O empresário Ivo Vel Kos, de 48 anos, preso preventivamente em São Paulo sob suspeita de agredir a esposa, também esteve no centro de uma investigação envolvendo a Virgo, empresa do mercado de securitização, após uma denúncia apresentada à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre o suposto uso indevido de recursos vinculados a fundos de reserva de operações com Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e do Agronegócio (CRA). As acusações financeiras são independentes do processo criminal relacionado à agressão e, até o momento, não representam uma condenação de Kos.
A prisão ocorreu na madrugada de 15 de agosto, na zona oeste de São Paulo. Segundo o relato apresentado à polícia, a dentista Giulia Melo Falcão Vel Kos teria sido agredida pelo marido após uma discussão que começou dentro do carro do casal depois de um jantar. A vítima relatou socos, agressões com um taco de beisebol e ameaça com uma arma de choque. Kos nega as acusações e afirma que também teria sido agredido pela mulher.
A Justiça converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva, e o empresário foi indiciado por lesão corporal e ameaça no contexto da Lei Maria da Penha. A investigação está sob responsabilidade da Delegacia de Defesa da Mulher. A defesa da vítima pretende pedir que o caso seja analisado sob uma classificação penal mais grave.
O caso ganhou uma segunda dimensão por causa da trajetória empresarial de Kos. Ele foi fundador e controlador da Virgo, companhia criada em 2021 a partir da união de empresas do setor de securitização. A própria empresa o identificava como fundador e managing partner.

Em agosto de 2025, o então executivo da Virgo Eduardo Levy apresentou uma denúncia à CVM na qual acusou Kos de gestão temerária e de utilizar cerca de R$ 240 milhões pertencentes a outros clientes para sustentar uma operação de CRI que enfrentava dificuldades de colocação no mercado. A acusação provocou forte repercussão entre participantes do mercado de crédito privado.
Segundo a denúncia, os recursos teriam sido movimentados a partir de estruturas relacionadas a fundos de reserva para financiar uma operação envolvendo a Cedro Participações. O objetivo seria dar sustentação a uma emissão de CRI relacionada a um projeto hospitalar, depois que a demanda dos investidores ficou abaixo do esperado.
A questão central era especialmente sensível porque os recursos utilizados pertenciam a patrimônios vinculados a diferentes operações e investidores. Fundos de reserva, em estruturas de CRI e CRA, têm funções específicas, como cobrir despesas, encargos ou eventuais insuficiências de pagamento. Seu uso fora da finalidade prevista pode representar um problema de governança e de proteção dos investidores.
A denúncia apresentada à CVM continha documentos e mensagens que, segundo Levy, demonstrariam como os recursos teriam sido movimentados. O ex-executivo deixou a Virgo em julho de 2025 e afirmou posteriormente que havia divergências com a condução de determinadas operações.
O episódio provocou preocupação entre investidores e grandes instituições financeiras. Reportagens da época relataram que gestoras e bancos suspenderam ou revisaram operações com a Virgo após a divulgação das acusações. A empresa, por sua vez, negou que tivesse violado regras do mercado ou causado prejuízo aos investidores.
A controvérsia acabou levando a uma investigação administrativa. Em junho de 2026, a CVM abriu processo sancionador contra quatro acusados relacionados ao caso envolvendo supostos desvios de recursos de fundos de reserva. O procedimento ainda representa uma etapa de apuração e não equivale a uma condenação definitiva.
A existência desse processo é importante porque diferencia duas situações. A acusação apresentada em 2025 partiu de um ex-executivo e trouxe determinadas alegações contra a gestão da empresa; posteriormente, a CVM instaurou seu próprio procedimento para analisar responsabilidades. Portanto, não se deve apresentar as acusações como fatos definitivamente comprovados.
No mercado financeiro, CRIs e CRAs são instrumentos utilizados para transformar recebíveis em títulos que podem ser adquiridos por investidores. Os CRIs estão relacionados ao setor imobiliário, enquanto os CRAs têm como lastro operações ligadas ao agronegócio.
A securitização permite que empresas obtenham financiamento por meio do mercado de capitais. Ao mesmo tempo, exige estruturas de controle capazes de separar os recursos de cada operação e garantir que o dinheiro seja utilizado de acordo com as condições estabelecidas nos documentos de emissão.
