
247 – O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, se reúne nesta quinta-feira (15) com representantes da Meta para discutir o comportamento de uma ferramenta de inteligência artificial do WhatsApp que apresentou respostas diferentes a pedidos de criação de imagens eleitorais dos candidatos à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Segundo informações divulgadas pela jornalista Camila Bomfim, do G1, usuários identificaram que a Meta AI, assistente de inteligência artificial integrado ao aplicativo de mensagens, aceitava produzir imagens associadas à campanha de Flávio Bolsonaro, com o número 22, mas recusava solicitações semelhantes envolvendo Lula e o número 13.
A diferença de tratamento foi confirmada em testes realizados pelo próprio g1. A reportagem constatou que a ferramenta inicialmente impedia a criação de imagens relacionadas ao presidente Lula, enquanto atendia a pedidos envolvendo seu adversário. Entretanto, após diversas tentativas, o sistema também conseguiu gerar uma imagem com o nome do candidato petista.
A reunião entre Nunes Marques e representantes da Meta começou por volta das 9h desta quinta-feira. O encontro foi convocado para tratar dos relatos sobre o funcionamento da inteligência artificial e das diferenças observadas na geração de conteúdos relacionados aos dois candidatos.
As campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro não participam da reunião, que ocorre diretamente entre a presidência da Justiça Eleitoral e representantes da empresa responsável pelo WhatsApp, Instagram e Facebook.
Meta bloqueia imagens dos dois candidatos após repercussão
A controvérsia ganhou repercussão nas redes sociais depois que usuários passaram a compartilhar relatos sobre as respostas diferentes apresentadas pela ferramenta. Diante dos questionamentos, a Meta informou que havia adotado restrições temporárias à geração de imagens de candidatos para cumprir as regras eleitorais brasileiras.
A empresa também ampliou os mecanismos de bloqueio para impedir solicitações que utilizassem o primeiro nome dos candidatos associado aos respectivos números nas urnas.
Na noite de quarta-feira (14), após a implementação das restrições, o assistente de inteligência artificial já impedia a produção de imagens relacionadas tanto a Lula quanto a Flávio Bolsonaro.
A mudança ocorreu depois da identificação do tratamento desigual, mas as informações divulgadas até o momento não esclarecem o que provocou a diferença inicial nas respostas da ferramenta.
Também não foram apresentados detalhes sobre eventuais falhas técnicas ou critérios específicos que tenham levado o sistema a aceitar solicitações envolvendo um candidato e rejeitar pedidos semelhantes relacionados ao outro.
Ferramenta de inteligência artificial funciona dentro do WhatsApp
A Meta AI é um assistente gratuito de inteligência artificial disponibilizado nos aplicativos da Meta, incluindo WhatsApp, Instagram e Facebook. A tecnologia permite que usuários façam perguntas, produzam textos, organizem atividades e solicitem a criação de imagens a partir de comandos escritos.
No caso que motivou a reunião com o TSE, a controvérsia envolve especificamente a capacidade de gerar imagens associadas às campanhas presidenciais, utilizando nomes e números dos candidatos.
A diferença identificada nos testes levanta questionamentos sobre a aplicação uniforme das restrições eleitorais em ferramentas automatizadas utilizadas por milhões de pessoas.
Embora a Meta tenha anunciado o bloqueio temporário da geração de imagens de candidatos, a medida não esclarece, por si só, as razões pelas quais solicitações semelhantes receberam respostas distintas antes da alteração.
Episódio ocorre em meio à disputa presidencial
O caso chega à Justiça Eleitoral em um momento decisivo da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro pela Presidência da República.
Pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira (14), encomendada pela TV Globo e pelo jornal O Globo, apontou Flávio Bolsonaro com 46% das intenções de voto no segundo turno, contra 44% de Lula. Os dois candidatos estão tecnicamente empatados dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
Nesse cenário, o funcionamento de ferramentas digitais capazes de produzir materiais associados às campanhas ganha relevância para a fiscalização eleitoral, especialmente diante da possibilidade de circulação desses conteúdos em aplicativos de mensagens e redes sociais.
https://www.brasil247.com/brasil/nunes-marques-se-reune-com-a-meta-para-tratar-sobre-favorecimento-de-flavio-bolsonaro-por-ia/
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