
247 – O jornalista Caio Junqueira, da CNN, questionou a credibilidade do áudio divulgado pela revista Veja nesta sexta-feira, no qual o banqueiro Daniel Vorcaro sugere ter financiado por fora um filme sobre o presidente Lula – o que já é, comprovadamente, uma fake news divulgada com a intenção de influenciar o resultado eleitoral. Em comentário na emissora, Junqueira afirmou que o episódio tem “todos os contornos de uma história de aloprados” e apontou uma possível tentativa do banqueiro de favorecer Flávio Bolsonaro para obter benefícios depois da eleição.
“Parece mais uma tentativa de Daniel Vorcaro de surfar no favoritismo de Flávio Bolsonaro e ajudar o candidato para tentar, ali na frente, depois do segundo turno, deixar a prisão”, declarou.
Áudio sem origem conhecida
Segundo Junqueira, a Polícia Federal, a Procuradoria–Geral da República e a própria defesa de Vorcaro afirmam que o áudio e seu conteúdo nunca apareceram nas tratativas de colaboração premiada. O jornalista também destacou a ausência de informações sobre as circunstâncias da gravação.
“Também não se sabe como nem quando e muito menos por quem ele foi gravado. Sem origem conhecida e sem perícia, o material hoje, pelo menos até agora, não tem valor como prova”, afirmou.
A avaliação coloca em questão o uso eleitoral de um material cuja autenticidade e contexto, conforme o comentário do jornalista, ainda não foram esclarecidos.
Comemoração bolsonarista
Junqueira também apontou a reação dos bolsonaristas, que celebraram a divulgação como se ela pudesse encerrar as chances de reeleição do presidente Lula. Ao abordar essa reação, mencionou o pedido de dinheiro de Flávio Bolsonaro a Vorcaro para um filme sobre Jair Bolsonaro.
“Bolsonaristas, que já aceitam há algum tempo o fato de Flávio Bolsonaro ter pedido dinheiro a Vorcaro para um filme sobre o pai, comemoraram o áudio quase como um tiro fatal no presidente Lula na sua tentativa de reeleição. Não foi”, disse.
O precedente dos aloprados
Para explicar os riscos de operações desse tipo na reta final de uma campanha, o jornalista retomou o episódio de 2006 em que petistas foram flagrados tentando comprar um dossiê contra adversários. Lembrou que o próprio presidente Lula classificou os envolvidos como “aloprados”.
Segundo Junqueira, o episódio contribuiu para levar ao segundo turno uma eleição que parecia encaminhada para terminar no primeiro. A referência serviu de alerta sobre o efeito contrário que uma operação eleitoral pode produzir.
“Operações desse tipo, quando surgem na fase final de uma campanha, podem acabar prejudicando justamente quem pretendia ser beneficiado por ela”, afirmou.
Ao concluir, Junqueira estendeu a comparação à atual disputa presidencial: “Flávio Bolsonaro hoje é o favorito para vencer Lula, mas ainda há aloprados por aí”.
ACERCA DEL CORRESPONSAL
REDACCIóN CENTRAL
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