
Inaugurada em 11 de setembro na Galeria Theodoro Braga, em Belém, a exposição “América Latina Livre” reuniu 16 artistas com produções diversas voltadas à reflexão sobre as questões políticas e sociais que atravessam a América Latina. A mostra ficou em cartaz até 2 de outubro.
Produzida pela artista Lúcia Gomes, teve curadoria e expografia de Sanchris Santos e montagem de Marcelo Lobato. Segundo o texto curatorial, os trabalhos refletem sobre a arte e sua dimensão de enfrentamento, resistência e emancipação diante das interferências imperialistas e neocoloniais nos cenários políticos das sociedades latino-americanas.
Além das obras, a programação incluiu rodas de conversa organizadas por eixos temáticos, nas quais os artistas compartilharam com o público suas percepções e seus processos de criação.
Participaram da mostra Bárbara Freire, Bruna Soares, Chico Ribeiro, Gaby Borges, Igor Diniz, Janice Lima, Jair Tagore, Jessica Calandrine, Lúcia Gomes, Maria Christina, Margalho, Marcelo Lobato, Nina Matos, Sinval Santos, LJ e Karina Martins.
Em entrevista ao Comitê de Apoio do AND de Belém, o artista Chico Ribeiro falou sobre as duas obras que apresentou na mostra, ambas voltadas à luta camponesa: “Assembleia Popular, Acampamento Tiago dos Santos” e “Furacão”.
Segundo ele, a primeira pintura parte de um período da luta camponesa em Rondônia, em especial dos conflitos enfrentados pelo acampamento que dá título à obra, organizado pela Liga dos Camponeses Pobres. A tela retrata as famílias camponesas e sua organização diante da questão da terra, com tecidos e rostos cobertos em tons de vermelho. “A pintura representa a forma cada vez mais democrática em torno do problema da terra que nunca foi resolvido no país”, afirmou.
Chico destacou ainda a importância das assembleias populares retratadas na obra, que, para ele, são manifestações da organização política e coletiva em torno da questão agrária.

A segunda obra é um estudo em carvão sobre a resistência camponesa nas cidades. De acordo com o artista, o trabalho representa o rompimento de um portão durante a ocupação de 31 dias na Secretaria de Educação do Pará e se baseia em referência fotográfica e jornalística. Ele relaciona o episódio às experiências de luta dos povos indígenas e quilombolas, que, em sua avaliação, demonstraram formas importantes de organização e mobilização.
“Quando os problemas estão postos, ou seja, a necessidade de resolver uma reivindicação ou demanda do povo, o campo nos ensina”, declarou.

Com diferentes linguagens, gerações e trajetórias, as obras reunidas em “América Latina Livre” ocuparam a Galeria Theodoro Braga ao longo de três semanas e abriram espaço para o debate sobre os desafios e as lutas dos povos latino-americanos.


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