A Liga Anti-imperialista Internacional (LAI) divulgou, em 1º de outubro, uma convocação para uma “campanha continental de luta” contra a intensificação da intervenção do país Estados Unidos (EUA) na América Latina. O documento, firmado por dezenas de organizações democráticas e populares do subcontinente, conclama “todos os anti-imperialistas das Américas” a impulsionarem ações entre 12 e 27 de outubro e defende que a campanha prossiga de maneira permanente após esse período.
No Brasil, a campanha é subscrita por organizações que participaram do processo de constituição da LAI e de sua seção brasileira. Entre os signatários estão a Frente Revolucionária de Defesa dos Direitos do Povo (FRDDP), a Liga dos Camponeses Pobres (LCP), a Liga Operária, o Movimento Feminino Popular (MFP), a Luta Popular por Moradia (LPM), o Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR), a Executiva Nacional dos Estudantes de Pedagogia (ExNEPe), a Alvorada do Povo (AP), a Unidade Vermelha – Liga da Juventude Revolucionária (UV-LJR), a Associação Brasileira dos Advogados do Povo – Gabriel Pimenta (ABRAPO), o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos (CEBRASPO) e o jornal A Nova Democracia.
A declaração situa a ofensiva do imperialismo ianque no marco da nova Estratégia de Segurança Nacional do governo do canibal Donald Trump e da retomada aberta da Doutrina Monroe como fundamento da política para o continente. Segundo a LAI, Washington procura reafirmar seu papel de “policial do continente” ao mesmo tempo que amplia a disputa pelo controle de mercados, petróleo, minerais estratégicos e “terras raras”, particularmente diante da contenda com o social-imperialismo chinês.
Para a organização, a ofensiva responde também à necessidade de manter a América Latina como base econômica, política e militar da hegemonia ianque. A declaração sustenta que, diante de sua profunda crise econômica, política e militar, o EUA procura transferir os custos dessa crise aos países oprimidos, ampliar o domínio sobre suas matérias-primas e assegurar o alinhamento dos governos e Forças Armadas da região.
A LAI foi fundada entre 3 e 5 de abril, durante seu 1º Congresso Mundial, realizado no Cauca, Colômbia, após processos preparatórios e conferências nacionais em diferentes países. A delegação brasileira reuniu 17 organizações; semanas antes, mais de 200 ativistas haviam participado da Conferência Nacional da LAI no Rio de Janeiro.

Militarização, pressão econômica e ingerência eleitoral
A declaração enumera como expressões da atual ofensiva ianque a ampliação da presença militar no Caribe e no Pacífico, os acordos que permitem atuação de tropas ianques em países como Equador e Paraguai, a intensificação do cerco contra Cuba, ameaças de intervenção contra outros países da região e a expansão de estruturas continentais de cooperação policial e militar.
O documento também inclui nessa ofensiva sanções contra integrantes de governos e Judiciários latino-americanos, tarifas empregadas como instrumento de pressão política, apoio a candidatos e governos lacaios a Washington e acordos econômicos voltados aos minerais estratégicos. Entre eles, a LAI cita a chamada Pax Silica, assinada por governos latino-americanos para cadeias ligadas a semicondutores e minerais críticos. Essas medidas são apresentadas pela organização como diferentes instrumentos de uma mesma política de reforço da dominação semicolonial.
No terreno militar, a declaração cita ainda a reativação de estruturas do Comando Sul, os exercícios PANAMAX 2026 e treinamentos bilaterais ou multilaterais realizados inclusive na Amazônia. Segundo a LAI, tais medidas contribuem para normalizar a presença de tropas, serviços de inteligência e aparatos de “segurança” ianques no continente.
No Brasil, essa convocação ocorre justamente quando crescem denúncias e alertas sobre ingerência do EUA no processo eleitoral. Em 2 de outubro, informes encaminhados ao aparato de inteligência brasileiro tratam o fechamento simultâneo da embaixada e dos consulados ianques como possível componente de uma operação psicológica voltada ao ambiente da farsa eleitoral. O próprio Comando Sul ianque já identificou oficialmente o Brasil entre os países nos quais realizou Operações Militares de Apoio à Informação (MISO), destinadas a influenciar percepções e comportamentos de públicos estrangeiros. Neste setembro, militares do EUA também participaram dos exercícios Tápio 2026, integrado ao Resolute Sentinel, e Formosa 2026; em agosto, Washington chegou a preparar uma missão de bombardeiros estratégicos B-52 para Chile e Argentina, posteriormente adiada.

Intervenção ianque é para combater a revolução
Para a LAI, a reorganização militar do EUA se relaciona também ao processo ao crescimento das lutas populares e revolucionárias no continente e cita como exemplos as grandes e explosivas mobilizações de massas ocorridas no Brasil em 2013, Chile em 2019, Colômbia em 2021, Equador em 2022 e 2025, Argentina em 2024, Peru em 2025 e Bolívia em 2026.
O documento destaca particularmente a política de Washington de enquadrar organizações armadas, comunistas, anti-imperialistas e outros movimentos como “ameaça transnacional” e sob categorias como “terrorismo”, “narcoterrorismo” ou “narcoguerrilha”. A LAI relaciona essa linha à reunião ministerial promovida pelo governo Trump sobre o chamado “ressurgimento do terrorismo político de extrema esquerda”. Segundo o representante da seção brasileira da LAI, essa escalada contrainsurgente ianque tende a produzir um “efeito bumerangue” diante do crescimento das lutas populares.

Campanha começa em 12 de outubro
A escolha de 12 de outubro para iniciar a campanha é explicada pela LAI a partir do significado histórico da data para os povos originários da América. Em oposição às celebrações coloniais do chamado “Dia da Raça”, a organização apresenta o 12 de outubro como marco da resistência indígena à brutal colonização espanhola e vincula essa história à atual luta contra o imperialismo.
A campanha deverá se estender até 27 de outubro. A LAI convoca manifestações, jornadas de propaganda e agitação, murais, pichações, distribuição de materiais, cartazes, bloqueios de estradas e outras ações definidas pelas organizações de cada país. Também propõe ações contra símbolos do imperialismo ianque e do sionismo e reivindica que a palavra de ordem “Fora ianques da América Latina!” apareça de maneira permanente nas mobilizações populares.
O chamado também distingue tarefas para os movimentos dentro e fora da América Latina. No EUA, a LAI defende que organizações anti-imperialistas atuem contra as guerras e intervenções externas, contra políticas racistas dirigidas a imigrantes e contra a militarização interna. Na América Latina, conclama as organizações a combaterem políticas de capitulação nacional, a presença de tropas estrangeiras e acordos que ampliem a atuação direta dos aparatos de segurança ianques.
Ao final, a organização reafirma que derrotas do imperialismo ianque representam avanços para os povos do continente e encerra o chamado com a consigna “toda resistência e nenhuma obediência”.

ACERCA DEL CORRESPONSAL
REDACCIóN CENTRAL
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