
Manifestantes bolsonaristas carregaram um míssil inflável com a inscrição “Trump nuke Brazil” – “Trump, ataque o Brasil com armas nucleares” – no ato de Flávio Bolsonaro (PL), em 18 de outubro, na Avenida Paulista, em São Paulo (SP). Vestidos de verde e amarelo, os responsáveis pelo objeto exibiram em inglês o pedido de destruição do País, cujas cores de sua bandeira oficial ostentavam.
Convocado pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), o “Chupetinha”, o chamado “Bloquinho do 22” contou com a participação de Flávio, do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e do presidente do PL, Valdemar da Costa Neto.
Também apareceram bandeiras do EUA e de Israel, apesar da orientação dos organizadores para evitar símbolos de países estrangeiros. Ao discursar, Flávio repetiu o lema do pai: “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”. O pedido de bombardeio circulava na mesma manifestação.

A versão dos ‘infiltrados’
Naquela noite, durante o debate presidencial da Band, Flávio atribuiu o míssil a “infiltrados” e prometeu identificar e responsabilizar os envolvidos. Não havia confirmação de que a campanha ou a organização do ato tivesse orientado sua exibição. A explicação do candidato, contudo, esbarra em seu próprio histórico de convites à intervenção militar ianque.
Neste mês de outubro, em conversa com Eduardo Bolsonaro e o co-lacaio colombiano Abelardo de la Espriella, Flávio manifestou interesse em incluir o Brasil no “Escudo das Américas”, coalizão militar comandada por Trump. Também afirmou ter procurado o presidente do país Estados Unidos (EUA) para pedir a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como “organizações terroristas”, enquadramento empregado por Washington para justificar operações militares na região.
Em outubro de 2025, Flávio compartilhou uma publicação do cruzado Pete Hegseth sobre um ataque a uma embarcação suspeita de transportar drogas. Escreveu “Que inveja!”, mencionou supostos barcos com drogas na Baía de Guanabara e perguntou ao secretário do governo Trump se gostaria de passar alguns meses atuando no Brasil. Depois da repercussão, alegou que a imprensa distorcera sua mensagem e negou ter defendido bombardeios.
O convite permanecia na publicação do próprio senador: “Você não gostaria de passar alguns meses aqui nos ajudando a combater essas organizações terroristas?”. Dessa vez, o reles vassalo dispensara “infiltrados”.

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