
247 – O crescimento econômico global provavelmente desacelerará para 2,6% em 2026, frente aos 2,9% registrados no ano passado, à medida que o choque energético provocado pela crise no Oriente Médio coloca a economia do planeta à prova, informa relatório da Unctad, agência das Nações Unidas para o comércio e o desenvolvimento, divulgado nesta sexta-feira (9).
Apesar da perda de ritmo do Produto Interno Bruto (PIB) global, a agência das Nações Unidas projeta que o comércio de bens e serviços deve registrar uma alta de 4% a preços constantes. Esse movimento ocorre após o comércio internacional ter atingido o patamar recorde de US$ 35 trilhões em 2025. Contudo, o órgão ressalta que esse aumento projetado nas cifras transfronteiriças é impulsionado precipuamente pela elevação nos preços dos combustíveis e da energia.
O relatório de comércio e desenvolvimento da ONU traz um panorama detalhado sobre as transformações nas rotas globais. Entre os pontos destacados, revela-se que o comércio direto entre a China e os Estados Unidos sofreu uma retração superior a 20% desde 2024. Em contrapartida, os países do Leste Asiático expandiram suas trocas comerciais tanto com o mercado chinês quanto com a América do Norte.
A agência internacional também apontou para barreiras crescentes no cenário internacional. Segundo o levantamento, a imposição de controles de exportação, o aumento nas análises de investimentos estrangeiros e as novas condições impostas às cadeias globais de suprimentos têm tornado cada vez mais difícil o acesso de novos integrantes a setores considerados estratégicos.
Em termos de regionalização do dinamismo econômico, a Ásia desponta como o grande motor do planeta, com previsão de contribuir com 59% de todo o crescimento econômico mundial em 2026. A projeção aponta que a Índia liderará esse expansão com uma alta de 7,3% em seu PIB, seguida pela Indonésia, com crescimento estimado em 5,2%, e pela China, com taxa projetada em 4,5%.
O documento da Unctad faz ainda ressalvas importantes sobre o papel da tecnologia. Embora os produtos vinculados à inteligência artificial — com destaque para os semicondutores e chips — figurem como os principais impulsionadores do comércio global de mercadorias, o crescimento das trocas nesse setor não se traduz automaticamente em ganhos amplos de desenvolvimento socioeconômico para as nações.
A agência da ONU emitiu um alerta específico quanto aos riscos financeiros associados ao avanço da tecnologia, salientando que o recente impulso em inteligência artificial traz vulnerabilidades à estabilidade dos mercados financeiros. Isso ocorre devido à elevada exposição das bolsas de valores e investidores a um grupo restrito de poucas empresas do setor.
A análise da Unctad junta-se a projeções cautelosas de outras instituições financeiras internacionais. Em junho, o Banco Mundial já havia reduzido sua previsão para o crescimento da economia global para 2,5% em virtude dos conflitos no Oriente Médio, projetando uma desaceleração ainda mais drástica — de apenas 1,3% — em seu cenário mais pessimista. Já o Fundo Monetário Internacional (FMI) apresentou previsões ligeiramente mais otimistas, estimando uma expansão mundial de 3%, embora também cite a guerra no Irã, a fragmentação do comércio global e eventuais correções no setor de inteligência artificial como os principais fatores de risco no horizonte.
https://www.brasil247.com/economia/desaceleracao-pib-global-deve-crescer-apenas-26-em-2026-preve-onu/
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