O candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) iniciou oficialmente neste domingo sua campanha eleitoral com uma missa em Goiânia e uma carreata pelo Entorno do Distrito Federal, escolhendo uma região marcada por problemas de segurança pública para apresentar sua primeira mensagem de campanha. O ex-governador de Goiás afirmou que pretende chegar ao Palácio do Planalto com “garra e determinação” e voltou a se posicionar como uma alternativa de oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A campanha começou em Águas Lindas de Goiás, cidade escolhida pelo candidato para destacar uma das principais bandeiras de sua trajetória política: a segurança pública. Caiado utilizou a região para defender uma política nacional de combate à criminalidade baseada em maior integração entre as forças de segurança e em uma atuação mais firme do Estado.
Durante a carreata, que percorreu diferentes municípios do Entorno, o candidato esteve acompanhado da esposa, Gracinha Caiado, candidata ao Senado por Goiás, e de Daniel Vilela (MDB), que disputa o governo estadual. A escolha do Entorno também tem importância eleitoral, por concentrar uma população numerosa e apresentar problemas sociais e de infraestrutura que ultrapassam as fronteiras administrativas entre Goiás e o Distrito Federal.
Caiado aproveitou o primeiro dia oficial de campanha para reafirmar que não pretende apoiar uma aproximação com o PT. A declaração ocorre em meio a um movimento político que ganhou força dentro do próprio PSD, partido que lançou sua candidatura, depois de seu presidente nacional e candidato a vice, Gilberto Kassab, defender uma postura mais aberta em relação ao governo Lula.
A posição de Caiado cria uma situação particular dentro da própria chapa. Kassab é seu candidato a vice, mas mantém uma visão mais pragmática sobre possíveis alianças políticas, enquanto Caiado tenta construir sua candidatura nacional justamente como uma alternativa ao atual governo.
O ex-governador também procura ocupar um espaço específico no campo da direita. A candidatura de Caiado disputa eleitores com nomes como Flávio Bolsonaro, mas tenta apresentar uma imagem diferente, baseada principalmente em sua experiência administrativa, no discurso de segurança pública e na defesa do agronegócio.
Na campanha deste domingo, Caiado reforçou que acredita ser capaz de ampliar sua votação em um eventual segundo turno. Sua estratégia consiste em se apresentar como um candidato capaz de reunir eleitores que não estejam necessariamente alinhados com nenhum dos principais polos políticos nacionais.
A disputa, porém, ainda começa em um cenário bastante fragmentado. Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Eduardo Leite, Renan Santos e outros candidatos buscam consolidar suas posições antes do avanço da campanha eleitoral e da propaganda no rádio e na televisão.
Caiado chega à disputa presidencial depois de dois mandatos à frente do governo de Goiás. Durante sua gestão, a segurança pública tornou-se uma das principais vitrines de sua administração, e o candidato pretende transformar os resultados apresentados no estado em argumento para sua candidatura nacional.
Outro eixo importante será o agronegócio. Caiado possui uma trajetória política de décadas ligada à defesa do setor rural, desde sua atuação na União Democrática Ruralista até sua passagem pelo Congresso Nacional e posteriormente pelo governo de Goiás.
A campanha também deverá explorar sua experiência na administração estadual. O candidato pretende apresentar Goiás como um exemplo de gestão que, segundo sua avaliação, conseguiu combinar equilíbrio fiscal, investimentos e políticas de segurança.
Ao escolher o Entorno do Distrito Federal para iniciar sua caminhada eleitoral, Caiado também buscou transmitir uma mensagem política: a campanha presidencial começará pelas regiões onde os problemas de segurança e serviços públicos são mais visíveis, em vez de concentrar o primeiro ato exclusivamente nos grandes centros políticos.
O início oficial da campanha ocorre em um momento em que as regras eleitorais passam a permitir uma série de atividades que estavam restritas durante a fase de pré-campanha. A partir deste domingo, candidatos podem pedir votos, realizar comícios, carreatas e distribuir material de campanha dentro das normas estabelecidas pela Justiça Eleitoral.
A partir de agora, a disputa também ganhará maior presença nas ruas e nas redes sociais. Os candidatos terão de transformar suas propostas gerais em mensagens capazes de alcançar diferentes grupos de eleitores e, ao mesmo tempo, diferenciar suas candidaturas em um cenário de forte polarização.
Para Caiado, o principal desafio será ampliar sua presença nacional para além de Goiás, onde construiu sua principal base política. A eleição presidencial exige uma estrutura muito maior, especialmente nos estados do Sudeste e Nordeste, que concentram grande parte do eleitorado brasileiro.
O candidato também terá de administrar as diferenças dentro do próprio PSD. A presença de Kassab na chapa representa uma tentativa de ampliar o alcance político da candidatura, mas as divergências sobre Lula mostram que a aliança ainda precisará ser administrada durante a campanha.
O primeiro dia de campanha deixou clara a estratégia de Caiado: segurança pública, oposição ao governo Lula, experiência administrativa e defesa do setor produtivo serão os principais pilares de sua candidatura. A partir de agora, o desafio será transformar sua força política regional em uma candidatura competitiva nacionalmente e conquistar espaço em uma eleição que reúne diferentes correntes da direita, do centro e da esquerda.
O início da campanha em Goiás também estabelece o tom que Caiado pretende manter nos próximos meses. Ao escolher o Entorno do Distrito Federal, reafirmar sua oposição a Lula e defender uma atuação mais rigorosa contra a criminalidade, o candidato tenta construir uma identidade própria antes que a disputa presidencial seja dominada novamente pela polarização entre os principais nomes nacionais.
ACERCA DEL CORRESPONSAL
GILSON DANTAS CARMINI
Gilson Dantas Carmini es periodista brasileño, presidente y editor en jefe de Prensa Mercosur. Especializado en integración regional, geopolítica y derechos humanos, desarrolla una destacada labor en el ámbito de la comunicación internacional.
Posee un Máster en Desarrollo y Cooperación Internacional y mantiene una amplia red de relaciones profesionales, académicas y diplomáticas en América Latina y Asia.
Entre sus reconocimientos destacan el Micrófono de Oro de la Asociación Nacional de Locutores de México (2021), el Doctorado Honoris Causa de la Universidad Internacional México Blanco (2020) y el título de Amigo de la Niñez y la Adolescencia.
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