É justamente nesse ponto que o caso envolvendo a Virgo ganhou importância para o mercado. A discussão não ficou restrita à situação financeira de uma empresa, mas atingiu questões de governança, segregação patrimonial e proteção dos investidores.
A Virgo posteriormente passou por uma mudança de controle. A Riza assumiu a empresa e a operação foi apresentada como uma forma de encerrar a crise que havia atingido a securitizadora. A companhia passou a operar sob a marca Riza Sec.
Antes da crise, a Virgo havia alcançado uma posição relevante no mercado. Em documento corporativo, a empresa afirmava monitorar mais de 530 transações, com mais de R$ 90 bilhões sob gestão fiduciária e centenas de parceiros de originação e investidores institucionais.
O episódio financeiro, portanto, ocorreu dentro de uma empresa que tinha participação relevante no mercado de crédito estruturado. Por isso, as acusações tiveram repercussão muito além da própria companhia e provocaram questionamentos sobre os mecanismos de controle existentes nas operações de CRI e CRA.
Agora, com a prisão de Kos por suspeita de violência doméstica, os dois episódios voltaram a aparecer conjuntamente na trajetória pública do empresário. São, porém, processos distintos, com naturezas e investigações diferentes. A acusação de agressão está sendo apurada pela Justiça criminal paulista, enquanto as questões relacionadas à Virgo pertencem ao âmbito regulatório e financeiro.
No caso criminal, a defesa de Kos contesta a versão apresentada pela esposa e afirma que ele teria sido atacado durante a discussão. A polícia registrou lesões nos dois envolvidos, que foram encaminhados para exame médico. A vítima, por sua vez, afirma que sofria agressões havia cerca de dois anos.
A investigação deverá determinar a dinâmica do episódio, a extensão das lesões e as circunstâncias que antecederam a prisão. A Justiça também deverá avaliar as medidas de proteção solicitadas pela vítima.
A trajetória recente de Ivo Vel Kos passou, assim, a reunir duas frentes de investigação de grande repercussão: uma criminal, relacionada à suspeita de violência contra a esposa, e outra regulatória, ligada às acusações sobre a movimentação de recursos em operações financeiras. No caso da Virgo, a CVM ainda precisa concluir sua apuração e eventual julgamento dos envolvidos. No processo criminal, Kos permanece sob prisão preventiva e é considerado suspeito até uma decisão judicial definitiva.
ACERCA DEL CORRESPONSAL
GILSON DANTAS CARMINI
Gilson Dantas Carmini es periodista brasileño, originario de Goiás, presidente y editor en jefe de Prensa Mercosur y Director General de Radio Mercosur. Su trayectoria está vinculada al periodismo internacional, la integración regional, la geopolítica y los derechos humanos.
Cuenta con un Máster en Desarrollo y Cooperación Internacional y un Doctorado Honoris Causa por la Universidad Internacional México Blanco. También se desempeñó como Director General del Comité Paraguay de la Cámara de Industria y Comercio del Mercosur y las Américas.
Entre sus reconocimientos se encuentran el Micrófono de Oro de la Asociación Nacional de Locutores de México, recibido en 2021, el Doctorado Honoris Causa y el reconocimiento como Amigo de la Niñez y la Adolescencia por Plan Internacional Paraguay. Su labor mantiene especial atención en el Mercosur, las relaciones internacionales y la cooperación regional.
- ★Uruguay: los agustinos, una historia que comenzó en 1932 y adquiere especial significado ante la llegada de León XIV
- ★Paraguay: joven recupera nombres ancestrales de ríos e islas de Beterete-Cué y logra corregir mapas digitales
- ★Uruguay: MERCOSUR reúne a representantes regionales en Montevideo para avanzar en políticas de agroecología
- ★India: Cámara del Mercosur fortalece vínculos comerciales con WTC Mumbai y proyecta participación en el Global Economic Summit 2026
- ★Estados Unidos: Cámara de Comercio del Mercosur y las Américas participa en The Assembly Las Vegas 2026 con foco en compliance y prevención de delitos financieros

/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/d/s/8PMBfMQs2rWzbABMqh5g/fotojet-2026-08-15t175903.291.jpg)
