
Em uma investida contundente na reta final das Eleições 2026, o Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado do Espírito Santo (Sindaema) deu início ao envio de uma correspondência provocativa aos candidatos ao governo estadual: uma “carta suja”, intencionalmente manchada de lama. A iniciativa integra a campanha nacional “Privatizar é Sujeira. Limpe essa ideia” e visa alertar a opinião pública e os postulantes ao Palácio Anchieta sobre os riscos da entrega dos serviços essenciais de saneamento à iniciativa privada.
As correspondências foram direcionadas aos candidatos Breno Barcelos, Helder Salomão, Lorenzo Pazolini, Rafael Demuner e Ricardo Ferraço. Anexo à carta, o sindicato encaminhou o documento “Compromisso contra a Privatização do Saneamento”, cobrando a assinatura formal de cada um para garantir uma “candidatura limpa”.
Os quatro pilares do alerta sindical
No manifesto encaminhado aos presidenciáveis estaduais, a entidade sindical pondera que a privatização insere o direito básico à água e ao esgoto na lógica do lucro acionário, ampliando quatro frentes de vulnerabilidade:
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Enfraquecimento regulatório e tarifas elevadas: A oferta de lances agressivos nos leilões de concessão força concessionárias a repactuar contratos ou aumentar tarifas para alcançar viabilidade financeira.
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Exclusão de áreas vulneráveis: A exigência de retorno sobre o investimento desincentiva a expansão da rede para periferias e zonas rurais de menor rentabilidade.
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Risco e passivo ambiental: A carta cita episódios recentes após desestatizações, como o vazamento de esgoto no Rio Pinheiros (SP) após a privatização da Sabesp — que gerou multa de R$ 23 milhões — e as autuações à BRK Ambiental pelo descarte de esgoto na praia de Ponta Verde, em Maceió.
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Precarização do trabalho e acidentes: O documento destaca demissões em massa após concessões no Rio de Janeiro e em São Paulo, além do aumento de acidentes de trabalho graves na Sabesp — que saltaram de 107 casos em 2024 para 721 incidentes em 2025, segundo dados da Arsesp.
Modelo capixaba em debate: Cesan e SAAEs no centro do impasse
O debate ganha relevância no Espírito Santo em um momento em que a Companhia de Espírito Santense de Saneamento (Cesan) detém a distribuição de água, mas teve fatias da operação de esgoto repassadas a consórcios privados em formato de concessão parcial.
Enquanto defensores do modelo afirmam que a injeção de capital privado é a via para atingir as metas de universalização do Marco Legal do Saneamento até 2033, o Sindaema e órgãos de controle denunciam o arranjo como uma “privatização indireta” voltada ao ganho financeiro de grupos estrangeiros. Além disso, prefeituras do interior alegam escassez de caixa para extinguir os Sistemas Autônomos de Água e Esgoto (SAAEs) e repassá-los ao setor privado.
Contrepondo o argumento da eficiência privada, a campanha do sindicato pontua uma tendência internacional contrária: a reestatização dos serviços de saneamento em mais de centenas de cidades pelo mundo, incluindo Paris, Berlim, Barcelona, Buenos Aires, Atlanta e Jacarta, impulsionada por aumentos tarifários e descumprimento de investimentos em modernização.
“A privatização se vende como moderna, eficiente, ‘limpinha’. Mas, para a população do Espírito Santo, só vai trazer sujeira”, encerra o manifesto entregue aos postulantes ao governo capixaba.
https://eshoje.com.br/politica/2026/10/sindaema-envia-carta-suja-a-candidatos-ao-governo-do-es-para-cobrar-compromisso-contra-privatizacao/
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