
A disputa pela Presidência pode ser decidida por quem não escolheu ninguém em 4 de outubro. Na primeira pesquisa Globo/Quaest do segundo turno, Flávio Bolsonaro (PL) tem 46% das intenções de voto e Lula (PT), 44%. É um empate técnico, já que a margem de erro é de 2 pontos para mais ou para menos. Entre os eleitores que dizem ter se abstido ou votado em branco ou nulo no primeiro turno, Lula lidera por 43% a 38%. Esse grupo é hoje o fiel da balança.
Na comparação com a última pesquisa antes do primeiro turno, de 3 de outubro, os dois candidatos subiram. Flávio tinha 44% e Lula, 42%. O que caiu foi a fatia de eleitores que pretendem votar em branco, anular ou não comparecer.
Para Lula, a conta é clara: trazer esse eleitor às urnas é indispensável, mas não resolve sozinho, porque a vantagem nesse grupo é pequena.
O voto útil que levou Flávio à frente
A pesquisa reproduz com precisão o resultado das urnas. Considerando todo o eleitorado apto, 35% dizem ter votado em Flávio no primeiro turno e 34% em Lula. Cury, Renan e Caiado aparecem com 2% cada, e 22% votaram em branco, anularam ou não foram votar.
O resultado confirma o que a rodada de 3 de outubro já mostrava: houve um forte voto útil de direita. Antes do primeiro turno, 15% dos entrevistados chegaram a considerar votar em Cury, Caiado, Renan ou Zema. Boa parte acabou migrando para Flávio na reta final. Entre os eleitores de Flávio, 7% definiram o voto na última semana e 10% no próprio domingo da eleição. No caso de Lula, o voto já estava decidido antes: 84% dos seus eleitores escolheram o candidato antes do início da campanha.
O eleitor que votou em alternativas à polarização no primeiro turno, cerca de 7% do total, tende a ir para Flávio agora. A exceção é o eleitorado de Cury, que se divide entre os dois.

Lula recupera terreno no medo e na aprovação
Alguns indicadores mostram uma recuperação modesta do presidente. O medo de uma volta da família Bolsonaro, que tinha chegado ao menor nível da série histórica em 3 de outubro, voltou a empatar com o medo da continuidade de Lula.
A mudança mais forte aconteceu entre os jovens. Na véspera do primeiro turno, a maioria desse grupo temia mais a continuidade de Lula. Agora o empate é exato: 45% têm mais medo da volta do bolsonarismo e 45% da permanência do petista.
As justificativas também dizem muito. Quem teme Lula cita corrupção, custo de vida e má administração. Quem teme Bolsonaro menciona rejeição pessoal à família, a tentativa de golpe, a lembrança de um governo ruim e o risco de fim dos programas sociais. A corrupção, tema tradicionalmente usado contra o PT, é apenas o quinto motivo mais citado nesse grupo.
A avaliação do governo melhorou na margem. A aprovação passou de 44% para 45% e a desaprovação caiu de 49% para 48%. O saldo segue negativo, o que torna uma virada mais difícil para quem disputa a reeleição.

As propostas como campo de batalha
Com a avaliação ainda no vermelho, as propostas de campanha podem fazer diferença. Entre quem tomou conhecimento delas, as bandeiras de Lula com maior aprovação são a proibição das bets, o fim da escala 6×1, o reajuste anual do salário mínimo e a isenção de impostos sobre a cesta básica.
Flávio se beneficia da redução da maioridade penal, da classificação de facções criminosas como organizações terroristas e do impeachment de ministros do STF. O pacote para MEIs tem potencial positivo, mas ainda é pouco conhecido, e o pagamento por hora divide opiniões. Do outro lado, a anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro, o fim da reeleição com mandato de cinco anos e a limitação dos mandatos de ministros do STF são mais rejeitados do que aprovados.
Nenhum dos dois convence a maioria
Faltando 11 dias para o segundo turno, o interesse pela eleição aumenta: 51% se dizem muito interessados, contra 45% na véspera do primeiro turno. Os que não têm nenhum interesse caíram de 21% para 17%.
Ainda assim, nenhum dos candidatos convenceu a maioria de que merece o cargo. Para 49% dos eleitores, Flávio não merece ser presidente. Para 51%, Lula também não. A disputa de rejeições também está empatada: Lula tem 47% de potencial de voto e 53% de rejeição, e Flávio tem 46% e 54%, respectivamente. Todos esses números estão dentro da margem de erro.
A Quaest entrevistou 2.154 eleitores presencialmente entre 10 e 13 de outubro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-8729/2026.
https://www.jota.info/eleicoes/eleicoes-2026/quem-ficou-em-casa-no-1o-turno-pode-decidir-a-eleicao-mostra-globo-quaest
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