eleitos
No total, os eleitos somam 78 ocorrências, principalmente de infrações à flora, como desmatamento e queimadas ilegais. Dos infratores, o PL lidera, com 9 eleitos, MDB e PSD têm 6 cada.
A maior parte irá atuar nas assembleias legislativas dos estados. Serão 20 deputados estaduais, com 50 multas registradas. Na Câmara dos Deputados serão 10 deputados federais, com 16 infrações ao todo. A concentração nos estados pesa porque, com a descentralização, boa parte das regras ambientais passou a ser definida nas assembleias.
O Norte concentra 39,4% das pessoas da lista (RR, TO, PA, AC e RO). Parlamentares de outros estados, como Pernambuco e Tocantins, têm infrações com coordenadas no sul do Pará, na região de São Félix do Xingu e Triunfo do Xingu.
O contexto político no novo Congresso
O resultado se soma a um Congresso que tenderá a ser menos favorável à agenda ambiental, visto que o saldo das últimas eleições não foi em nada positivo para o avanço de políticas socioambientais. Tanto o Senado quanto a Câmara viram o crescimento expressivo da extrema-direita. O salto foi de 15 para 28 senadores, a maior bancada da história do Partido Liberal (PL), um dos partidos com menor convergência ambiental (5,8%) segundo o Farol Verde, do Instituto Democracia e Sustentabilidade.
Como se não bastasse, a expectativa para a próxima legislatura é de um arrocho na agenda ambiental e climática no país. Um levantamento feito pelo Observatório do Clima (OC) mostra que mais da metade dos parlamentares eleitos em 2026 possui baixa convergência ambiental (68,9%). Numericamente, isso representa 345 dos 513 deputados e 64 dos 81 senadores. Na prática, a bancada antiambiental poderá ter votos suficientes para se fazer valer de Propostas de Emenda à Constituição para o desmonte das políticas socioambientais e da ambição climática assumida pelo Brasil.
Uma nova boiada de infratores ambientais
O número de infratores ajuda a entender de alguma forma o avanço nos últimos anos de propostas que enfraquecem a proteção socioambiental, como a flexibilização do licenciamento em grandes obras de infraestrutura, o marco temporal para terras indígenas, além de tentativas para enfraquecer os critérios ambientais para adoção do crédito rural. Há muito em jogo no contraste entre o que é feito de fato para garantir as proteções socioambientais e o que se legisla em benefício próprio.
Por exemplo, o contraste entre os R$ 30,7 milhões em multas aplicadas pelo Ibama aos 38 nomes equivale a quase 77 vezes os R$ 400 mil em emendas parlamentares feitas em 2026 por deputados federais para fiscalização ambiental e combate a incêndios do MMA para a ação 214P. O valor das multas ainda em aberto (R$ 26 milhões) equivale a cerca de 65 vezes essa quantia.
Esses mesmos parlamentares infratores irão votar nas regras que podem beneficiar diretamente a si e ao seu eleitorado. Eles poderão promover cortes no IBAMA e ICMBio, além das agências estaduais de fiscalização ambiental, provocando possíveis mudanças nas regras de autuação. A conexão com bancadas parlamentares antiambientalistas pode enfraquecer políticas cruciais, como os embargos e ações de fiscalização, além de recursos para os principais órgãos fiscalizadores.
Com um Congresso marcado pelo crescimento de eleitos com índices muito baixos de convergência ambiental (segundo o Farol Verde), continuaremos bancando a destruição ambiental por meio da eleição de infratores.
Cabe à população acompanhar esses mandatos, e organizações da sociedade civil têm papel central em cruzar e publicar dados públicos para isso.
O que acompanhar a partir de 2027: votações sobre licenciamento, orçamento do Ibama e do ICMBio, regras do crédito rural e ferramentas como o Farol Verde. Veja abaixo a lista completa dos infratores ambientais eleitos.
Clique para ver os nomes dos infratores eleitos que receberam crédito rural.
Clique ver os nomes dos eleitos com multas.
https://www.greenpeace.org/brasil/blog/eleicoes-2026-38-candidatos-com-multas-ambientais-foram-eleitos-e-vao-decidir-as-regras-da-fiscalizacao/
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